Energia

Fornecedores locais procuram formar parcerias

Bia Teixeira e Julio Castro
6 de junho de 2011
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    Serem vistas como parceiras estra­tégicas para o sucesso das atividades da indústria de óleo e gás, desde o desen­volvimento, construção e implantação de um projeto ao fornecimento de bens e serviços para as unidades offshore em operação. Esse é o principal objetivo das quase 700 empresas nacionais e estrangeiras que participaram da Brasil Offshore.

    As brasileiras que instalam estandes e apresentam trabalhos na conferência procuram destacar sua expertise e proximidade com o cliente. É o caso da Forship Engenharia, uma referência mundial na área de comissionamento, que participou pela terceira vez da Brasil Offshore.

    Com clientes como Petrobras, Devon, Maersk, Odebrecht Óleo e Gás (OOG), Statoil e outras compa­nhias que atuam na Bacia de Campos, a empresa deu destaque a uma outra especialidade: o serviço de suporte regulatório às empresas estrangeiras. “Muitas delas enfrentam impasses devido ao desconhecimento das leis e normas locais, provocando atrasos ou adiamento de projetos, ou mesmo in­viabilizando suas operações no país”, comentou Fábio Fares, presidente da Forship.

    Graças à experiência da Forship com grandes projetos, muitos clientes buscavam o seu apoio também na parte regulatória. “Por isso criamos uma área específica para dar total suporte às em­presas que pretendem atuar no Brasil”, explicou Fares. Esses serviços vão desde a elaboração de agenda e matriz de responsabilidade para atendimento dos requisitos regulatórios, passando pela revisão de documentação técnica e suporte a questões de conteúdo local.

    A empresa carioca tem escritórios internacionais e divulgou seu portfólio de soluções na área de engenharia e comissionamento, respaldada na sua atuação na Bacia de Campos, onde exe­cuta, entre outros serviços, o planeja­mento integrado, projeto, coordenação e acompanhamento da manutenção, operação, reparos e modificações na PRA-1 e P-53 (ativo Marlim), para a Petrobras.

    Ela também atua no campo de Peregrino, operado pela norueguesa Statoil, onde realiza atividades de ma­nutenção e preservação das obras realizadas em regime onshore e offshore, e responde pela manutenção e modifi­cações da plataforma fixa de Polvo, da Devon, ambas na Bacia de Campos.

    Petroleo & Energia, Plataforma modular QuikDeck pode ser expandida no local, Fornecedores locais procuram formar parcerias estratégicas

    Plataforma modular QuikDeck pode ser expandida no local

    Outra que aposta na vitrine de negócios da Brasil Offshore é a mineira EPC Engenharia, que tem ampliado sua atuação no mercado de óleo e gás. Além de destacar o projeto de engenharia em regime de turn key do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que desenvolveu para a Petrobras em Itaboraí-RJ, a EPC deu ênfase ao seu trabalho no setor de estaleiros para construção de navios de grande porte e jaquetas de plataformas de exploração de petróleo. Ela foi selecionada para projetar os dois maiores estaleiros do Hemisfério Sul: o Atlântico Sul, já em operação em Suape-PE; e o da OSX, previsto para ser instalado no município de Açu, na região norte fluminense.

    Novos equipamentos A também mineira Mecan, empresa especializada na fabri­cação e locação de andaimes, elevadores e escoramentos do grupo Orguel (Organizações Guerra Lages), aproveitou a Brasil Offshore para lançar um equipamento inédito na América Latina, do qual será a fabricante e representante exclusiva na região. Trata-se do Sistema de Acesso Suspenso QuikDeck, uma plataforma modular que pode ser confi­gurada para criar uma área de trabalho de alta capacidade, de diversas formas ou tamanhos, com alguns poucos compo­nentes simples e leves. É mon­tada inicialmente com poucos módulos e pode ser expandida na posição de trabalho.

    O sistema, utilizado em locais onde não se consegue montar qualquer outro tipo de equipamento, também possi­bilita preservar o local que está abaixo da área a ser trabalhada, como na parte inferior de plataformas de petróleo, via­dutos, pontes e equipamentos industriais.

    “Tudo isso é possível porque o sistema é sustentado pela própria es­trutura onde será instalado”, destacou Sérgio Guerra, presidente do grupo Orguel, explicando que a empresa fez uma parceria com a norte-americana Safeway para trazer essa tecnologia para o país. “O QuikDeck é um equipamento novo no mercado e foi desenvolvido nos Estados Unidos para o mercado de manutenção e acesso em plataformas. Está disponível no Brasil para locação e a empresa também prestará o serviço de manutenção a bordo”, acrescentou o executivo.

    Ele lembra que o grupo Orguel, maior fabricante e locador de andaimes, elevadores e escoramentos de obra do Brasil, já atua no setor de petróleo e gás, mas busca uma posição mais forte nesse mercado. “Com essa solução, a intenção é estender nosso serviço às refinarias, plataformas e navios, proporcionando maior segurança aos trabalhadores, maior produtividade, sendo mais leve que os concorrentes e mais rápido para montar e desmontar”, disse.

    Petroleo & Energia, Torre Modex cresce em várias direções, Brasil Offshore

    Torre Modex cresce em várias direções

    Por isso, a empresa teve participa­ção marcante na Brasil Offshore. “A fei­ra literalmente trouxe boas perspectivas de negócios para as nossas empresas”, afirmou Guerra, que menos de um mês depois promoveria duas apresentações da novidade para seus clientes. Uma na sede, em Belo Horizonte-MG, e outra, em Macaé, especialmente para a Petrobras e parceiros locais.

    A Mecan mostrou ainda o andaime multidirecional Mecanflex, que pode ser montado em diversos formatos. O sistema não utiliza peças avulsas, evitan­do a perda de peças na obra e reduzindo o tempo de montagem e desmontagem. Além disso, ocupa menos espaço que o andaime tradicional, uma vantagem econômica para o transporte.

    Com planos ousados de cresci­mento para esse ano, o grupo carioca SH, que abrange a SH Equipamentos de Acesso e a SH Indústria, também apresentou seu portfólio na feira de Macaé. O destaque foi a linha de equipamentos de acesso para montagens e manutenções offshore, como o Modex SH, um andaime de encaixe modular que pode ser montado em qualquer dimen­são e forma.

    “Estamos sempre traba­lhando no aperfeiçoamento desses produtos para po­dermos oferecer soluções completas”, ressaltou Fábio Fernandes, gerente industrial da SH, lembrando que a em­presa dispõe de uma linha voltada para plataformas, es­taleiros e outras aplicações de acessos e manutenção, incluin­do aquelas ligadas à exploração de petróleo em alto-mar.

    A Torre Modex faz parte dos investimentos da SH em busca da expansão de seus negócios: a empresa preten­de investir R$ 3 milhões na ampliação de cinco regionais e outros R$ 50 milhões na aquisição de novos equipa­mentos. Composto por torres com travessas e diagonais unidas por rosetas e modulação a cada 50 cm, ela pode ser montada em qualquer dimensão, com duas travessas fixadas em qualquer direção. “Sua versatilidade permite a montagem da torre em formas circu­lares e poligonais e também facilita a distribuição de carga”, destacou o executivo, afiançando que o Modex SH pode vencer qualquer desafio de altura e modulação, com extraordinária rapidez de montagem.

    “A Brasil Offshore é sempre uma oportunidade para encontrar nossos clientes, ouvir suas necessidades e oferecer o que for melhor. Fizemos benchmarking com outras empresas do setor”, concluiu Wolney Amaral, di­retor comercial da SH Equipamentos de Acesso Ltda. e da SH Indústria de Metalurgia Ltda.

    Petroleo & Energia, Wolney Amaral, di­retor comercial da SH Equipamentos de Acesso Ltda. e da SH Indústria de Metalurgia Ltda, Brasil Offshore - Fornecedores locais procuram formar parcerias estratégicas

    Wolney Amaral aproveitou a feira para fazer um bencmarking do setor

    Posição reforçada Assim como as outras empresas brasileiras, a paulista Indústrias Romi, que atua no setor de máquinas-ferramenta e para transfor­mação de plásticos, além de produzir fundidos, também trouxe novidades para a feira. Ela apresentou ao mercado dois equipamentos de grande porte, en­tre as soluções para usinagem de tubos para extração e transporte de petróleo: o Centro de Torneamento Romi G 550M (lançado recentemente) e o Torno CNC Romi Centur 50 (Big Bore).

    Com estrutura ro­busta, com alta potência e torque, o G 550M tem como grande van­tagem a possibilidade de fazer várias operações de usinagem em uma peça numa única fixação, agilizando o tempo de fabricação. Já o torno Centur 50 (Big Bore) oferece grande versati­lidade para usinagem de diferentes tipos de peças, com destaque para os tu­bos de petróleo, pois seu cabeçote Big Bore admi­te diâmetro de 375 mm de passagem.

    “A Brasil Offshore espelhou o bom momento do setor petrolífero no Brasil. A Romi, como fornecedora dos princi­pais players desse setor, também espera bons resultados”, declarou Hermes Lago, diretor de comercialização de máquinas da Romi, ao falar das pers­pectivas de negócios que podem ser gerados com a feira.

    Por sua vez, a Maxen aproveitou a Brasil Offshore para reforçar sua atuação no mercado de óleo e gás como fornecedora de soluções integradas, apresentando sua proposta de valor de marca e serviços. “O novo posiciona­mento que adotamos no início deste ano é pioneiro no país. A feira foi uma ótima oportunidade para divulgarmos nossos novos serviços e tecnologias”, afirmou Flávio Suplicy, CEO da Maxen.

    Petroleo & Energia, Desenho do andaime Mecanflex dispensa as peças avulsas, Brasil Offshore

    Desenho do andaime Mecanflex dispensa as peças avulsas

    Com faturamento de R$ 200 mi­lhões em 2010 e previsão de crescimen­to de 30% em 2011, a empresa destacou o novo modelo de atendimento ao se­tor, no qual as três unidades de negócio (serviços, equipamentos e distribuição) adotaram um desenho e execução de soluções integradas, nas intersecções e sinergia das unidades. “Dessa forma, é possível gerar produtos e serviços que não existiriam de maneira isolada”, disse Suplicy.

    Ele anunciou ainda que, em agosto, a unidade de produção da empresa em Escada-PE receberá uma máquina com tecnologia holandesa, que teve um custo de R$ 10 milhões. O equipamento curva tubos por indução, diminui os pontos de solda na fabricação de spools, reduzindo prazo, custo e aumentando a qualidade do produto. Para abrir essa unidade, foram investidos quase R$ 30 milhões.

    Para atender à grande demanda do segmento offshore, a empresa prevê, ainda para este ano, inaugurar mais uma unidade fabril, dessa vez na região de Itaboraí-RJ. Com inves­timentos de quase R$ 40 milhões, a nova unidade deverá transformar en­tre 700 e 800 toneladas, gerando até 700 postos de trabalho.

    Ações estratégicas Com 37 anos de atividades, o grupo Açotubo apresen­tou o portfólio de suas três divisões (Tubos e Aços, Trefilados e Peças, e Aços Inoxidáveis) na feira fluminense. “A Brasil Offshore é um evento de grande dimensão no mercado. O nosso objetivo na feira é o de proporcionar o contato pessoal com os clientes, fortalecer nossas ações estratégicas com novos negócios para o grupo”, ob­servou José Ribamar Bassi, diretor comercial do grupo Açotubo.

    No seu estande, a companhia mostrou a linha de serviços e produtos como barras de aço, tu­bos de aço ao carbono, trefilados, peças especiais, além de chapas e tubos de aço inoxidável, desta­cando a capacidade da corporação – com oito filiais e um parque fabril – de oferecer um atendimento diferenciado, que inclui cortes especiais a plasma em tubos circulares.

    Outra empresa mineira, a TecnoFink, repetiu a estratégia aplicada na OTC 2011, em Houston (Texas, EUA), em maio, levando para a feira brasileira a sua linha de produtos, com destaque para o polímero OxiFree, utilizado no setor de manutenção industrial. Trata-se de uma resina polimérica de altíssima durabilidade, capaz de oferecer mais de 30 anos de proteção contra os efeitos da corrosão e contaminação em peças metálicas.

    Assim como nos Estados Unidos, a empresa também destacou a ação bem-sucedida realizada com a Petrobras, na qual o produto foi submetido, por 11.688 horas, ao teste de névoa salina (ASTM B 117), sendo aprovado em campo pela Petrobras e pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes).

    “Para que nosso produto fosse aprovado, a Petrobras o aplicou sobre um flange e exigiu que, num prazo de duas mil horas em salt spray, o metal não fosse atacado pela corrosão. Quase 12 mil horas depois, o flange permaneceu sem nenhum vestígio de corrosão, um sucesso”, afirmou Thomas Georg Fink, diretor da TecnoFink, que participou da feira pela segunda vez.

    Petroleo & Energia, Hermes Lago, diretor de comercialização de máquinas da Romi, Brasil Offhore

    Lago exibiu equipamento para usinagem de tubos

    Segurança operacional Uma das priori­dades nas operações offshore, a questão da segurança foi o mote de vários expositores, que buscaram soluções para diferentes atividades em uma plataforma ou em ambientes de risco. Foi o caso da Mills, empresa brasileira executora de serviços na área de enge­nharia que levou para a Brasil Offshore um habitáculo pressurizado para a realização de trabalhos a quente em áreas potencialmente explosivas com total segurança, o Mills Habitat, além do novo andaime totalmente de alumínio.

    Fruto da parceria com a escocesa SafeHouse, o Mills Habitat é composto por painéis antichama flexíveis e modu­lares, e dispõe de sistemas de controle de detecção de gás, feito de componen­tes leves e reutilizáveis, além de ser fácil e rápido de montar. “Ele é a solução ideal para realizar, com total segurança, soldas, queimas e corte em plataformas e refinarias, ambientes com alto risco de explosão”, explicou o presidente da Mills, Ramon Vasquez.

    Utilizado no FPSO Cidade de São Vicente, da Petrobras, que produz o petróleo do pré-sal no campo de Lula, pela BP, que tem uma unidade operando como oficina a bordo de sua plataforma Polvo (adquirida da Devon), o equipa­mento tem se mostrado como a solução mais eficaz e segura para trabalhos de manutenção e reparo, sem impactos operacionais ou paradas produtivas.



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