Petróleo e Gás

Gás Natural: Pesquisadores geram inovação, das bactérias e catalisadores até às soluções de engenharia

Hamilton de Almeida
3 de agosto de 2017
    -(reset)+

    Petróleo & Energia, Suani: vinhaça das usinas pode ampliar oferta de biometano

    Suani: vinhaça das usinas pode ampliar oferta de biometano

    Biogás – O Estado de São Paulo tem potencial para gerar 8.781 GWh/ano em eletricidade usando apenas biogás, volume que equivale a 5,8% do consumo de energia da região. Também pode produzir 321.700 m3/h de biometano, equivalente a 46% do consumo de gás natural do Estado. Esses números foram apresentados pela prof. Suani Teixeira Coelho, do Grupo de Pesquisa em Bioenergia, do IEE da USP, como resultados preliminares do projeto “As perspectivas de contribuição do biometano para aumentar a oferta de gás natural”, que está mapeando a produção estadual de biogás e biometano.

    Os dados mostram que as usinas de açúcar e etanol e os aterros sanitários do estado podem ser as principais fontes de produção de biogás e biometano. As usinas apresentam o maior potencial, proveniente do tratamento da vinhaça, rejeito da produção de etanol, que hoje é aplicado no cultivo de cana como fertilizante. Obtém-se de 8 a 12 litros de vinhaça por litro de etanol destilado.

    Considerando-se a safra 2015/2016, os pesquisadores estimaram ser possível produzir 302.848 m3/h de biogás e 151.424 m3/h de biometano, com potencial de geração de energia de 4.133 GWh/ano. Já os aterros sanitários poderiam produzir 276.191 m3/h de biogás e 138.096 m3/h de biometano, ou seja, um potencial de geração de energia de 3.769 GWh/ano.

    Outra importante fonte são as estações de tratamento de esgoto, com potencial de produzir 49.200 m3/h de biogás e 24.600 m3/h de biometano, e potencial para geração de 671 GWh/ano. Também foi estimada a produção a partir de resíduos agropecuários e de abatedouros: o potencial para produção de biogás é de 15.155 m3/h e de 7.580 m3/h de biometano. Esse setor poderia contribuir com a geração de 208 GWh/ano.

    “O projeto terá importância fundamental para o Estado de São Paulo porque nos dá a possibilidade de substituir o consumo de óleo diesel por biogás no transporte”, argumenta Meneghini. A meta estadual é reduzir em 20% as emissões de gás carbônico em 2020 (ano-base = 2005).

    Gás natural – O gás natural representa 23,8% do consumo de energia primária do planeta, aponta o BP Statistical Review of World Energy 2016. O Brasil tem a segunda maior reserva provada da América Latina (420 bilhões de m3; segundo os dados de 2016 da ANP), perdendo apenas para a Venezuela.

    Nos últimos seis anos, o aumento da participação do gás natural na matriz energética brasileira foi de 30%. Entretanto, hoje, boa parte da produção do país é reinjetada no subsolo, inclusive a oriunda do pré-sal, para auxiliar na extração do petróleo. Em janeiro de 2016, o Brasil reinjetou 30,4 milhões de m3 por dia nos poços, enquanto importava 31,7 milhões de m3/dia, da Bolívia.

    Este cenário terá que mudar por conta dos compromissos de redução de emissões assumidos pelo país nas últimas Conferências Climáticas (COPs). Em Paris, na última COP, comprometeu-se a diminuir as emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025, e em 43% até 2030, tendo 2005 como ano-base. Especialistas afirmam que, se o gás natural substituir outros energéticos mais carbono intensivos, como o óleo diesel, por exemplo, será possível, de fato, reduzir emissões.

    Para isso é necessário, além de construir infraestrutura para transporte e liquefação do gás natural, criar novas tecnologias, saber qual é nosso potencial de uso e de substituição de outras fontes (na indústria, nas residências e para geração de energia), quais são as maiores oportunidades para o gás natural e quais são as reais possibilidades de torná-lo mais presente na vida cotidiana. É aí que ganha relevância o papel do RCGI.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *