Fim da exploração de petróleo na Amazônia e os planos da Colômbia

Ministra do Meio Ambiente do país disse ser paradoxal investir em combustível fóssil

A ministra do Meio Ambiente da Colômbia, Susana Muhamad, disse neste domingo (6) que a Colômbia quer um fim para a exploração de petróleo na Amazônia. Durante o evento “Diálogos Amazônicos”, em Belém (PA), ela teve uma conversa com jornalistas antes da Cúpula da Amazônia.

Posição do Brasil

Durante o mesmo evento, mas no sábado (5.ago), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) avaliará “com isenção” o pedido da Petrobras para instalar sonda de perfuração de teste na costa do Amapá para checar se há petróleo na região.

A ministra brasileira afirmou ainda que as decisões de cada país não podem ser impostas durante as negociações bilaterais.

Fim da exploração de petróleo na Amazônia e condição forte dos colombianos

A ministra da Colômbia disse que é improvável que haja uma decisão sobre o assunto na declaração conjunta que será adotada pelos oito países amazônicos ao final da cúpula. No entanto, ela ressaltou a importância de discutir o assunto durante as negociações.

Durante a entrevista, Muhamad expressou sua compreensão de que o processo de transição energética é complexo e varia de país para país. No entanto, ela ressaltou que a mudança para fontes de energia mais limpas só pode ocorrer em um ambiente de segurança energética, a fim de evitar consequências negativas para a sociedade.

“É um pouco paradoxal seguir pensando sobre petróleo frente a crise que temos, mas porque esses megaprojetos geram abertura de caminhos, fragmentação ecológicas, perda de biodiversidade e sobretudo conflito com as comunidades”, disse.

Conforme a ministra, a ambição da Colômbia consiste em um plano conjunto para evitar a abertura de novas áreas de exploração de petróleo na Amazônia. Porém, a Petrobras tem interesse em investigar a viabilidade de extração de petróleo na Margem Equatorial.

Saiba mais sobre o caso

ENTENDA

A Margem Equatorial é uma área marítima localizada entre a Guiana e o Estado do Rio Grande do Norte, no Brasil. No lado brasileiro, essa região é composta por 5 bacias sedimentares, formações rochosas que permitem o acúmulo de sedimentos ao longo do tempo. Essas bacias são:

  • Foz do Amazonas, localizada nos Estados do Amapá e Pará;
  • Pará-Maranhão, localizada no Pará e Maranhão;
  • Barreirinhas, localizada no Maranhão;
  • Ceará, localizada no Piauí e Ceará;
  • Potiguar, localizada no Rio Grande do Norte.

A Petrobras está tentando realizar perfurações na bacia da Foz do Amazonas, que, apesar do nome, não se encontra na foz do rio Amazonas. A área onde o poço de petróleo seria perfurado está a 500 km de distância da foz.

O Ibama negou a licença ambiental para um teste pré-operacional que avaliaria a capacidade de resposta da Petrobras em caso de vazamento. O pedido era para a perfuração de um poço em um bloco de exploração que está aproximadamente a 170 km da costa. Esse teste também permitiria à Petrobras avaliar o potencial das reservas de petróleo na região.

A Margem Equatorial é uma área pouco explorada, mas é vista com expectativa pelo setor. Isso se deve às descobertas de petróleo feitas nos países vizinhos, Guiana e Suriname. Na Guiana, a ExxonMobil anunciou mais de 25 descobertas. No Brasil, apenas 32 poços foram perfurados a mais de 300 metros abaixo do nível do mar, onde as chances de descobertas são maiores.

A exploração na bacia da Foz do Amazonas recebe críticas de ambientalistas devido aos possíveis impactos no ecossistema da região. Eles afirmam que os dados da Petrobras estão desatualizados e que não é possível prever o comportamento das marés em caso de vazamento de petróleo e seus impactos.

Pixabay

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