Biocombustíveis

3 de agosto de 2017

Gás Natural: Pesquisadores geram inovação, das bactérias e catalisadores até às soluções de engenharia

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Publicado por: Hamilton de Almeida
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    Petróleo & Energia, RCGI está instalado na Politécnica da USP

    RCGI está instalado na Politécnica da USP

    Cientistas que pesquisam a via bioquímica para produção de PHB a partir do metano descobriram um novo tipo de polímero. Em outras frentes, estão desenvolvendo catalisadores mais eficientes para produzir hidrocarbonetos a partir do syngas e metanol, gerados com gás natural. Também se investiga um dispositivo supersônico para separação de CH4/CO2 e a contribuição do biometano para aumentar a oferta de gás combustível.

    Estas são algumas das pesquisas de ponta do RCGI – Research Centre for Gas Innovation (Centro de Pesquisa para Inovação em Gás). Único estabelecimento do gênero no país, começou a funcionar em janeiro de 2016 com o intuito de desenvolver estudos avançados no uso sustentável do gás natural, biogás, hidrogênio e redução das emissões de CO2, além de capturar e estocar esse gás.

    O diretor científico, professor doutor Júlio Meneghini, declara que a ideia da criação do centro nasceu há três anos, com uma chamada da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), da antiga British Gas, subsidiária da Shell Brasil, e do Cepid (Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão). “Já existia um orçamento de US$ 20 milhões divididos entre a Fapesp e a Shell Brasil”, observa. A previsão é aplicar R$ 100 milhões até 2020: R$ 27 milhões da Fapesp, R$ 30 milhões da Shell e R$ 43 milhões em contrapartidas da Universidade de São Paulo (USP).

    Petróleo & Energia, Meneghini: RCGI busca ampliar rede de intercâmbio global

    Meneghini: RCGI busca ampliar rede de intercâmbio global

    Sediado nas instalações da Escola Politécnica da USP, o RCGI foi organizado para abrigar um conjunto de projetos em três grandes programas: Engenharia, Físico-Química e Políticas de energia e economia. Meneghini relata que, desde o início, definiu-se um organograma com colaboração internacional de outras universidades, em particular com o Imperial College London.

    Também “há uma interação muito grande” com o Sustainable Gas Institute, de Londres, patrocinado pela Shell, que é dois anos anterior ao centro brasileiro. No próximo mês de setembro, haverá um workshop entre as duas instituições.

    Há ainda, conforme Meneghini, participação das Universidades Técnica de Darmstadt (Alemanha), Cambridge e Leeds (Reino Unido) “e estamos procurando estabelecer intercâmbio com as universidades de Tóquio e Yokohama (Japão), Oxford (Inglaterra), Stanford e California Institute of Technology – Caltech (Estados Unidos)”.

    O resultado de todo esse esforço se traduz em 29 projetos em andamento. “O RCGI tem patrocínio por cinco anos, que pode ser prorrogado por mais seis anos. E os projetos têm entre 48 e 60 meses de prazo de conclusão, em média”, detalha o diretor científico. Os trabalhos estão a cargo de 150 pesquisadores, incluindo pós-doutorandos, doutorandos, mestrandos, alunos de iniciação científica e professores.

    Há professores da Escola Politécnica, do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), do Instituto de Energia e Ambiente (IEE), do Instituto de Química da USP de São Carlos, da Universidade Federal de São Carlos, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Escola Paulista de Medicina.

    Meneghini salienta que, ao término da primeira fase do RCGI, em dezembro de 2020, os resultados das pesquisas atuais estarão disponíveis para aplicações práticas.

    Na área de Engenharia, há 11 projetos. Entre eles, três visam melhorar a combustão, incluindo a criação de um laboratório avançado; desenvolvimento de navios movidos a gás natural e de um veículo flex penta-fuel, que irá funcionar com gasolina pura, gasolina+etanol, etanol, gás natural veicular (GNV) e eletricidade, destaca Meneghini.

    O programa de Físico-Química contempla dez projetos. O vice-coordenador, Cláudio Oller, descreve que, além dos projetos de rotas química e bioquímica para uso do CO2 e do CH4 como matérias-primas para formar outros produtos, desenvolvem-se catalisadores para obter produtos com cadeia carbônica mais longa. Outra linha de pesquisa está relacionada à produção de biogás a partir de biomassa proveniente da produção de etanol.

    Vinculados às Políticas de energia e economia estão oito projetos, como inventário brasileiro de gases de efeito estufa e cenários para a redução das emissões relacionadas ao gás natural; e as perspectivas de contribuição do biometano para aumentar a oferta de gás natural.


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