Tintas e Revestimentos

Formulações e ecapsulamento de biocidas melhoram desempenho técnico

Marcelo Fairbanks
14 de junho de 2018
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    Petróleo & Energia, Formulações e ecapsulamento de biocidas melhoram desempenho técnico e sustentabilidade - Tintas e revestimentos

    Surgem mudanças no setor dos biocidas, especialmente para a proteção das tintas, mesmo sem nenhum avanço regulatório no Brasil. Enquanto novas regras para o uso desses aditivos não vêm, fornecedores e clientes buscam inovações para oferecer aos usuários finais mais proteção contra microorganismos, com menos efeitos adversos contra a saúde humana e ao meio ambiente.

    A abordagem dos problemas relacionados com o controle microbiológico nas tintas pode variar um pouco entre os fornecedores. Mas é consenso que a venda de biocidas não constitui um ato isolado, porém deve ser acompanhado de cuidadoso monitoramento da sua eficácia e de práticas complementares. Entre elas, avaliar a contaminação microbiológica dos insumos usados no processo produtivo, inclusive da água, além da inspeção e sanitização adequadas das linhas produtivas. Tudo isso para reduzir a carga microbiana inicial e garantir o uso mais econômico e produtivo desses aditivos. Esses procedimentos são considerados como serviços agregados aos produtos pelos fornecedores de biocidas, geralmente incluídos na negociação do contrato de suprimento firmado com os fabricantes de tintas. Mas nem sempre remunerados adequadamente.

    Petróleo & Energia, Leite: formulações com BIT podem substituir CMIT/MIT

    Leite: formulações com BIT podem substituir CMIT/MIT

    A forma mais usual de negociação dos biocidas nos grandes fabricantes de tintas é o mecanismo de “bid”, pelo qual cada fornecedor apresenta sua proposta de tratamento com o preço pelo qual se dispõe a realizá-lo. Vence o que oferecer a melhor solução com o menor custo. No passado, muito se discutiu sobre esse sistema, com críticas severas contra a preponderância do item custo sobre o desempenho técnico, inibindo a evolução tecnológica do setor.

    Hoje em dia, as reclamações baixaram de tom. Os fabricantes de tintas passaram a usar os bids de forma criteriosa. “Os bids ficaram mais inteligentes, os fabricantes de tintas impõem limites mais estreitos, exigem aprovação prévia dos ingredientes, alguns dos quais foram banidos; o preço ainda é muito relevante, mas a qualidade e a tecnologia ganharam mais importância”, confirmou Luiz Wilson Pereira Leite, diretor de marketing da Ipel, empresa brasileira com grande participação nesse segmento de mercado.

    Ele comentou que o Brasil não possui normas próprias sobre o uso de bioicidas, mas as companhias internacionais tendem a seguir os regulamentos vigentes na origem de suas matrizes. “A Europa tem mais regras, os Estados Unidos restringem menos, em geral”, verificou.

    Nos países onde há regulamentação mais restritiva, há um esforço para aumentar as inovações. Porém, como explica Leite, o custo de desenvolvimento e aprovação de moléculas ativas totalmente novas é proibitivo. “Por isso, hoje o foco não está mais nas moléculas, mas em formulações, que são o melhor caminho para aliar tecnologias e agregar valor para resolver os problemas dos clientes”, salientou Leite.

    “O mercado pede moléculas e tecnologias mais adequadas, a exemplo dos mecanismos de liberação controlada, para configurar soluções biocidas ecologicamente corretos, seguros para os seres humanos e para o ambiente”, aduziu Alexandra Paschoalin Menezes, gerente técnica de biocidas para a Clariant América Latina.

    Petróleo & Energia, Alexandra: rotulagem do GHS já provoca mudanças nas tintas

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    Com regulamentações cada vez mais apertadas, é preciso pensar em reduzir o uso desses aditivos, sem comprometer sua eficácia. Nesse sentido, a Clariant desenvolveu boosters, ingredientes que potencializam os efeitos dos ingredientes ativos biocidas. Alexandra explicou que o conceito de boosters biocidas foi desenvolvido no setor de cosméticos e está sendo aplicado às tintas e em outros segmentos atendidos pela companhia. “Os boosters permitem aumentar a permeabilidade dos ativos nas células dos microorganismos, um efeito importante, pois já se sabe que grande parte dos biocidas é gasta apenas para abrir passagem pelas membranas celulares”, explicou. “Com isso, é possível reduzir a dosagem dos ativos, cujos efeitos seriam apenas os bactericidas ou bacteriostáticos desejados.” A especialista da Clariant comentou que o uso dos boosters é mais estudado para a proteção na lata (in can), podendo ser associado às principais moléculas biocidas.

    A proteção na lata ganhou reforço com o Código de Defesa do Consumidor e com o aumento do uso de tintas à base de água, que exigiam garantias maiores contra a proliferação bacteriana. Do formaldeído até a solução mais recente das combinações de CMIT/MIT (clorometil e metil isotiazolinona) com liberadores de formol inibido foram muitos avanços.

    “Existe uma preocupação global para a utilização de ativos biocidas que sejam menos agressivos ao meio ambiente e ao corpo humano. Além da eliminação de produtos que contenham orgânicos voláteis, vemos em outros países uma tendência pelo banimento da isotiazolinona clorada, um dos ativos mais utilizados para a preservação de tintas na embalagem”, comentou Caio Bossato, representante técnico de vendas da área de produtos para proteção de materiais (MPP) da Lanxess no Brasil.


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