Grafeno: Cientistas e industriais unem forças para criar aplicações

Buscando novos potenciais parceiros para o empreendimento, a Codemig submeteu um Plano de Negócios contemplado no edital “Inova Mineral”, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), para apoiar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação na área de mineração e transformação mineral. Além da Codemig, do CDTN e da UFMG, o plano conta a participação de seis empresas e duas instituições de ciência, tecnologia e inovação (ICTI). “A Codemig está trabalhando para que o grafeno não seja uma commodity, mas uma solução tecnológica no desenvolvimento de novas aplicações e novos negócios em Minas Gerais e no Brasil”, acrescenta a nota da estatal.

O pesquisador Daniel Cunha Elias, que integra uma equipe de 30 especialistas em nanocarbono dentro da UFMG, diz que há muito interesse do setor privado no desenvolvimento de produtos com grafeno no Brasil, porém as informações são protegidas por segredo industrial. “O grafeno pode agregar mudança de cor nas roupas, trazer resistência ao algodão, transportar sensores minúsculos capazes de monitorar sinais vitais, fortalecer e ao mesmo tempo tornar mais leves estruturas mecânicas, enfim, um mundo de possibilidades. É um material extremamente maleável e inerte, características que indústrias de vários segmentos querem explorar”, explica.

Atualmente, a UFMG conta com um Centro de Tecnologia em Nanotubos de Carbono, cujo foco é o desenvolvimento de estudos para a incorporação de nanotubos de carbono e grafeno em materiais tradicionais.

São Paulo avança – A capital paulista também entrou na corrida pelo desenvolvimento do grafeno. Inaugurado em março de 2016 no campus da Universidade Presbiteriana Makenzie, o primeiro Centro de Pesquisas Avançadas em Grafeno da América Latina tem como objetivo investigar as propriedades do material em aplicações práticas. A instituição de ensino investiu R$ 20 milhões na construção do prédio e na contratação de cientistas. Localizado no bairro de Higienópolis, o MackGraphe, como é denominado, tem área superior a 4 mil m² com laboratórios onde trabalham 15 pesquisadores envolvidos nos projetos de pesquisa de grafeno e materiais bidimensionais.

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Grafeno poderá revolucionar a indústria eletroeletrônica

A professora-doutora em Química, Cecília de Carvalho Castro e Silva, que integra a equipe formada por cinco químicos, seis físicos, dois engenheiros eletrônicos, um engenheiro de materiais e um engenheiro de polímeros, informa que o interesse de sua pesquisa é empregar materiais bidimensionais no desenvolvimento de dispositivos flexíveis e portáteis de alto desempenho para a geração, conversão e armazenamento de energia. “O grafeno é um nanomaterial que possui propriedades muito particulares, sendo sete vezes mais leve que o ar e com elevada área de superfície. Os elétrons passam através dele 200 vezes mais rápido do que no silício, material que hoje usamos nos chips eletrônicos, por isso, o setor de eletrônica é um dos mais interessados no desenvolvimento do grafeno”.

Cecília explica que o Centro MackGraph se dedica a três áreas de pesquisa: Compósitos poliméricos com adição de grafeno para aumento de resistência mecânica, estabilidade e leveza de materiais para a indústria em geral; Energia para criação de novos dispositivos como baterias e supercapacitores com maior ciclo de vida e velocidade de carga; e Fotônica, com emprego do grafeno em fibra ótica para aplicação em telecomunicações. “No MackGrahp temos realizado experimentos, mas ainda não foi criado nenhum produto em escala no Brasil. Em âmbito mundial, porém, já há empresas avançando nesta direção. Hoje, no mercado existem óculos, pneus de bicicleta, raquetes de tênis e roupas com grafeno na sua omposição”, afirma a cientista.

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