GE Oil & Gas investe para suprir demanda de águas ultraprofundas

Química e DErivados, Patricia Vega, CEO da GE Oil & Gas
Patricia Vega, CEO da GE Oil & Gas

A GE Oil & Gas reforça investimentos no Brasil de olho na demanda crescente de tecnologias para águas ultraprofundas. De 2012 até agora, essa divisão da gigante GE investiu quase US$ 400 milhões na expansão de sua capacidade produtiva local, incluindo a instalação de nova planta fabril. E ampliou sua capacidade de prestação de serviços, com uma base logística em Niterói-RJ, que dispõe da maior grua do mundo. “Nesse montante não estão incluídos os investimentos de US$ 250 milhões no Centro de Pesquisas Global da GE no Rio de Janeiro”, frisa a presidente e CEO da GE Oil & Gas para América Latina, Patricia Vega. Graduada em Engenharia do Petróleo (Universidade de Santander) e com mestrado em Desenvolvimento de Tecnologia e Gerenciamento de Engenharia, a executiva de origem colombiana acumula 20 anos de experiência profissional na indústria do petróleo, com passagens pelos Estados Unidos, México, Colômbia e Brasil. Atuou em cargos de liderança na Halliburton, Baker Hughes, Schlumberger, além de curtos períodos na Ecopetrol, Total e BP. Sua indicação para comandar os 5,4 mil funcionários da GE Oil e Gas na região tem por objetivo desenvolver capacidades regionais e comprova a confiança no futuro da indústria no país. Patrícia concedeu entrevista exclusiva à jornalista Bia Teixeira, de Petróleo & Energia, afirmando que uma das grandes apostas da companhia hoje é desenvolver tecnologia para atender as necessidades de exploração em águas ultraprofundas.

P&E – O Brasil é o terceiro maior mercado da GE. Qual o peso do setor de óleo e gás para a companhia neste mercado?
Patricia Vega – O Brasil é um mercado chave para a GE Oil & Gas e para a GE como um todo. A divisão de petróleo e gás é a que cresce mais rapidamente na companhia. Não divulgamos resultados por país ou região, mas posso dizer que o faturamento global da GE Oil & Gas foi de US$ 17 bilhões em 2013, uma alta de 11% em relação ao ano anterior. Os números dos nossos investimentos demonstram a estratégia da GE para o mercado de petróleo e gás no Brasil.

P&E – A GE manteve a decisão de investir US$ 1,3 bilhão no país até 2016, como anunciou o CEO Jeff Immelt. Qual a parcela desses investimentos que tem vínculo direto com o atendimento ao setor de petróleo e gás?
P.V. – Apenas uma parte se refere ao setor de petróleo e gás. Em 2012, a empresa anunciou investimentos de US$ 262 milhões para ampliar seu parque fabril, distribuindo os recursos da seguinte forma: US$200 milhões para a fábrica de Niterói e US$ 32 milhões para a planta de Macaé, ambas no estado do Rio de Janeiro, e mais US$ 30 milhões para a unidade de Jandira-SP. Em 2013, a GE Oil & Gas iniciou uma operação de montagem e testes de turbomáquinas em Recife-PE, com US$ 20 milhões em investimento; e inaugurou a base logística de Niterói-RJ, com a maior grua do mundo e investimento de US$ 100 milhões.

P&E – E o Centro de Pesquisas Global da GE, inaugurado recentemente no Rio de Janeiro?
P.V. – São mais US$ 250 milhões nessa instalação, que dedicará a maior parte de seus projetos de pesquisa para o setor petrolífero. Para os próximos anos, o objetivo é atender à crescente demanda brasileira com a retomada das rodadas licitatórias no setor; desenvolver tecnologia local para necessidades de exploração em águas ultraprofundas; e simplificar processos para aumentar produtividade e eficiência nas unidades da América Latina.

P&E – Por que essa distribuição de investimentos em várias regiões?
P.V. – A GE busca expandir investimentos que vão além do eixo Rio-São Paulo. A empresa possui operações em todo o país, com unidades instaladas nos Estados da Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A equipe local aproveita o conhecimento global da GE em engenharia e serviços de campo e a excelência em logística para garantir a qualidade e execução para os clientes no Brasil. Acreditamos e apoiamos o desenvolvimento da cadeia de petróleo e gás, apresentando soluções para atender as demandas específicas em diferentes regiões. O início dessas atividades permitiu a criação de mais de cem postos de trabalho por meio da GE e de seus parceiros, incluindo a italiana Navalmare e outros fornecedores locais.

P&E – A GE afirma ter todos os produtos necessários para o ciclo completo de exploração de petróleo: é possível montar um organograma mostrando esse ciclo e os equipamentos respectivos?
P.V. – A GE é líder no fornecimento de soluções para o setor de petróleo e gás, com um vasto portfólio. Os produtos vão de equipamentos para perfuração e exploração, como cabeças de poço e árvores de natal, transporte, como tubos flexíveis, a equipamentos de geração e controle de energia nas plataformas, como turbogeradores e compressores. A empresa oferece ainda serviços de apoio, montagem e manutenção. Temos um quadro que ilustra bem a distribuição dos nossos produtos e serviços.

Química e DErivados, Patricia Vega, CEO da GE Oil & Gas
P&E – Todos são produzidos no Brasil? Qual a parcela que ainda é importada?

P.V. – Isso varia de produto para produto. Podemos dizer que boa parte dos nossos equipamentos é fabricada no país, mas o mais importante é utilizar a tecnologia e expertise globais da GE em favor da indústria de petróleo e gás. Além disso, a GE Oil & Gas trabalha para atender a todas as exigências dos órgãos reguladores, inclusive no que se refere ao conteúdo local.

P&E – Qual a expectativa de demanda pelos equipamentos e serviços da companhia?
P.V. – Segundo o Plano Decenal de Expansão de Energia da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), o setor de petróleo e gás concentrará R$ 749 bilhões em investimentos no país até 2021. Além disso, números do BNDES indicam que o setor deverá receber investimentos de R$ 405 bilhões entre 2013 e 2016. Trata-se de um crescimento expressivo em relação aos investimentos realizados entre 2008 e 2011, de R$ 276 bilhões, puxados especialmente pelos leilões do pré-sal. Não há dúvidas de que o pré-sal trouxe para o país um potencial expressivo de negócios na cadeia produtiva de petróleo e gás. Todos esses dados nos dão uma visibilidade do potencial de crescimento do mercado, que inclui toda a cadeia produtiva. Em resposta às demandas do setor, a GE Oil & Gas tem investido constantemente em suas unidades de negócios e no desenvolvimento de novas soluções. E, claro, para suprir qualquer demanda de todos os nossos clientes e não só da Petrobras, atualmente nosso principal cliente no país.

P&E – Quais foram as principais iniciativas da empresa com foco nesse aumento da demanda?
P.V. – Em janeiro, por exemplo, inauguramos a mais moderna base logística da empresa já instalada no Brasil para atender o setor de petróleo e gás. A base da GE em Niterói tem por objetivo principal carregar e descarregar navios instaladores. Esses navios transportam equipamentos pesados e visam a mobilização e a manutenção de poços de petróleo. Também inauguramos uma unidade de montagem em Recife, para atender especialmente a Petrobras. A unidade é parte importante da estratégia da companhia de aumentar o conteúdo local e trazer etapas de desenvolvimento tecnológico para o país, já que a montagem ali realizada, chamada de “packaging”, inclui componentes periféricos com alto grau de engenharia. Ela atende primeiramente ao contrato de US$ 500 milhões para fornecer turbomáquinas à Petrobras para a área de Cessão Onerosa, na Bacia de Santos.

P&E – Vocês também trouxeram novas tecnologias para produzir no Brasil?
P.V. – Sim. Trouxemos a fabricação de selos para o Brasil, um componente utilizado nas cabeças de poço que é produzido na unidade de Jandira. Nacionalizar essa solução foi parte da estratégia de aumentar o desenvolvimento tecnológico regional da companhia, além de promover o incremento do conteúdo local de forma inteligente. A estratégia de produção de selos permite um aumento de conteúdo local nos sistemas de cabeça de poço fabricados no Brasil, podendo alcançar 90% ante 80% alcançáveis anteriormente. Em termos de cadeia global de produção da GE Oil & Gas, a fabricação de selos em Jandira é também uma estratégia interessante. A companhia passa a ter um segundo polo fabricante de um componente essencial das cabeças de poço, dando maior flexibilidade ao sistema global de produção.

P&E – E o projeto de tubos flexíveis anunciados este ano?
P.V. – A companhia desenvolveu novas tecnologias de tubos flexíveis para atender as condições específicas do petróleo da Bacia de Santos. Elas apresentam importantes avanços, pois cada camada dos tubos é feita com um material específico para garantir o transporte seguro e confiável de petróleo e gás natural. Os tubos flexíveis tradicionais já são tecnologias altamente avançadas para serem capazes de lidar com correntes, temperaturas e pressões extremas. Os tubos desenvolvidos para a Bacia de Santos somam a essas características novos materiais projetados especificamente para suportar o ambiente mais ácido. No total, cerca de 70 profissionais trabalharam no projeto.

P&E – Qual o volume de contratos que a GE Oil & Gas tem hoje no país?
P.V. – Ao longo de 2013, a GE anunciou contratos que somam mais de US$ 1 bilhão com a Petrobras para fornecer diversos equipamentos e serviços, incluindo turbomáquinas – por meio da GE Oil & Gas – e sistemas elétricos de geração e distribuição de energia, propulsão elétrica, posicionamento dinâmico, automação e controle para navios sondas e plataformas semissubmersíveis – por meio da GE Power Conversion. E, em setembro passado, foi anunciado o mais recente contrato da GE Oil & Gas com a Petrobras, superando US$ 300 milhões, voltado ao fornecimento de sistemas de manifold para águas ultraprofundas.

P&E – Quais os principais diferenciais da GE nestes equipamentos?
P.V. – Todos carregam tecnologias customizadas que suportam características específicas dos campos do pré-sal, o que é fundamental para atender às necessidades do mercado brasileiro de petróleo. Os equipamentos e serviços de turbomáquinas geram energia primária para as FPSOs. Para isso, são utilizadas turbinas de gás aeroderivadas e geradores avançados, que movem o gás por dutos com a ajuda de compressores. O equipamento também reinjeta CO2 e gás natural de volta ao poço para auxiliar na recuperação do petróleo. Uma parte dos componentes utilizados nesses equipamentos é produzida no Brasil. Já os sistemas fornecidos pela GE Power Conversion ajudam a melhorar os processos marítimos offshore, com embarcações mais limpas, mais eficientes e mais produtivas, em 22 dos 29 navios sonda de perfuração contratados pela Sete Brasil, por meio de contratos firmados com a Petrobras. Quanto aos oito manifolds de injeção modular alternada de água e gás, que são fornecidos juntamente com equipamentos de controle das máquinas, eles permitem o controle da entrada ou saída de mais de quatro poços.

P&E – Qual a capacidade da fábrica de Macaé e quais os principais tipos de equipamentos produzidos lá?
P.V. – Ela teve seu tamanho triplicado para atender às necessidades locais do mercado de petróleo. Essa unidade oferece serviços de instalação, inspeção, manutenção e operação de equipamentos. E possui capacidade anual para realizar mais de 100 mil horas de trabalho e reparar aproximadamente mil ferramentas de árvores de natal e cabeças de poço, reduzindo o tempo empregado no ciclo de reparo. Além disso, o investimento tornou a unidade uma das mais modernas estruturas da GE Oil & Gas no mundo, destinada a serviços de perfuração e produção submarina (subsea), garantindo à unidade capacidade para atender localmente a todos os tipos de serviços para sistemas de perfuração e produção submarina, com excelência em tecnologia e inovação.

P&E – Qual a importância estratégica da base de Niterói?
P.V. – A base da GE em Niterói (RJ) possibilita uma entrega ainda mais eficiente de produtos e serviços. A estrutura foi desenvolvida, inicialmente, para atender a Petrobras, que é um cliente e parceiro estratégico da companhia no Brasil, mas poderá ser destinada para outras operadoras no país, dependendo da demanda de mercado. A base é destinada para carregar e descarregar navios instaladores. Esses navios transportam equipamentos pesados utilizados para a manutenção de poços de petróleo e que atendem a algumas das demandas mais desafiadoras do mercado brasileiro de petróleo e gás.

P&E – Ela visa atender somente a Petrobras ou qualquer outra demanda do setor?
P.V. – Inicialmente a base logística de Niterói foi desenvolvida para atender a Petrobras. A unidade está posicionada perto de uma série de componentes-chave da estatal, prestadores de serviços e da fábrica de tubos flexíveis da GE Oil & Gas, que é fornecedora da Petrobras e de outras operadoras na América Latina, com produtos de linhas flexíveis de alta qualidade para o transporte de petróleo e gás submarinos. Além de um guindaste gigante, a base também dispõe de dois “jumbos”, equipamentos usados no deslocamento terrestre dos tubos flexíveis com capacidades de 300 e 350 toneladas respectivamente. Trata-se de uma estrutura pioneira na cadeia produtiva de petróleo e gás no País.

P&E – Que outros diferenciais vocês destacariam nessa base logística, que vão favorecer os negócios da empresa e de seus clientes do setor de óleo e gás?
P.V. – Além dos diferenciais já citados, podemos destacar o transporte marítimo que possibilitará uma entrega ainda mais eficiente de produtos e serviços. Também é importante ressaltar que a base fortalece a presença da GE no mercado de petróleo e gás, além de ser uma contribuição significativa da companhia para ganhos de produtividade na exploração do pré-sal.

P&E – A unidade de Recife vai assegurar o fornecimento de equipamentos de turbomáquinas (como geradores de turbinas a gás, compressores de turbinas a gás e motocompressores) para os quatro novos FPSOs que vão ser instalados na região da Cessão Onerosa (P-74, P-75, 76-P e P-77). Vai atender apenas a Petrobras ou está apta a ampliar seu atendimento?
P.V. – Inicialmente a instalação será dedicada ao cumprimento do contrato de US$ 500 milhões com a Petrobras para fornecimento desses equipamentos. Porém a nova operação em Recife foi desenvolvida com a possibilidade de servir a outros projetos no futuro, ao passo que o Brasil assume uma posição cada vez mais estratégica no mercado de petróleo e gás.

P&E – Os desafios brasileiros estão incentivando a GE a alavancar o desenvolvimento de novas tecnologias que deverão ser globalizadas depois?
P.V. – Sem dúvida. A perspectiva é que o Brasil demande cada vez mais soluções para superar os desafios tecnológicos de exploração e se torne uma região ainda mais relevante para a GE Oil & Gas. Cada país tem suas características em termos de necessidades tecnológicas para exploração de petróleo e gás. Nosso amplo portfólio, combinado à nossa capacidade de inovação, nos permite atuar em diferentes condições, trazendo soluções que atendem às demandas específicas de nossos clientes e que poderão ser globalizadas. O mercado brasileiro vive um momento positivo, em especial com a reabertura das rodadas licitatórias, atraindo a atenção de operadoras internacionais do setor petrolífero.

P&E – Por último, quais as linhas prioritárias de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PDI) do Centro tecnológico da GE, que é o quinto do mundo, e como está sendo a implantação dele no país?
Uma das grandes apostas da companhia hoje é desenvolver tecnologia para atender as necessidades de exploração em águas ultraprofundas. Um ponto importante desse direcionamento será o laboratório de Subsea Systems, dentro do Centro de Pesquisas Global da GE no Rio de Janeiro. A unidade servirá, por exemplo, à pesquisa de novos materiais que resistam a condições mais inóspitas do pré-sal, a temperaturas e pressões mais altas. Esse quinto Centro Global de Pesquisas, que começou a operar em novembro, terá um laboratório dedicado exclusivamente à pesquisa de tecnologias de exploração submarina, que recebe sozinho investimentos de US$ 20 milhões, além de uma área voltada ao mercado de petróleo, denominada Sistemas Submarinos. O centro receberá ainda o segundo Technology Solution Center (TSC) da GE Oil & Gas na América Latina e uma área de pesquisa e testes de válvulas.

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