Entrevistas

GE Oil & Gas investe para suprir demanda de águas ultraprofundas

Bia Teixeira
12 de fevereiro de 2015
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    Química e DErivados, Patricia Vega, CEO da GE Oil & Gas
    P&E – Todos são produzidos no Brasil? Qual a parcela que ainda é importada?

    P.V. – Isso varia de produto para produto. Podemos dizer que boa parte dos nossos equipamentos é fabricada no país, mas o mais importante é utilizar a tecnologia e expertise globais da GE em favor da indústria de petróleo e gás. Além disso, a GE Oil & Gas trabalha para atender a todas as exigências dos órgãos reguladores, inclusive no que se refere ao conteúdo local.

    P&E – Qual a expectativa de demanda pelos equipamentos e serviços da companhia?
    P.V. – Segundo o Plano Decenal de Expansão de Energia da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), o setor de petróleo e gás concentrará R$ 749 bilhões em investimentos no país até 2021. Além disso, números do BNDES indicam que o setor deverá receber investimentos de R$ 405 bilhões entre 2013 e 2016. Trata-se de um crescimento expressivo em relação aos investimentos realizados entre 2008 e 2011, de R$ 276 bilhões, puxados especialmente pelos leilões do pré-sal. Não há dúvidas de que o pré-sal trouxe para o país um potencial expressivo de negócios na cadeia produtiva de petróleo e gás. Todos esses dados nos dão uma visibilidade do potencial de crescimento do mercado, que inclui toda a cadeia produtiva. Em resposta às demandas do setor, a GE Oil & Gas tem investido constantemente em suas unidades de negócios e no desenvolvimento de novas soluções. E, claro, para suprir qualquer demanda de todos os nossos clientes e não só da Petrobras, atualmente nosso principal cliente no país.

    P&E – Quais foram as principais iniciativas da empresa com foco nesse aumento da demanda?
    P.V. – Em janeiro, por exemplo, inauguramos a mais moderna base logística da empresa já instalada no Brasil para atender o setor de petróleo e gás. A base da GE em Niterói tem por objetivo principal carregar e descarregar navios instaladores. Esses navios transportam equipamentos pesados e visam a mobilização e a manutenção de poços de petróleo. Também inauguramos uma unidade de montagem em Recife, para atender especialmente a Petrobras. A unidade é parte importante da estratégia da companhia de aumentar o conteúdo local e trazer etapas de desenvolvimento tecnológico para o país, já que a montagem ali realizada, chamada de “packaging”, inclui componentes periféricos com alto grau de engenharia. Ela atende primeiramente ao contrato de US$ 500 milhões para fornecer turbomáquinas à Petrobras para a área de Cessão Onerosa, na Bacia de Santos.

    P&E – Vocês também trouxeram novas tecnologias para produzir no Brasil?
    P.V. – Sim. Trouxemos a fabricação de selos para o Brasil, um componente utilizado nas cabeças de poço que é produzido na unidade de Jandira. Nacionalizar essa solução foi parte da estratégia de aumentar o desenvolvimento tecnológico regional da companhia, além de promover o incremento do conteúdo local de forma inteligente. A estratégia de produção de selos permite um aumento de conteúdo local nos sistemas de cabeça de poço fabricados no Brasil, podendo alcançar 90% ante 80% alcançáveis anteriormente. Em termos de cadeia global de produção da GE Oil & Gas, a fabricação de selos em Jandira é também uma estratégia interessante. A companhia passa a ter um segundo polo fabricante de um componente essencial das cabeças de poço, dando maior flexibilidade ao sistema global de produção.

    P&E – E o projeto de tubos flexíveis anunciados este ano?
    P.V. – A companhia desenvolveu novas tecnologias de tubos flexíveis para atender as condições específicas do petróleo da Bacia de Santos. Elas apresentam importantes avanços, pois cada camada dos tubos é feita com um material específico para garantir o transporte seguro e confiável de petróleo e gás natural. Os tubos flexíveis tradicionais já são tecnologias altamente avançadas para serem capazes de lidar com correntes, temperaturas e pressões extremas. Os tubos desenvolvidos para a Bacia de Santos somam a essas características novos materiais projetados especificamente para suportar o ambiente mais ácido. No total, cerca de 70 profissionais trabalharam no projeto.

    P&E – Qual o volume de contratos que a GE Oil & Gas tem hoje no país?
    P.V. – Ao longo de 2013, a GE anunciou contratos que somam mais de US$ 1 bilhão com a Petrobras para fornecer diversos equipamentos e serviços, incluindo turbomáquinas – por meio da GE Oil & Gas – e sistemas elétricos de geração e distribuição de energia, propulsão elétrica, posicionamento dinâmico, automação e controle para navios sondas e plataformas semissubmersíveis – por meio da GE Power Conversion. E, em setembro passado, foi anunciado o mais recente contrato da GE Oil & Gas com a Petrobras, superando US$ 300 milhões, voltado ao fornecimento de sistemas de manifold para águas ultraprofundas.



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