Economia

Indústria assume compromisso global contra resíduo plástico

Marcelo Fairbanks
31 de maio de 2019
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    Química e Derivados, Indústria assume compromisso global contra resíduo plástico

    Um pequeno vídeo causou alvoroço na indústria química mundial ao ser divulgado maciçamente pelas redes sociais (ou seja: viralizou). As imagens da tartaruga marinha com um canudo plástico atolado no focinho e do cavalo marinho arrastando outro canudinho serviram de mote para gerar novos ataques ao uso de plásticos em geral. Mas nada se disse quanto à coleta e destinação de resíduos sólidos, insuficientes em escala mundial.

    Embora pudesse rebater os ataques – a vantagem do uso de plásticos sobre outros materiais, tanto em sustentabilidade, quanto em higiene, por exemplo – a indústria química global optou por outro caminho, mais elegante e positivo. Em 16 de janeiro, trinta indústrias químicas e fabricantes de bens de consumo das Américas, Europa, Ásia, África e Oriente Médio combinaram interesses para lançar a Aliança Para o Fim dos Resíduos Plásticos (AEPW, sigla formada com o nome original, em inglês), para a qual destinaram US$ 1 bilhão, com a meta de investir US$ 1,5 bilhão adicional nos próximos cinco anos.

    A AEPW pretende estimular medidas que ampliem a economia circular dos plásticos em todo o mundo, além de buscar soluções que reduzam ao mínimo a geração de resíduos desses materiais sintéticos. “O problema dos resíduos plásticos é visto e sentido em todo o mundo. Ele deve ser combatido e acreditamos que a hora de agir é agora”, disse Bob Patel, presidente da LyondellBasell e vice-presidente da APEW.

    Uma pesquisa da Ocean Conservacy apontou que 80% dos resíduos plásticos encontrados nos oceanos surge como lixo urbano, que é levado para o oceano por meio dos rios. Uma das frentes de trabalho da APEW será instalar barreiras aos plásticos nos rios, antes que eles desemboquem no mar, especialmente na Ásia e na África, onde são lançados mais de 60% do lixo plástico do mundo.

    Antes ainda do lançamento da APEW – da qual a Braskem é uma das fundadoras, ao lado de Dow, ExxonMobil, Clariant, Chevron Phillips, Sabic, DSM, Covestro, Total, Henkel, P&G e Veolia, entre outras – os fabricantes brasileiros de resinas termoplásticas reunidos na Abiquim lançaram o Compromisso Voluntário com a Economia Circular dos Plásticos durante o Enaiq 2018, em dezembro.

    Química e Derivados, Terra: cadeia produtiva vai reusar as embalagens até 2040

    Terra: cadeia produtiva vai reusar as embalagens até 2040

    A iniciativa tem o objetivo de promover e ampliar a economia circular das embalagens plásticas, mediante o esforço conjunto da cadeia do plástico, governo e sociedade. “Temos por meta que 100% das embalagens plásticas sejam reutilizadas, recicladas ou revalorizadas até 2040”, afirmou Edison Terra, coordenador da Comissão Setorial das Renas Plásticas (Coplast), da Abiquim. Até 2030, metade dessa meta deverá ter sido alcançada.

    Além disso, as produtoras brasileiras de resinas se comprometeram a adotar até 2020 as melhores práticas do Manual de Perda Zero de Pellets, elaborado pelo convênio entre a Plastvida – Instituto Socioambiental do Plástico e o Laboratório de Manejo, Ecologia e Conservação Marinha do Instituto Oceanográfico da USP, coerente com uma das metas do Objetivo do Desenvolvimento Sustentável nº14.

    Terra comentou que o novo compromisso é uma extensão do programa Atuação Responsável, patrocinado pela Abiquim e obrigatório para suas associadas. “A opção pelo banimento, como está ocorrendo no caso dos canudinhos, não é a melhor, há outras maneiras de se alcançar o resultado pretendido que é eliminar a poluição ambiental”, afirmou.

    Ele explicou que as medidas que devem ser adotadas a partir de agora incluem a revisão do design das embalagens, de modo a facilitar a plena reciclagem dos materiais utilizados e agregar mais valor aos produtos finais. “Os donos de marcas mais importantes e as cadeias varejistas já mostram preocupação com eventuais rejeições de embalagens por parte dos consumidores”, disse.

    Atualmente, segundo o coordenador do Coplast, a reciclagem de plásticos pós-consumo no Brasil está entre 25% e 30%. As metas estipuladas para 2030 e 2040 são consideradas factíveis, mas exigem o envolvimento de toda a cadeia produtiva. “Em 2019, aprofundaremos os estudos sobre o problema dos resíduos em todas as etapas, seguindo o trabalho de entidades internacionais, buscando identificar gargalos e apontar soluções”, salientou. “É importante perceber que o setor está engajado para atuar contra os resíduos”.



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