Fornecedores – Setor sofre com demora de leilões e mudanças na Petrobras

Petroleo & Energia, Docagem da FPS0-74, Fornecedores - Setor sofre com demora de leilões e mudanças na Petrobras
Docagem da FPS0-74

 

O mundo não acabou, contrariando os vaticínios do calendário maia. E tampouco o ano de 2012. Pelo menos para o setor de óleo e gás no país, que aguarda, com ceticismo e mau humor, algumas definições cruciais para definir objetivos e planejar investimentos. E também se estruturar para aumentar a competitividade dos seus produtos e serviços, em um mercado no qual a concorrência é cada vez mais acirrada, a despeito do conteúdo nacional exigido para o fornecimento nesse setor.

O ano de 2012 acabou emperrado por uma série de impasses políticos e pela queda da eficiência operacional da Petrobras, responsável por mais de 90% da produção de óleo e gás no país. No âmbito político, ficou para o apagar das luzes de 2012 uma definição quanto à redistribuição dos royalties, questão que há dois anos mobiliza os poderes Executivo e Legislativo – federais, estaduais e municipais – de todo o país. Até mesmo de regiões onde nunca se fez uma sísmica sequer.

Sem o consenso em torno dessa questão, o ano se encerra sem ficar claro se a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) irá dar prosseguimento a todos os trâmites para realizar a 11ª rodada de licitações de blocos exploratórios em maio, como estava previsto. A diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, afirmou que a agência precisa de 120 dias para organizar um leilão, mas a sua realização dependia da definição em torno dos royalties. A pergunta é: se a decisão em torno dos royalties não agradar e o caso chegar a extremos jurídicos, vai haver novos leilões, inclusive o do pré-sal, anunciado para o final do ano?

Essa definição é aguardada por todas as petroleiras que atuam no país e outras companhias internacionais aguardam há mais de três anos. Assim como a cadeia de fornecedores de bens e serviços, abrangendo todas as etapas da exploração e produção de hidrocarbonetos. Novas concessões representam oportunidades para as empresas que atuam na etapa exploratória, sinalizando grandes demandas futuras para o resto da cadeia produtiva quando são realizadas descobertas economicamente viáveis.

Mercado cético – Mas o foco do mercado, nesta última década, tem sido a volumosa e crescente carteira de projetos da Petrobras, que prevê mais de US$ 236 bilhões em investimentos entre 2012 e 2016. No entanto, o mercado sentiu o impacto das mudanças ocorridas na gestão da estatal, que detectou a queda da eficiência operacional da maior região produtora de óleo e gás do país, a Bacia de Campos. Isso se refletiu na revisão do plano de investimentos, que passou a exigir maior disciplina financeira e eficácia na execução dos projetos por parte dos gestores das diversas áreas. O que significa também maior nível de cobrança em relação ao cumprimento de prazos e a exigência de preços mais competitivos dos fornecedores.

O nível de investimentos foi mantido, segundo os relatórios financeiros da estatal: no período de nove meses, findo em 30 de setembro de 2012, a empresa afirma ter investido um total de US$ 31.131 milhões, principalmente no aumento da capacidade produtiva, na modernização e ampliação do parque de refino e na integração e expansão dos sistemas de transporte. No ano passado, nesse mesmo período, os investimentos somaram US$ 31.785 milhões.

Os resultados consolidados no terceiro trimestre deste ano, ainda que melhores do que o anterior, indicam uma queda expressiva no desempenho operacional e financeiro da estatal. E, consequentemente, no fluxo de demandas por bens e serviços. A despeito dos diversos programas implementados pela Petrobras para reverter esse desempenho – o de eficiência operacional (Proef), e os de otimização de custos (Procop) e de infraestrutura logística (Infralog) –, a expectativa é a de que a estatal tenha, talvez, o pior resultado em uma década.

Todos esses fatores levam o mercado a fazer um balanço mais comedido dos avanços e impasses deste ano, ansiando por um horizonte mais claro em 2013; por enquanto, ainda uma grande incógnita. Boa parte das em presas procura evitar o pessimismo, relembrando os bons resultados consolidados em 2012, apesar dos problemas no setor e da crise internacional, que, aliás, não impediu algumas empresas de buscar oportunidades no exterior, diante das indefinições no mercado interno.

Recorde de produção – A paulista Flexomarine, fabricante nacional de mangotes marítimos, é uma das empresas que fecha o ano com bons resultados: ela mais do que dobrou suas vendas em 2012, em comparação com o ano anterior. Na realidade, a empresa tem a expectativa de fechar o ano com 1.200 mangotes marítimos, dos tipos flutuante e submarino, fabricados e entregues. A alta na produção deverá posicionar a Flexomarine em terceiro lugar no ranking mundial em capacidade de produção de mangotes marítimos, com liderança isolada no mercado brasileiro.

A empresa também contabilizou pontos positivos com o maior cliente local, a Petrobras, ficando em 2º lugar na premiação dos melhores fornecedores de bens de 2012 para a Unidade de Operações de Exploração e Produção da Bacia de Campos (UO-BC), a maior e mais importante do Sistema Petrobras, na Categoria Grandes Compras. Em agosto a empresa fechou contrato de R$ 64 milhões com a estatal, para fornecimento de 512 mangotes marítimos, do tipo flutuante, de dupla carcaça, de 20 polegadas de diâmetro interno e 10,7 metros de comprimento, na média de 64 unidades por mês até abril de 2013.

“Foi o maior pedido individual da Flexomarine desde o início da fabricação de mangotes marítimos, em 1978”, afirmou Gustavo Leite, diretor comercial da Flexomarine. Feliz com o contrato que possibilitou à empresa brasileira se destacar no ranking mundial, o executivo acredita em um aumento progressivo da demanda por seus produtos, até para manter o estoque regulador das operadoras.

Responsáveis por transportar petróleo bruto do navio produtor para o navio aliviador, em severas condições operacionais no mar, estes mangotes, pelas normas internacionais, devem passar por uma rigorosa inspeção técnica a cada 12 meses, para aferição de sua integridade física. Embora novas rodadas de licitação de blocos exploratórios criem oportunidades para o mercado, Leite avalia que só daqui a três ou quatro anos empresas como a Flexomarine começarão a colher os frutos disso, uma vez que seus produtos são usados na etapa de produção. “Por estarmos instalados no Brasil, a prioridade é o mercado nacional em que a Petrobras deixou de ser a única consumidora”, conclui o diretor da Flexomarine, lembrando-se do salto de produtividade da empresa, que em 2010 fabricava 200 mangotes/ano.

Metas superadas – O ano de 2012 foi de muito crescimento para a Chemtech, empresa da Siemens referência em soluções de engenharia e TI. No ano fiscal encerrado em outubro de 2012, a Chemtech bateu todas as suas metas de vendas, faturamento, lucro e fluxo de caixa, com destaque para o Ebit (Earnings Before Interests and Taxes), que superou a meta em cerca de 30%.

“Diante dos bons resultados, a empresa passou a adotar, a partir de 2012, a distribuição de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para todos os seus funcionários”, informou Daniel Moczydlower, CEO da Chemtech, que está engajada em cinco das dez maiores obras de infraestrutura no Brasil e continua vencendo concorrências para grandes empreendimentos, envolvendo empresas da cadeia produtora e fornecedora de óleo e gás, além de outras indústrias.

Petroleo & Energia,  Daniel Moczydlower, CEO da Chemtech, Fornecedores - Setor sofre com demora de leilões e mudanças na Petrobras
Daniel Moczydlower: planos de estreitar negócios com cadeia offshore

Na área offshore, ela está presente nos projetos de detalhamento de quase metade dos 19 módulos para cada uma das FPSOs replicantes que a Petrobras contratou para o pré-sal. De acordo com Moczydlower, com esse projeto, a Chemtech se consolida como a empresa de engenharia com a maior participação no esforço total de detalhamento dos topsides dos FPSOs replicantes do pré-sal.

Para o ano de 2013, o CEO da Chemtech pretende investir ainda mais na diversificação do market share, além de estreitar a relação com a cadeia offshore, o que já vem acontecendo mediante parcerias com empresas como a OSX, Odebrecht, Andrade Gutierrez, entre outras. “O mercado nacional vive seu momento de ouro no setor de óleo e gás e tem plenas condições de competir com outros players. No entanto, num prazo de dois ou três anos, a demanda de novos projetos vai depender das campanhas exploratórias e da disponibilidade de sondas”, ressaltou o CEO, afirmando que as empresas de engenharia aguardavam ansiosas por novas rodadas de licitações. Para ele, o risco com o atraso do leilão é que haja um hiato entre projetos que estão sendo executados e os novos, o que seria muito prejudicial para as empresas instaladas no Brasil e que investiram apostando no crescimento do mercado local de óleo e gás.

Moczydlower acredita que a área offshore terá forte demanda não só por projetos de novas unidades, como também em estudos de revitalização e otimização de unidades já existentes, para os quais a Chemtech pode fornecer diversos serviços especializados. “Temos expertise em grandes empreendimentos para clientes industriais, além da Petrobras, como Vale, CSN e Votorantim. Estudamos as plantas e oferecemos soluções tecnológicas que melhoram o desempenho operacional e otimizam os custos da unidade”, pontuou.

Atualmente, a Chemtech está trazendo para o Brasil a expertise consagrada de estudos de segurança, sistemas de alívio de pressão e de integridade mecânica da antiga Berwanger, atual Siemens Consulting Houston, que é a líder absoluta destes mercados na América do Norte. Para o CEO da Chemtech, a demanda por maior segurança e confiabilidade nas instalações industriais brasileiras, principalmente nas plataformas offshore, criará aqui um mercado cada vez maior.

“Também estamos trazendo o OGM, uma ferramenta poderosa para realização de estudos conceituais e de viabilidade técnica e econômica para a instalação de novas plataformas”, revela o executivo, frisando que o mercado brasileiro de óleo e gás é sem dúvida prioridade para a empresa. Para a próxima década, a expectativa é que sejam investidos US$ 300 bilhões no mercado offshore brasileiro, e a Chemtech pretende disputar fatias significativas desse cenário. “Vamos acompanhar o crescimento do setor de óleo e gás com soluções de engenharia cada vez mais inovadoras e esperamos o retorno nas receitas da empresa”, finalizou Daniel Moczydlower.

Dentre os principais projetos da carteira da empresa, estão os de engenharia de detalhamento para os pacotes de integração e módulos topside dos oito FPSOs replicantes do pré-sal, dos quais participa por meio de contratos, por exemplo, com a Integra Offshore (JV da Mendes Junior e OSX), cuja previsão de entrega é setembro de 2013; o projeto do TRBA (Terminal de Regaseificação de GNL da Bahia), com a Andrade Gutierrez e a Carioca; e o trabalho na inovadora unidade de SNOx (unidade de recuperação de resíduos) da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), contratado diretamente pela Petrobras.

Geoinformação estratégica – As ações da Petrobras para melhorar os índices de eficiência operacional, assim como as novas licitações da ANP, previstas para 2013, podem gerar demandas imediatas para o segmento de geoinformação, que vem se tornando uma ferramenta estratégica de TI para os mais diversos setores da economia, inclusive na indústria de petróleo e gás.

“Os leilões não somente criam expectativas de novas demandas, como também vão ajudar a reverter uma tendência de saída das pequenas empresas, além de estimular as ações das grandes companhias”, afirma Alessandro Diniz, diretor da Imagem, empresa brasileira fundada em 1986, em São José dos Campos-SP, que no ano passado faturou R$ 72 milhões.

Petroleo & Energia, Alessandro Diniz, diretor da Imagem,  Fornecedores - Setor sofre com demora de leilões e mudanças na Petrobras
Alessandro Diniz: leilões podem melhorar negócios em geoinformação

Para Diniz, a busca por serviços na área de geoinformação deve anteceder o próprio leilão, uma vez que as informações espaciais são utilizadas na análise dos riscos geológicos, ambientais etc. “Ou seja, nossa perspectiva é de demanda quase imediata”, destaca o executivo da empresa, que é distribuidora exclusiva no Brasil da Esri, fabricante do sistema ArcGIS, utilizado por mais de 350 mil empresas no mundo (5 mil só no Brasil, incluindo a Petrobras e outras petroleiras) e com três milhões de usuários.

Não é por outra razão que as projeções da Imagem são de um crescimento em torno de 12% neste ano no segmento de óleo e gás, em razão principalmente da venda de softwares desse sistema, utilizado desde a etapa de planejamento à operação e manutenção de dutos, plataformas, logística offshore, instalação de equipamentos submarinos etc.

“Estamos fazendo um trabalho detalhado de planejamento para o próximo ano, quando prevemos um crescimento de 15%, tanto em termos de venda de softwares como também de serviços agregados”, acrescenta Diniz. Segundo ele, as áreas de negócios que vêm reforçando o uso da geoinformação revelam uma preocupação contínua com a questão de segurança, meio ambiente e saúde (SMS) e de melhoria da eficiência. O que levou a empresa à verticalização, agregando um pacote de serviços às soluções oferecidas para o mercado.

“O uso do GIS é intenso no planejamento logístico, principalmente na etapa de E&P, com a planta industrial (plataforma) já instalada, quando toda a cadeia produtiva tem que monitorar continuamente o movimento de equipamentos e pessoas. Toda a operação logística é suportada pela geoinformação, pelo GIS, uma ferramenta valiosa por fazer tudo em tempo real”, conclui o executivo da empresa, que hoje soma mais de nove mil clientes nos mercados de utilities (energia, distribuição de gás, saneamento, óleo e gás), agronegócios, defesa, floresta, governo municipal, logística, meio ambiente e telecomunicações.

TI permeia toda a cadeia – Com contratos com empresas do porte da Techint, Estaleiro Atlântico Sul, Estaleiro Enseada do Paraguaçu, Pan Marine, CQI (Central Química Industrial), CQG Construções, entre outras, a brasileira Softway também fecha o ano com um bom faturamento, especialmente na área de óleo e gás, que pesou significativamente para o crescimento estimado para este ano, de 15%.

“O mercado de O&G é uma prioridade, pois estamos vendo o crescimento da demanda por soluções e sistemas de logística internacional, bem como de regimes especiais que possibilitam aumentar a competitividade das empresas aqui instaladas perante o mercado internacional”, pontua Fernando Rodrigues Magri, gerente de projetos estratégicos e alianças da Softway.

Petroleo & Energia, Fernando Rodrigues Magri, gerente de projetos estratégicos e alianças da Softway, Fornecedores - Setor sofre com demora de leilões e mudanças na Petrobras
Fernando Rodrigues Magri: empresas locais ganham com logística internacional

Provedora de softwares para comércio exterior, desde 2011, a empresa investiu cerca de R$ 4 milhões no desenvolvimento e no aperfeiçoamento vertical de produtos para o mercado de óleo e gás, com a meta de chegar em 2015 com o faturamento na casa dos R$ 130 milhões. Com tais recursos, a Softway consegue atender toda a cadeia produtiva de óleo e gás, desde o importador, empresas fornecedoras de bens e serviços, da manufatura à manutenção, até as operadoras.

De acordo com Magri, as vendas da Softway são alavancadas pelas operações internacionais de empresas que atuam no Brasil, tanto na importação de bens como na busca de oportunidades no exterior, assim como a chegada de novos players ao país. “Com isso, nossos produtos e serviços têm tido forte crescimento no Brasil e na América Latina. No mercado nacional, o segmento do Oil&Gas continua demandando soluções, assim como o governo federal, que tem buscado maior controle das operações que envolvem compra e venda de serviços.”

Quanto aos leilões programados para 2013, ele observa que a cada nova área leiloada aumenta a demanda de bens e serviços para a exploração e o desenvolvimento de campos, “puxando a linha de produtos da Softway com foco na manufatura, por meio de diferentes regimes aduaneiros como Recof, Replat, drawback, assim como na exportação, por meio do Repetro”.

A busca por eficiência logística e, consequentemente, a otimização dos custos também são favoráveis aos negócios da empresa. “Essa sempre foi uma das bandeiras da Softway. Acreditamos que todo o processo deve sempre se pautar na melhoria contínua do controle, com uso da informatização e da automatização, sempre que possível”, conclui Fernando Magri.

Portfólio diversificado– É nesse segmento que atua há mais de 30 anos a Hirsa – Sistemas de Automação e Controle, outra brasileira que vem buscando a diversificação de seu portfólio de produtos e serviços para alcançar metas programadas. “O ano de 2012 ficou muito aquém do esperado porque o cumprimento de metas e o andamento dos projetos não se concretizaram dentro do esperado”, afirma Matheus Freitas, diretor operacional da Hirsa. “Mas conseguimos atingir nossas metas de crescimento por meio de projetos fechados no ano anterior (2011), cujos resultados foram realizados agora e também pela diversificação dos nossos serviços”, acrescenta o executivo.

Petroleo & Energia, Matheus Freitas, diretor operacional da Hirsa, Fornecedores - Setor sofre com demora de leilões e mudanças na Petrobras
Matheus Freitas: metas foram atingidas com negócios fechados em 2011

 

A expectativa da empresa é positiva para os próximos anos, com base nos planos de investimento da Petrobras. “Esperamos que a área offshore seja uma aposta efetiva, pois poderemos ofertar nossa linha de produtos destinada à medição e ao controle de líquidos e gases, bem como nosso portfólio de serviços na área metrológica, de manutenção e reparo de instrumentos.”

A Hirsa também vê boas oportunidades na busca da estatal pela melhoria do desempenho operacional. “Somos especialistas em medição e controle de alta precisão, de forma isolada ou em sistemas integrados. Nossos produtos e serviços estão diretamente relacionados à otimização de processos, ao uso eficiente dos ativos e, consequentemente, à redução de custos com desperdícios”, afiança o executivo, lembrando que a empresa tem contratos de longa duração com a Petrobras, os quais preveem a prestação de serviços para diversas Unidades Operacionais (UO) no país, incluindo o Consórcio Rio Paraguaçu (CRP), na área de calibração, reparo de instrumentos e elaboração de folha de dados de instrumentos de medição e controle dos projetos das plataformas P-59/P-60.

“Também somos fornecedores de equipamentos de medição e vazão para diversas refinarias do Sistema Petrobras”, destaca o executivo, evitando nominar os projetos dos quais participa. “A indústria de óleo e gás ainda continua sendo a nossa prioridade. Nosso portfólio está bastante focado nesta área em função dos grandes investimentos realizados nos últimos anos e ainda os que estão programados até 2020”, conclui Freitas.

Integridade de ativos – Colocar em operação, em testes pilotos, uma das principais ferramentas tecnológicas que desenvolveu para a inspeção de risers (dutos de produção submarinos) é a grande expectativa da empresa de engenharia Subsin, que tem forte atuação na área de integridadede ativos. A solução de ponta que a Subsin está negociando, para literalmente ‘mergulhar’ em águas brasileiras ou no exterior, é um ROV (do inglês remotely operated underwater vehicle), um veículo submersível de operação remota.

O ROV denominado Siris vem sendo apresentado às grandes petroleiras e foi desenvolvido e construído pela empresa brasileira, que nasceu e deu seus primeiros passos em duas incubadoras: o Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), da Universidade de São Paulo (USP) e, depois, a Incubadora de Empresas de Base Tecnológica do Exército (Ietex), do Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro. “Após os testes de campo, o Siris poderá ganhar novos recursos e passar por um upgrade para atuar em áreas mais profundas. Essa é a grande expectativa para o próximo ano”, afirma Melquisedec Santos, diretor da Subsin.

Petroleo & Energia, Melquisedec Santos, diretor da Subsin, Fornecedores - Setor sofre com demora de leilões e mudanças na Petrobras
Melquisedec Santos aposta no veículo submersível de controle Siris

Segundo ele, 2012 foi um ano muito positivo e desafiador para a empresa, tanto na parte de engenharia como na de desenvolvimento de produtos que auxiliam na garantia da integridade de estruturas (principalmente submarinas). “Participamos de novos projetos que exigiram a criação de soluções diferenciadas, para atender às necessidades específicas dos clientes em ambientes offshore, de grandes profundidades e condições severas”, destaca o engenheiro. “O que nos levou a mais do que dobrar o portfólio de serviços”, comemora, revelando que a empresa estima um faturamento em torno de R$ 3,5 milhões para este ano, mais do que o dobro do registrado em 2011, que foi de R$ 1,4 milhão.

Para os próximos anos, ele acredita na tendência de crescimento. “Somos uma empresa de engenharia de alta tecnologia, que atua em um ponto-chave da indústria de óleo e gás, que é justamente a garantia de integridade estrutural de equipamentos”, pontua Santos.

A mesma tendência deverá se repetir na área de engenharia de projeto e consultoria. “O Brasil tem demandado mais e mais soluções de engenharia a cada ano, graças à amplitude da carteira de projetos, principalmente na área de exploração e produção de petróleo” assim como na de transportes (malha de dutos) e refino”, observa.

Melquisedec frisa que a atuação da empresa na área offshore deverá estar muito mais centrada nas bacias com atividades de produção efetiva, uma vez que a manutenção e a garantia da integridade são atividades permanentes, obrigatórias de toda companhia de petróleo. O mesmo se aplica à malha de dutos e refinarias, assim como petroquímicas e outras indústrias. “As soluções da Subsin terão forte aplicação na busca da melhoria da eficiência operacional e também na otimização de custos, pois atuamos de forma preventiva”, frisa o engenheiro. “O nosso trabalho na área de integridade dos ativos é complexo: utilizamos diferentes ferramentas tecnológicas, como robôs móveis, monitoração e pós-processamento dos resultados, para verificação da vida útil remanescente do ativo. E isso terá um peso vital na busca da melhoria operacional, pois boa parte dos sistemas de desenvolvimento da produção instalados na Bacia de Campos tem mais de 20 anos”, conclui.

Oportunidades no exterior – Uma das pioneiras em sistemas de detecção de vazamento em dutos, a paulista Asel-Tech não faz um balanço positivo do mercado brasileiro em 2012. “A maior parte das vendas efetuadas pela empresa foi para petroleiras de outros países”, afirma o presidente da empresa, Julio Alonso, destacando o contrato firmado com a Petroamazonas, do Equador, que receberá o sistema da Asel-Tech até fevereiro.

Nesse processo de internacionalização, a empresa também abriu a Asel-Tech International, sua subsidiária norte-americana, com sede em Houston. “Nossa tecnologia de detecção de vazamento em dutos vem sendo testada e aprovada por várias empresas de petróleo e instituições internacionais do segmento de dutos, como o Pipeline Research Council International (PRCI), Gas Technology Institute (GTI) e o Department of Transportation Pipeline and Hazardous Materials Safety Administration (PHMSA), do governo norte-americano”, explica Alonso.

No Brasil, a expectativa também é positiva, dada a preocupação da Petrobras com a integridade de seus ativos dutoviários. “Além disso, em fevereiro de 2013, vencerá o prazo da ANP para o Regulamento de Dutos (RTDT), que torna obrigatório a instalação de sistemas de detecção de vazamento em todos os dutos de transporte de hidrocarbonetos”, diz o executivo. “Temos recebido muitas consultas e acreditamos que as empresas venham a adquirir essas soluções em breve, para atender à exigência da ANP. Além disso, aumentamos nosso portfólio, com o lançamento de um sistema da detecção de vazamentos, com um novo hardware, com a mesma tecnologia e performance, porém com preço mais competitivo. Por isso, estamos muito otimistas em relação a 2013”, afiança o executivo.

Julio Alonso observa que outra aplicação vem sendo dada à tecnologia da Asel- Tech por uma petroleira de outro país: a detecção e localização de roubo de combustíveis em dutos. “Disponibilizamos esse serviço em dutos instalados em outros países, com monitoramento feito na Asel-Tech, que fornece relatórios em tempo real, informando o cliente quando e onde o roubo está acontecendo, inclusive com indicação cartográfica, para ação imediata”, explica, afirmando que em um único duto o cliente perdia U$ 500 mil por dia com roubo de gasolina. “Com nossa tecnologia e monitoramento, esse prejuízo caiu para quase zero!”

O presidente da Asel-Tech acredita também no aumento da demanda por conta das ações para otimizar os custos e evitar perdas. “Desastres ambientais por vazamentos em dutos, as multas, o custo do produto perdido e da remediação representam um grande ônus, financeiro e de imagem. Com um sistema de detecção permanente, reduzimos muito as perdas, físicas e financeiras.”

Aços para o pré-sal – A busca de materiais resistentes para as severas condições das atividades de exploração e produção em águas profundas tem mobilizado também o setor siderúrgico. Ainda que o volume de compras consolidado não tenha exibido um crescimento significativo, a Carbinox registrou forte aumento nas consultas com foco no segmento de óleo e gás. “Muitos orçamentos foram solicitados, mas o volume de compras não cresceu. Avaliamos ter havido uma redução nas compras por parte dos principais demandantes”, avalia Paulo Moraes Correa, diretor da Divisão Trading da Carbinox.

Mas a empresa acredita que o mercado será bem melhor em 2013, principalmente com relação aos produtos que têm apresentado maior demanda, como os tubos e conexões de aço carbono, aço inoxidável e aço liga. “A nossa expectativa é que o pré-sal proporcione crescimento para o setor e para a Carbinox, em especial. Estamos trabalhando para isso, visitando diversos fabricantes na Europa, Ásia e Estados Unidos, para consolidar nossa rede de fornecedores para o pré-sal”, diz o executivo.

“Também estamos investindo em nossa própria estrutura: criamos uma coordenadoria de óleo e gás para responder às necessidades desse segmento, além de uma divisão de conexões e flanges”, pontua. “Com a criação dessa divisão, com investimento de cerca de R$ 12 milhões em um novo depósito e estoque, a Carbinox passou a agregar mais produtos ao portfólio, tornando a venda mais atrativa por oferecer uma solução completa, com logística e manutenção de menor custo para o cliente”, frisa Correa.

Com contratos com a Petrobras para fornecimento, entre outros, para a Rnest (Refinaria Abreu e Lima), Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) e Repar (Refinaria Presidente Getúlio Vargas), a Carbinox aposta firme no setor. “É um mercado prioritário, mas também temos forte atuação nos segmentos de papel e celulose, química e petroquímica, sucroalcooleiro, energia, entre outros.”

Mercado colorido – Na área de tintas especiais para a indústria, os negócios não foram muito bons para as empresas do setor, segundo a Sherwin-Williams, que não viu crescimento expressivo no mercado, em relação ao ano de 2011. “O crescimento ficou muito aquém das expectativas. Em contrapartida, ganhamos market share”, afirmou Durival Teixeira Pitta Jr., diretor comercial da Sherwin-Williams, unidade Sumaré.

Mas a perspectiva é positiva em relação aos próximos anos, principalmente com as obras previstas. De acordo com Teixeira, os estaleiros no Brasil, que estão em construção ou revitalização, começam a se equipar. “Com isso, a tendência é que exista um aumento gradual de consumo de tintas tanto para plataformas quanto para navios.”

Na visão do executivo, a Petrobras está com um foco maior para a finalização das obras em andamento, como as refinarias no Nordeste e no Rio de Janeiro, o que deve alavancar o mercado nos próximos anos.

Em relação aos produtos que vêm apresentando maior demanda, Pitta destaca as tintas para plataformas, especificamente o Euronavy ES301, e para pintura interna dos tanques, entre elas as que atendem à norma 2912 com os produtos Phenicon HS (tipo I), Nova Plate UHS (tipo II) e Tank Clad (Tipo III). “Como são produtos especiais, que envolvem novas tecnologias – especialmente os produtos voltados ao revestimento interno dos tanques –, exigem um acompanhamento maior e treinamento para a equipe de aplicadores, pois a aplicação é mais complexa”, explica.

A empresa expandiu seu portfólio com novas tecnologias para pintura de tanques, por meio da aquisição de uma empresa líder em tecnologia, a Leighs Paints, para proteção passiva contra fogo, com a marca Firetex. “A fábrica já está preparada para atender à demanda de mercado nacional e de exportação”, afiança o diretor comercial da empresa, que tem entre seus contratos o fornecimento para navios da Transpetro, em construção no Estaleiro Atlântico Sul, assim como para os cascos de plataformas replicantes, em execução pela Ecovix.

Transportes especiais – A perspectiva da Locar, a maior empresa da América Latina em içamentos de cargas por meio de guindastes, é de grande crescimento em 2013, por conta principalmente das obras e dos projetos na área de infraestrutura no país, como por exemplo os que estão previstos para a Copa de 2014. Aliás, esse tem sido um dos mercados em que a empresa mais cresceu, segundo Ricardo Alves, diretor marítimo da Locar, juntamente com o setor industrial.

A empresa ampliou significativamente seu portfólio nos dois últimos anos e prevê novos investimentos em 2013 na área de plataformas aéreas, que apresentou forte demanda no último ano. “Aumentamos a frota de todos os segmentos e, além disso, adquirimos uma empresa de andaimes (Escalar), em 2011, que nos possibilitou atuar em mais um segmento da área de construção”, detalha, assegurando que a previsão é aumentar novamente a frota de equipamentos.

Um dos investimentos mais significativos foi a construção de uma balsa de lançamento de dutos: a Locar Pipe foi projetada pelo time de engenheiros da empresa e teve o casco fabricado em Belém, na Rio Maguari Shipyard. “Agora está na Ilha do Governador para a integração da estrutura com os demais equipamentos”, revela Alves.

O executivo explica que a ampliação dos negócios da Locar está intimamente ligada ao crescimento do setor de óleo e gás no Brasil, no qual a empresa já amealhou o reconhecimento de um dos principais players do setor: em 2012 foi considerada a melhor fornecedora de bens e serviços para a Petrobras na Bacia de Campos, na categoria Grandes Contratos.

“Os investimentos na Locar Pipe e na construção de mais duas balsas oceânicas de grande porte visam a ampliar a capacidade de atendimento aos serviços demandados pelo mercado de óleo e gás”, diz o executivo, pontuando que as exigências da Petrobras são bem rígidas com relação à segurança do trabalho e engenharia da operação. O que faz com que os fornecedores evoluam em termos de melhorias no processo. “Com isso, obviamente, nós buscamos aprimorar continuamente os nossos processos e procedimentos”, finaliza o diretor da empresa.

Crescimento consolidado – Outra que comemora seus bons resultados é a DuPont. “Foi um ano importante para a nossa área de negócios, uma vez que aumentamos a nossa presença no segmento de óleo e gás. Para tanto, organizamos a nossa linha de roupas para proteção pessoal em dois subsegmentos: química e térmica”, destaca Bruno Bezerra, gerente de vendas para a divisão de tecnologias de proteção da DuPont Brasil.

Ele informa que as linhas confeccionadas com Tyvek e Tychem, no segmento de proteção química, registraram um crescimento expressivo na região de Macaé-RJ, em razão da forte atuação dos distribuidores locais, assim como na Baixada Santista-SP e no Nordeste. Já no segmento de proteção térmica, a forte presença global da DuPont possibilitou à subsidiária brasileira fechar alguns contratos com empresas multinacionais que atuam no Brasil.

“Esperamos um forte crescimento da demanda pelas roupas de proteção pessoal da DuPont nos próximos anos, associado ao aumento da atividade no mercado de óleo e gás, no qual detectamos a busca de produtos com elevada performance e que sejam mais confortáveis ao trabalhador”, pontua Bezerra, destacando as soluções em Nomex e Protera, que têm performance superior à dos tecidos de algodão com maior gramatura.

Ele aponta que a linha térmica também tem grande potencial de venda, revelando que outras empresas estarão utilizando os tecidos DuPont na fabricação de suas roupas de proteção, o que ajuda a aumentar a participação no mercado, assim como o estabelecimento de parcerias com empresas líderes no segmento de serviços de proteção para o mercado de óleo e gás.

A Petrobras, considerada um cliente estratégico graças às soluções de outras áreas da companhia, também poderá contar com a DuPont em sua busca pela melhoria da eficiência operacional. “Já estamos contribuindo, seja por meio da nossa área de consultoria de segurança ou de nossos produtos para a proteção do trabalhador. Hoje, a Petrobras é grande consumidora de nossa linha de proteção química e estamos em fase de homologação de nossa linha térmica.”

O gerente de vendas para a divisão de tecnologias de proteção explica que diversos fornecedores dos serviços de perfuração, exploração e suporte em plataformas são empresas multinacionais que conhecem os benefícios do Nomex, de proteção térmica, há muito tempo. “Cada vez mais, estas empresas estão à procura de parcerias globais de fornecimento, a fim de proteger todos os seus funcionários com a mesma tecnologia.

A DuPont está ajudando a acelerar esta adoção de vestimentas de alta performance, trazendo o que há de mais inovador ao mercado brasileiro.”

Bezerra salienta que o mercado de óleo e gás é muito importante para a DuPont globalmente. “Hoje, a nossa estratégia de crescimento está estruturada em três megatendências globais, sendo segurança e proteção das pessoas e do meio ambiente uma delas. No Brasil não é diferente.”

[box_light]Leia também: Fabricantes de motores apostam nas vendas locais[/box_light]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios