Ferramentas tecnológicas asseguram competitividade

Além dos números e das estatísticas do setor, do anúncio de linhas de crédito e de dirigentes e empresários buscando marcar posição no setor fortemente aquecido, a Navalshore destacou também as tendências e as mais modernas tecnologias que a indústria mundial quer disponibilizar para o mercado brasileiro: desde softwares e sistemas de gestão a equipamentos pesados, que são cruciais para os mais diversos tipos de embarcações.

Com a tecnologia da informação (TI) na ordem do dia da indústria naval e offshore, a feira abrigou diversas empresas desse segmento, que tem um papel importante para o setor ganhar em excelência, eficiência, produtividade e competitividade.

O consultor da Aveva, Hélio Mello, fez uma apresentação no workshop técnico intitulada “Excelência em produção no setor naval”. Segundo ele, as ferramentas tecnológicas são essenciais para a cadeia produtiva como um todo ganhar maior competitividade. “O principal desafio do setor é entregar no prazo certo e na forma certa. Para isso precisará de tecnologia, que deve ser considerada, fundamentalmente, como um investimento”, afirmou. Ele frisou que os grandes estaleiros precisam aportar recursos para substituir processos obsoletos. “Os complexos navais precisam investir em centros de pesquisa, pois somente vamos poder pensar em competitividade global quando começarmos a falar em tecnologia como investimento.”

Com esse enfoque, a Sisgraph/ Hexagon, uma das principais fornecedoras de TI para o mercado offshore e naval, lançou o seu Centro de Excelência em Marinha (CEM), em um almoço que reuniu executivos de grandes corporações e empresas do mercado naval. A proposta é ser um novo canal entre fornecedores e clientes dos mercados naval e de offshore para difundir e melhorar as tecnologias atualmente empregadas no Brasil.

Petróleo & Energia, Fábio Yada, gerente de contas da Divisão Process, Power & Marine, Ferramentas tecnológicas asseguram competitividade
Fábio Yada: equipes devem conhecer softwares e também os processos

A sigla do projeto, que atuará em total integração com os Centros de Desenvolvimento da Intergraph nos Estados Unidos e na Coreia, explicita os três pilares dessa iniciativa: C (de conhecimento), E (equipe), M (melhorias). “A proposta é disseminar o conhecimento por meio da capacitação do mercado de trabalho”, ressalta Fábio Yada, gerente de contas da Divisão Process, Power & Marine, ao detalhar cada pilar. Segundo ele, essa capacitação se dará por meio de convênios com instituições de ensino e de treinamentos ministrados diretamente pela equipe da Sisgraph ao mercado.

A empresa considera a formação de equipe fundamental. “Ela deve ser formada por especialistas que mesclem tanto o conhecimento técnico do software mais voltado para a área de tecnologia da informação quanto o conhecimento dos processos de negócio relacionados à indústria naval e offshore”, explicou.

A proposta do CEM é promover constantemente melhorias e customizações nos softwares, a fim de atender às especificidades do mercado brasileiro. “Essas melhorias serão realizadas pela Intergraph, responsável pelo desenvolvimento da solução SmartMarine Enterprise”, acrescenta. Fábio Yada observa que o SmartMarine 3D é uma tecnologia recente quando comparada aos principais concorrentes. “Isso significa que a Intergraph pôde utilizar uma série de recursos tecnológicos na sua concepção, que não estavam disponíveis há 20 ou 30 anos”, pontua. Com tais diferenciais, o gerente da Sisgraph aposta na possibilidade de crescimento no mercado offshore brasileiro. “Com o pré-sal, empresas estrangeiras estão aumentando os investimentos em E&P no Brasil e esse movimento de mercado tem um peso importante nos negócios da Sisgraph.”

Na mesma onda está a multinacional brasileira Softway, que aposta em um investimento maior em inovação na indústria naval. “Acreditamos na aplicação da tecnologia principalmente nos processos que envolverão comércio exterior, caso do setor de petróleo e gás”, afirma Menotti Franceschini, diretor de negócios e marketing da empresa, que atua hoje em 16 países.

O setor naval e offshore vem ganhando um peso maior nos negócios dessa companhia: há quatro anos, representava 1% do faturamento do grupo; hoje, responde por 8%, e deve chegar a 15% até 2015. “Estamos investindo continuamente para atender este segmento. Há três anos abrimos uma filial no Rio de Janeiro, para estarmos mais próximos dos clientes que atuam neste mercado”, afirmou o executivo.

Daí a participação na Navalshore, na qual destacou soluções para os regimes especiais Repetro e Replat (IN 513), além de sistemas para outros regimes como o Depósito Especial e recintos alfandegados. “O diferencial da Softway é que podemos atender toda a cadeia de empresas do segmento, desde o importador até as empresas que realizarão a exploração do petróleo, passando pelas empresas que fabricarão ou darão manutenção às plataformas exploradoras”, conclui Franceschini.

 

[box_light]PRESENÇA ESTRANGEIRA

Em busca de mercados não impactados pela crise econômica mundial,investidores internacionais voltam seu foco para o potencial de crescimento e a estabilidade da economia brasileira, especialmente no que se refere à construção naval. O crescimento doméstico aliado ao boom do pré-sal atrai cada vez mais empresas que atuam em mercados tradicionais, tanto do Ocidente como do Oriente, e que veem a Navalshore como uma boa oportunidade de negócios.

Prova disso é a participação de empresas de pelo menos 17 países, entre os quais China, Estados Unidos, Finlândia, Canadá, Coreia do Sul, Reino Unido, Turquia, Itália, Suécia e Espanha, além dos cinco pavilhões que reuniram companhias de mesma nacionalidade: Argentina, Japão, Noruega, Alemanha e Holanda.

Peltróleo & Energia, Brynjar Balstad, O diretor executivo da Eltorque, Ferramentas tecnológicas asseguram competitividade

O maior de todos foi o da Noruega, organizado pela associação de comércio exterior naval Norwegian Maritime Exporters (NME), com o apoio da agência de fomento da indústria norueguesa, a Innovation Norway.

O espaço reuniu diversas empresas que buscam reforçar e até mesmo ampliar sua atuação no país, como a Tamrotor Marine Compressors, Sperre, STX OSV Electro, Eltorque e Clayton Scandinavia, entre outras. Além delas, outros grandes grupos, como Ulstein, participaram do evento com estande próprio.

O diretor executivo da Eltorque, Brynjar Balstad, que já esteve em outras feiras, revelou que há projeto específico para o Brasil a partir do próximo ano, que pode significar a instalação de um escritório para atender o mercado naval e offshore, para o qual fornece uma gama de soluções em atuadores elétricos e sistemas de controle de fluxo.

“Estamos atentos às oportunidades que podem surgir de parcerias, a fim de atender às exigências de conteúdo local”, afirma o executivo da empresa. Ele lembra que a Eltorque já vem fornecendo equipamentos para embarcações locais, como os navios de apoio CBO Atlântico e CBO Pacífico, do grupo Aliança, dentro de uma solução casada com outra norueguesa, a Ulstein, responsável pelos projetos.

As oportunidades de parcerias entre empresas do Brasil e da Noruega, que incluiriam a transferência de tecnologia daquele país, um dos mais fortes no setor offshore e naval, é vista como uma realidade pela nova diretora do Innovation Norway, Helle Moen. A dirigente, que já atuou no país (fez parte do grupo que estabeleceu a subsidiária brasileira da Marintek, empresa especializada em pesquisa na área naval), afirma que as afinidades entre os dois países são muito fortes. “A Noruega enxerga o Brasil como um dos mercados internacionais mais interessantes no mundo. Acredito, com muita convicção, em resultados positivos dessa cooperação maior entre os dois países”, afirmou.[/box_light]

Aquecendo os motores – O boom naval aliado ao mercado offshore também ganhou nova propulsão com os equipamentos que vêm sendo disponibilizados por algumas gigantes do setor, como a finlandesa Wärtsilä, uma das principais fornecedoras de soluções energéticas de ciclo de vida completo para mercados marítimos e de geração de energia.

Petróleo & Energia, Franceschini, Ferramentas tecnológicas asseguram competitividade
Franceschini: demanda do setor naval e offshore segue em alta

A empresa, tradicional fornecedora da Petrobras, firmou um contrato de peso com outra brasileira, a OSX, do grupo EBX. “Tivemos diversos projetos, porém, merece destaque o da FPSO OSX 4”, salientou Rodrigo Brito, gerente de vendas da divisão de Ship Power da Wärtsilä. A empresa usou como alicerce o projeto da P-63, para a qual forneceu motores dual fuel (movidos a gás ou óleo) em vez das tradicionais turbinas.

“Essa solução foi muito relevante no caso da OSX 4, pois o campo no qual ela atuará produzirá pouco gás, suficiente para alimentar os geradores durante alguns anos. Quando este gás disponível findar, os equipamentos poderão consumir óleo cru, sem exigir nenhuma alteração drástica.”

Além de expor seus equipamentos, a empresa também mostrou sua expertise no setor, com a participação do gerente de vendas da Ship Power na conferência Workboat South America, realizada durante a Navalshore, na qual ele abordou o Conceito de Perda Mínima (Low Lost Concept – LLC), que oferece um sistema de distribuição de propulsão elétrica mais eficiente para embarcações, com tecnologia patenteada pela Wärtsilä. “Com o auxílio de transformadores especializados, o sistema permite que a energia seja transmitida diretamente dos geradores para os inversores de frequência da propulsão, diminuindo distorções de harmônicas e algumas perdas oriundas da transformação”, explicou Brito.

Ele destacou ainda que a empresa tem investido também no aumento de conteúdo local. “Temos um departamento específico cuidando deste assunto, fechando parcerias com fornecedores locais e, acima de tudo, ajudando a desenvolver esses parceiros, para que possam contribuir em excelência com as soluções Wärtsilä. Há um grande esforço para que a tecnologia e o conhecimento possam ser transferidos para o Brasil de forma consistente”, afiançou.

Tal aposta se deve ao peso do país no mercado global da empresa: nos últimos cinco anos, o Brasil representou algo entre 5% e 10% no faturamento global da Wärtsilä. Nos próximos cinco anos, essa participação deve subir para uma faixa de 7% a 15%. “No primeiro semestre de 2012, notamos que a divisão voltada para os segmentos naval e offshore teve uma participação mais significativa nos resultados, com demandas para projetos que visam à melhoria da eficiência energética e sistemas de redução de impactos ambientais”, revela o gerente. “Obviamente, o Brasil está entre os principais mercados para a Wärtsilä, e sabemos que será um dos responsáveis por alcançar os resultados esperados para este ano.”

Petróleo & Energia, Rodrigo Brito, gerente de vendas da divisão de Ship Power da Wärtsilä, Ferramentas tecnológicas asseguram competitividade
Rodrigo Brito: propulsão elétrica adota conceito de perda minima

A empresa também vê oportunidades no segmento de embarcações a gás (GNL). “Os mercados de offshore, transporte de gás combustível e outros segmentos especializados manterão os negócios aquecidos, haja vista que outros nichos, como embarcações mercantes, registraram encomendas em menores volumes do que as do ano passado”, conclui.

Novos nichos – O potencial de negócios do setor naval também vem sendo acompanhado por empresas já consolidadas no país, mas com presença maior em outros segmentos, como é o caso do grupo GE, que participa da Navalshore há quatro anos.

“Esse evento tem permitido à GE se tornar mais conhecida num mercado em que, pelo menos no Brasil, ela não é tão tradicional. Os frequentes contatos com fornecedores e clientes potenciais têm feito com que o nome GE seja cada vez mais associado ao mercado de embarcações como um fornecedor de alta tecnologia, qualidade e confiabilidade”, diz Luiz Cláudio Torelli, diretor de projetos  e desenvolvimento de negócios da GE Transportation.

A empresa expôs em seu estande motores diesel de alta performance na faixa de potência entre 1.498 kW e 4.661 kW (fabricados pela GE Transportation) e sistemas de posicionamento dinâmico para embarcações (fabricados pela GE Power Conversion). O executivo afirma que há um trabalho de base para nacionalizar alguns itens do sistema motor diesel-gerador e dos sistemas eletrônicos de controle, para garantir maior conteúdo nacional às embarcações.

“A GE tem investido significativamente no mercado de Marine no Brasil, em especial nas áreas de embarcações de apoio, equipamentos para barcos e plataformas de perfuração e sistemas de controle”, observa Torelli, lembrando que a empresa está instalando no país o seu quinto centro de pesquisas global, na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, com investimento de R$ 500 milhões. O local está previsto para entrar em operação no segundo semestre de 2013 e já possui acordos com importantes clientes da GE.

“Os projetos do centro de pesquisas global terão foco em quatro áreas, três das quais relacionadas ao setor offshore: sistemas inteligentes (automação avançada, diagnósticos para energia elétrica, setor de óleo e gás, transportes aéreos e transportes terrestres); integração de sistemas (otimização para transportes, do trajeto mina-porto e eficiência logística são as prioridades); e subsea”, detalhou Torelli.

O executivo lembra ainda que o início das atividades ocorreu em 1º de setembro de 2011, por meio de uma parceria com a UFRJ, permitindo a ocupação dos laboratórios da instituição no Parque Tecnológico até que o centro de pesquisas esteja em funcionamento.

Suporte total – Maior revendedora brasileira de máquinas, motores e equipamentos Caterpillar, a Sotreq também buscou firmar posição nessa vitrine, destacando a infraestrutura que a empresa dispõe para oferecer soluções de geração de energia e acionamento mecânico para plataformas de produção, sondas de perfuração, refinarias e estações de compressão, além de barcos de apoio offshore e diversas outras aplicações marítimas. Segundo a empresa, os negócios no segmento offshore de petróleo e marítimo têm crescido por volta de 40%, fruto do investimento contínuo para atender à demanda crescente desse setor.

A empresa aproveitou a oportunidade para fazer um duplo comunicado: vai instalar uma nova filial em Macaé, centro logístico da Bacia de Campos, no litoral norte do Rio de Janeiro, e o fato de ter recebido a certificação Gold, por parte da Germanischer Lloyd (GL), inédita no mercado marítimo.

Localizada nas proximidades do Terminal de Cabiúnas (Tecab) da Petrobras/Transpetro, a nova unidade, que terá como foco principal o suporte às operações offshore de petróleo e marítimo na região, vai ocupar uma área de 25 mil m². Programada para entrar em operação em junho de 2013, a filial demandou investimentos da ordem de R$ 20 milhões. “O grande diferencial dessa unidade é contar com um centro de treinamento especializado para o segmento offshore, de padrão mundial, no qual vamos qualificar mão de obra para operação e manutenção de motores e grupos geradores”, destacou Filipe Lopes, gerente de Mercado Marítimo da Sotreq.

Petróleo & Energia, Filipe Lopes, gerente de Mercado Marítimo da Sotreq, Ferramentas tecnológicas asseguram competitividade
Filipe Lopes: filial de Macaé-RJ dará apoio às operações offshore

A filial terá também uma oficina para reparo de componentes e um almoxarifado de peças de reposição com capacidade triplicada. “Acreditamos ser possível aumentar em 50% o número de profissionais logo após o início das operações, pois o projeto já contemplou espaço para futuras expansões”, avalia.

Filipe Lopes destacou também a importância de ser a primeira revendedora Caterpillar no mundo a receber a certificação Gold da Germanischer Lloyd (GL), uma das principais auditorias em serviços marítimos da Europa. “Essa certificação Gold avaliza que a Sotreq está habilitada a atender com o mais alto grau de excelência os nossos clientes no Brasil.” A GL foi contratada pela Caterpillar no ano passado para avaliar a rede mundial de revendedores e padronizar o nível de atendimento, dentro do programa internacional Marine Service Assessment (MSA).

Investimentos locais – A Cummins também aproveitou a Navalshore para lançar o motor de maior potência em alta rotação já fabricado no mercado global, e que deve começar a ser produzido no país até 2015, apoiado pelo projeto de expansão local da empresa, que desembolsou US$ 110 milhões em estudos e desenvolvimento.

A razão desse investimento está no peso do país nesse segmento. Segundo a empresa, o Brasil é o quarto melhor mercado para a indústria global de motores, que em 2011 faturou mais de US$ 18 bilhões, 10% deles no território brasileiro, cujo carro-chefe é a produção de geradores industriais. O diretor de estratégia global offshore, Waldemar Marchetti, recém- nomeado para o cargo, observou que do faturamento de US$ 18 bilhões em 2011, a América Latina respondeu por pouco mais de 10%, US$ 1,9 bi, sendo que US$ 1,6 bi foi gerado no Brasil.

O projeto de expansão apresentado no evento inclui a construção e modernização de unidades em Itatiba-SP e Macaé-RJ, onde atua no suporte mecânico e eletrônico, e também a fabricação local do maior motor a diesel de alta rotação, o QSK95-M. “Com capacidade para atingir até 4 mil cavalos de potência, o motor deve começar a ser produzido em 2015”, afirmou Marchetti.

Petróleo & Energia, Waldemar Marchetti, diretor de estratégia, Ferramentas tecnológicas asseguram competitividade
Waldemar Marchetti: motor de 4 mil CV será fabricado no país em 2015

O equipamento, indicado para rebocadores portuários e embarcações de suporte à produção e extração de petróleo, geração de energia para as plataformas FPSO (Floating Production Storage and Offloading), é o de maior potência do mercado, favorecendo a redução de custos e energia.

Com rotação de 1.800 rpm, o novo produto, de 95 litros e 16 cilindros em V, 100% eletrônico, desenvolve de 3.200 até 4.000 cavalos de potência (2.400 kwm a 3.000 kwm) e atende às mais rigorosas normas de emissões vigentes: IMO Tier II e EPA Tier 2 (e também para IMO Tier III e IV, legislação que só entra em vigor em 2020).

Marchetti observou que a produção e o lançamento do novo QSK-95-M foram realizados após um longo trabalho de pesquisa com seus clientes, que atuam em diversos mercados e em vários países.

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Confira também: Navalshore – Marintec South America 2012 – Estaleiros investem pesado para suprir demanda das petroleiras

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