Máquinas e Equipamentos

Gás natural: Criogenia torna offloading de LGN mais seguro

Bia Teixeira
13 de fevereiro de 2015
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    “Outras configurações utilizadas hoje, com tubulação rígida ou linhas flexíveis de forma suspensa (com posicionamento lado a lado ou em linha), demandam grandes estruturas de suspensão dessas linhas na própria unidade FLNG, aumentando o custo do investimento”, aponta Zinato. Ele lembra que as unidades flutuantes precisam ser equipadas com sistemas precisos de controle de posicionamento dinâmico para evitar grandes movimentos durante o descarregamento. “O sistema de offloading em tandem para LNG simplifica consideravelmente a solução e traz maior segurança e confiabilidade”, frisa o executivo.

    Novos materiais – Ele observa que a mangueira para LNG utiliza conceitos similares aos de outros equipamentos usados na indústria petroleira. “O grande desafio era atingir um grau de desenvolvimento tecnológico para materiais e método de construção que nos permitisse ter um produto adequado às condições de operação com gás”, destaca Zinato. Isso por que o gás liquefeito é operado a baixas temperaturas. “Precisávamos ter uma mangueira para operar em contato com a água, em condições severas ambientais e com temperaturas extremamente baixas. Um grande desafio tecnológico”, afirma.

    A mangueira criogênica usa o conceito de hose-in-hose (mangueira dentro de mangueira).

    Para o desenvolvimento desse sistema, foi preciso qualificar uma nova mangueira específica para LNG bem como definir as características operacionais adequadas quanto ao uso dessas mangueiras offshore. Com esses parâmetros, a Saipem se responsabilizou pelo projeto do sistema de conexão da mangueira ao terminal flutuante FLNG, bem como do sistema de acondicionamento das mangueiras no terminal.

    Antecipando tecnologias – Esse sistema de offloading em tandem com mangueira para LNG ainda não está em uso, mas já existem perspectivas de utilização em projetos na Austrália (onde a Shell vai instalar o projeto Prelude) e em outras regiões. “Essa mangueira certamente é um produto adequado para distintos projetos de desenvolvimento da produção de campos offshore, inclusive no pré-sal brasileiro”, acrescenta. “Não tenho dúvida de que, em se avançando com projetos de unidades flutuantes de LNG aqui no Brasil, esse será o sistema que poderá trazer diferenciais e grandes vantagens aos usuários”, afirma.

    A parceria entre Saipem e Trelleborg foi iniciada em 2009. Desde então, a mangueira passou por análise rigorosa para validação do material, dos níveis de fadiga, da caracterização e dos desempenhos hidráulico e térmico. Desde setembro de 2012, um amplo programa de qualificação está em curso para a nova mangueira de 20 polegadas/50 cm para LNG, de acordo com os requisitos da norma EN 1474-2, sendo monitorado por uma sociedade independente de classificação.

    “O processo de qualificação está avançando conforme planejado e estará finalizado no começo de 2015. Para que a nossa mangueira para LNG seja considerada aprovada de acordo com a norma EN 1474-2, que regula esse tipo específico de produto/aplicação, precisamos realizar testes dinâmicos e estáticos em escala real, verificando condições mecânicas, térmicas e de fluxo”, detalha Zinato.

    Como parte do processo de qualificação, mais de 20 testes estão sendo realizados, inclusive de fadiga, para reproduzir as condições dinâmicas de aplicação de carga a que será submetido esse tipo de mangueira em ambiente de utilização operacional.

     

    Nova mangueira qualificada no Brasil

    Petróleo & Energia, Mangueira criogênica flutuante

    Mangueira criogênica flutuante

    Em adição à mangueira criogênica para uso com LNG (sendo qualificada na Trelleborg França), outra conquista da Trelleborg Brasil foi a qualificação da mangueira Sealine. A equipe da Trelleborg no Brasil obteve essa qualificação utilizando as mais avançadas ferramentas e técnicas de engenharia de produto, bem como fazendo uso dos recursos da moderna fábrica de Santana de Parnaíba-SP.

    A inovação foi aprovada mediante testes dinâmicos e estáticos em escala real atendendo aos requisitos estabelecidos pela norma GMPHOM 2009. A Sealine está disponível em carcaça dupla, flutuante ou submarina, em diâmetros até 20”.

     

    Shell fará primeiro FLNG

    A anglo-holandesa Shell deverá ser a primeira operadora a colocar uma unidade de FLNG em operação no mundo. Denominada Prelude FLNG, o projeto demandará investimento superior a US$ 12 bilhões. A entrada em operação está prevista para 2017.

    Essa unidade deverá ser instalada na costa da Austrália, onde há muitas reservas de óleo e gás, mas cujo desenvolvimento da produção esbarra nas condições climáticas e na proibição da construção de oleodutos submarinos.

    A francesa Total e a japonesa Inpex são parceiras da Shell no desenvolvimento de um novo conceito de FLNG (floating liquefied natural gas), que poderá se tornar o maior objeto flutuante do mundo, com quase 500 metros.



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