Máquinas e Equipamentos

Gás natural: Criogenia torna offloading de LGN mais seguro

Bia Teixeira
13 de fevereiro de 2015
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    Petróleo & Energia, Sistema dispensa estrutura de sustentação

    Sistema dispensa estrutura de sustentação

    A tecnologia das baixíssimas temperaturas tem aplicações imediatas em várias atividades, inclusive na indústria de óleo e gás. É o que mostra a centenária empresa sueca Trelleborg, fornecedora de soluções para a cadeia produtiva de petróleo. Em parceria com a italiana Saipem (Società Anonima Italiana Perforazioni e Montaggi), a divisão de mangueiras industriais da empresa desenvolveu um sistema de offloading em tandem para gás natural liquefeito (LNG, em inglês).

    Essa operação, chamada de alívio, na qual duas unidades offshore (uma plataforma de produção e um navio tanque) são posicionados popa à proa (como se estivessem em uma fila) para a transferência do hidrocarboneto produzido, demanda o uso de mangueiras muito especiais.

    Afinal, até um milhão de barris de hidrocarbonetos serão transferidos da plataforma produtora para o petroleiro, que levará o produto até terra firme, para serem transportados para refinarias. No caso do gás natural, em geral o escoamento é feito por meio de gasodutos submarinos, que chegam até a estação de compressão em terra firme, de onde seguem para a malha de gasodutos, na pressão e pureza exigida pela legislação local.

    Petróleo & Energia, Mangueira Sealine da Trelleborg

    Mangueira Sealine da Trelleborg

    Unidade de produção – Há novas vertentes para a produção e escoamento de gás natural desde as novas unidades de produção, como as plataformas do tipo FLNG (floating liquefied natural gas), que é uma unidade flutuante de produção, com sistema de processamento e liquefação de gás natural.

    A Shell já está dando um passo decisivo nesse caminho, com o projeto Prelude (veja box). O Brasil ainda não utiliza este sistema, mas desde o princípio desta década a Petrobras estuda essa possibilidade, uma vez que a tecnologia pode agilizar o escoamento e exportação da produção crescente desse energético no país, como já é feito com o petróleo. Principalmente em novas fronteiras como a do pré-sal, situado a mais de 300 quilômetros da costa, o que torna ainda mais onerosa a implantação de um sistema de gasodutos submarinos – sem falar nos riscos ambientais.

    Atenta a essa demanda, a Trelleborg e Saipem apresentaram uma inovação para o mercado: um sistema de offloading (descarregamento ou alívio) de gás natural liquefeito com tecnologia criogênica, que permite uma nova configuração das embarcações envolvidas nessa operação.

    Em geral, o alívio do gás natural liquefeito é feito por duas embarcações (ship-to-ship), posicionadas lado a lado. O sistema apresentado pelas duas parceiras utiliza uma nova mangueira flexível, com tecnologia criogênica, para manter a baixa temperatura do gás (que pode chegar até -160ºC). E um novo modo de fazer o alívio.

    Petróleo & Energia, Zinato: alívio em tandem garante segurança mesmo com mar agitado

    Zinato: alívio em tandem garante segurança mesmo com mar agitado

    “O sistema de descarregamento em tandem para LNG permite um posicionamento muito mais seguro, pois as duas unidades alinham proa e popa, possibilitando um distanciamento maior (328 pés ou 100 metros de distância) e contato direto das mangueiras com a água (ela não fica suspensa). Isso não somente torna a operação mais segura, mas também permite a continuidade do alívio mesmo em condições de vento, correnteza e ondas mais severas, aumentando a disponibilidade operacional de todo o sistema de offloading para o operador”, explica Valter Zinato, gerente-geral da Trelleborg Industrial Solutions (Oil and Marine) no Brasil.

    A empresa sueca desenvolveu uma mangueira criogênica flutuante, constituída por vários componentes: duas mangueiras, uma interna (criogênica) e outra externa (de proteção), uma camada de isolamento eficiente e um sistema integrado para monitorar vazamentos.

    O novo sistema foi projetado para operar em condições marítimas severas, com ondas de alturas significativas – até 11,5 pés (3,5 m) na conexão e 13 pés (4 m) durante a transferência – mesmo com vento ou correntes não colineares (em sentidos diferentes). Estes atributos do equipamento possibilitam offloading mais seguro em quase todos os cenários existentes na indústria offshore.



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