Goiás enfrenta crise na energia: quedas constantes e falha no fornecimento

A Equatorial está sujeita a uma possível investigação através de CPI na Assembleia Legislativa

O período chuvoso mal começou a se intensificar, mas uma situação atrapalha moradores do Centro-Oeste: o estado de Goiás enfrenta crise na energia. As queixas sobre as constantes interrupções no fluxo de energia para os consumidores aumentaram consideravelmente durante a onda de calor que elevou a temperatura para quase 40ºC em várias cidades. Infelizmente, parece que a resolução desse problema está longe de ser alcançada.

Embora o problema exista há algum tempo, a discussão sobre o assunto ganhou força nos últimos dias e chegou até a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), que solicitou explicações da concessionária Equatorial Goiás sobre a qualidade do serviço, levantando a possibilidade de abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o caso.

A ineficiência dos canais de comunicação da empresa, segundo os usuários, é destacada, e a ligação clandestina na rede de energia elétrica é ilustrada por imagens. A situação se agrava com desligamentos programados pela empresa nesta semana. Esses desligamentos visam melhorar a rede elétrica e garantir maior qualidade e confiabilidade no fornecimento, mas as reclamações persistem. A Equatorial afirma que notifica os clientes afetados com 72 horas de antecedência, fornecendo data e período da interrupção, com o objetivo de minimizar transtornos. No entanto, os consumidores argumentam que os canais de comunicação da empresa são ineficazes.

De acordo com a concessionária, as manutenções são práticas comuns no setor elétrico e ocorrem desde a sua chegada ao Estado. “Passamos a divulgar também à imprensa para fornecer mais informações sobre nossas ações de melhoria na rede elétrica.”

Consumo consciente

Muitos moradores têm expressado suas queixas sobre quedas frequentes e intermitências na distribuição de energia, resultando em um aumento expressivo nas reclamações. A sobrecarga na rede de distribuição, a limitação na capacidade de geração de energia e o superaquecimento de equipamentos são fatores que contribuem para essas interrupções.

Durante esse período de calor intenso, a Equatorial observou um aumento significativo de 16% na demanda de carga elétrica em Goiás, ultrapassando a média nacional de 7%. Além disso, o calor afeta a capacidade de geração de energia, especialmente considerando que grande parte da eletricidade no Brasil é gerada por hidrelétricas. O consumo excessivo por períodos prolongados pode impactar os níveis de água nas usinas, agravando ainda mais a situação.

Em uma coletiva de imprensa no final de setembro, o CEO da Equatorial, Lener Jayme, destacou a importância do consumo consciente para evitar a escassez de energia. No entanto, ele admitiu que a empresa não está adequadamente preparada para lidar com os momentos de aumento na demanda, especialmente durante o período de chuvas, que se espera iniciar neste mês de outubro.

“Nós não conseguimos preparar a rede para o período chuvoso, pois foram mais de 20 anos sem investimentos na rede energética aqui em Goiás, o que impossível de se resolver em apenas nove meses. O que eu posso garantir é que a qualidade dos serviços vai ser melhor do que a do ano passado e que 2024 vai ser melhor que 2023. Mas dizer que a rede está preparada, isso não é possível afirmar”, disse o presidente à imprensa.

“O que a população pode fazer neste momento é o consumo consciente. Sabemos da necessidade e da expectativa da população. Já trabalhamos para reduzir para menos de três minuto as interrupções e seguimos investindo em infraestrutura e atendimento a todas as demandas da população”, afirmou.

Imagem ilustrativa

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