Fenasucro – Etanol precisa definir mecanismos para apoiar crescimento a longo prazo

Estratégica para a economia brasileira, a atividade sucroalcooleira deverá crescer mais em várias regiões do país, com a modernização e surgimento de novas empresas dedicadas à produção de cana-de-açúcar e de seus derivados. Os investidores são estimulados pelas perspectivas positivas do biocombustível derivado da cana-de-açúcar, uma das alternativas mais bem-sucedidas aos combustíveis fósseis. No entanto, ressentem-se da necessidade de fixação de políticas públicas que garantam o crescimento sustentável e possam efetivamente contribuir para o desenvolvimento econômico e social das várias regiões envolvidas no plantio e na industrialização dos subprodutos da cana-de-açúcar.

Na liderança mundial da produção de cana-de-açúcar, o Brasil deverá acelerar o processo de expansão e modernização do parque industrial sucroalcooleiro. Uma recente pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) estima que o Produto Interno Bruto (PIB) do setor sucroenergético gire em torno de US$ 28,15 bilhões, incluindo exportações de cerca de US$ 8 bilhões e vendas no mercado interno de US$ 20,2 bilhões. Porém, considerando toda a movimentação financeira dessa cadeia produtiva, a soma pode se elevar para US$ 86,8 bilhões.

Sobram motivos, portanto, para se considerar a 19ª Fenasucro – Feira Internacional da Indústria Sucroalcooleira e a 9ª Agrocana – Feira de Negócios e Tecnologia da Agricultura da Cana-de-Açúcar como os eventos mais aguardados da agenda sucroenergética, para os quais são esperados milhares de visitantes, de 30 de agosto a 2 de setembro, no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho, a20 kmde Ribeirão Preto, uma das mais pujantes regiões do agronegócio do estado de São Paulo e do país.

Lideranças do setor e uma pesquisa encomendada pela Reed Multiplus, organizadora dos eventos, pertencente ao grupo Reed Exhibitions Brasil, também revelaram expectativas muito positivas para os negócios do setor. Isso é confirmado pela participação de 450 expositores na Fenasucro&Agrocana 2011, número que cresce a cada edição.

Os desafios de crescimento da produção de cana-de-açúcar com sustentabilidade e maior produtividade estarão na ordem do dia das principais discussões que serão travadas pelos participantes dos eventos, entre autoridades, lideranças empresariais e profissionais do setor, que, em comum, vislumbram muitas iniciativas para continuar promovendo a consolidação setorial, contando com maior apoio e incentivos aos investimentos em modernização e ampliação de usinas, entre outras medidas em prol do desenvolvimento de toda a cadeia produtiva. Isso tudo para alcançar a meta de agregar, antes de 2020, mais 400 milhões de toneladas por ano de cana-de-açúcar à produção atual, além de fomentar o surgimento de uma centena de novas usinas, para elevar a oferta nacional e garantir o abastecimento interno de etanol, com a formação de estoques e a obtenção de excedentes para exportação. Entretanto, várias necessidades se interpõem a esses ousados objetivos, como a adoção de medidas para o aperfeiçoamento logístico, equacionamento de custos de produção e maiores ganhos em eficiência e produtividade.

“Para produzir mais gastando menos em áreas menores, novas tecnologias e equipamentos são necessários e essa perspectiva pressionará os fornecedores do setor a oferecer, nos próximos anos, alternativas para a produção de etanol ao menor custo possível”, afirmou Fernando Barbosa, diretor da Reed Multiplus, organizadora dos eventos. “A Fenasucro&Agrocana 2011 é a maior vitrine mundial de tecnologia sucroenergética para o desenvolvimento de um novo ciclo de crescimento setorial, rápido e sustentável.”

O presidente de honra da Fenasucro&Agrocana neste ano será o empresário José Carlos Grubisich, presidente da ETH Bioenergia, do grupo Odebrecht, que aceitou o convite em reunião realizada na sede da Única – União da Indústria de Cana-de-Açúcar,em São Paulo, entidade presidida por Marcos Jank, também convidado de honra dos eventos.

A solenidade de abertura oficial da Fenasucro&Agrocana 2011 será realizada no dia 29 de agosto, às 17 horas, no Teatro Municipal de Sertãozinho, onde serão recepcionadas as principais lideranças e executivos do setor sucroalcooleiro do Brasil e do mundo, oriundos da China, Índia, Estados Unidos e África, incluindo autoridades e representantes de países europeus.

A programação do dia 29 de agosto começa logo cedo, às 8 horas, com a realização, no próprio teatro, do XIII Fórum Internacional sobre o Futuro do Etanol, que terá como temas centrais “A Energia das Nações” e “Agroenergia: A Consolidação da Energia Renovável”. No fórum, as palestras seguirão temáticas específicas sobre Agricultura e Indústria (9h10 às 11h), Tecnologia e Visão Internacional (11h40 às 14h50) e Agroenergia (15h10 às 17h), com a participação de personalidades de vários países e de especialistas.

Apoios e isenções – Entre as principais entidades que apoiam os eventos neste ano estão a Copercana – Cooperativa dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo, a Canaoeste – Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo, a Cocred – Cooperativa de Crédito dos Plantadores de Cana de Sertãozinho, Orplana – Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro- Sul e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Para o presidente da Canaoeste, Manoel Ortolan, a Fenasucro&Agrocana consegue unir empresários e produtores rurais que buscam lançamentos e tecnologias em produtos, máquinas e equipamentos. “É uma vitrine de oportunidades para os visitantes neste ano em que o setor está retomando o seu ritmo de crescimento”, afirmou Ortolan, que também é diretor da Copercana.

Presidente da Copercana e da Agrocana, Antônio Eduardo Tonielo confirma perspectivas muito boas para os eventos deste ano. “As feiras, que são realizadas simultaneamente, tornaram-se as mais importantes do setor sucroenergético brasileiro e mundial, e esse sucesso é reflexo da evolução do setor no Brasil”, afirmou.

O desenvolvimento de políticas em prol do aumento dos investimentos voltados ao crescimento do setor sucroalcooleiro no Brasil tem sido a tônica das apresentações e discursos feitos pelo presidente da Única, Marcos Jank, que, recentemente, durante o Ethanol Summit, realizadoem São Paulo, afirmou: “Nosso desafio é o crescimento com sustentabilidade e eficiência, o que implica investimentos para a inovação tecnológica, e uma crescente profissionalização do setor.”

Ao participar do Ethanol Summit, como convidado de honra, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou benefícios de suspensão do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (Decreto 57.142, de 18 de julho de 2011) para a importação de bens de capital, sem similares nacionais, dedicados à geração de energia elétrica utilizando a biomassa resultante da industrialização e de resíduos da cana-de-açúcar (bagaço), como incentivo em prol do crescimento do setor sucroalcooleiro. Atualmente, o estado de São Paulo produz um excedente de 660 megawatts de energia, mas esse volume poderia chegar a 5.500 megawatts, com investimentos maiores em cogeração.

O Comitê de Bioeletricidade do Ceise Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis) elaborou um estudo que mostra que, das 438 usinas sucroenergéticas brasileiras, pouco mais de cem fornecem eletricidade para o sistema elétrico. Em todo o país, o potencial de inserção anual é de pelo menos 1.000 MW/ ano. Isso representaria mais 10.000 MW de potência instalada na matriz energética do Brasil até 2015, ou seja, uma Itaipu.

O estudo foi entregue pelo presidente do Ceise Br, Adézio Marques, à Unica, ao Ministério das Minas e Energia e à Secretaria de Energia do Governo do Estado de São Paulo. O centro apresenta ao setor e aos governos propostas para que a bioeletricidade ocupe lugar de destaque na matriz energética nacional.

O aproveitamento do poder energético do bagaço da cana-de- açúcar é também destacado como prioridade por estudo realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento, informando que a quantidade de energia elétrica gerada por tonelada de bagaço queimado (medida em kilowatts), em média, nas empresas que utilizam equipamentos mais modernos e potentes, está em torno de 188 kilowatts, enquanto, nas unidades que utilizam equipamentos de baixa capacidade, a geração de energia se reduz para 85 kW.

Para Fernando Barbosa, diretor da Reed Multiplus, as ações de entidades representativas do setor, como o Ceise Br, somadas ao conjunto de medidas de estímulo à geração de energia limpa adotadas pelo governo de São Paulo podem ser fortes fomentadores do desenvolvimento. “A Fenasucro&Agrocana será realizada nesse contexto de necessidade de investimentos no setor e de novas oportunidades”, destacou Barbosa.

Alavancas à produção – O primeiro levantamento da safra 2011/12 de cana-de-açúcar, realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) entre os dias 28 de março e 16 de abril deste ano, com todas as unidades sucroalcooleiras – das 443 usinas existentes no Brasil, 404 estão em operação –, indicou que a lavoura de cana-de-açúcar continua em expansão no país, principalmente a considerar o aumento de áreas cultivadasem São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais. Nestes estados, também novas usinas, com produtividade superior, entraram em funcionamento na safra passada, e serviram de alavanca à produção, sendo três no estado de Minas Gerais, duasem São Paulo, duas em Goiás e uma nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro, constando também desse estudo a previsão de entrada em funcionamento de mais cinco novas unidades de produção ainda neste ano.

A dimensão da área cultivada com cana-de-açúcar que será colhida e destinada à atividade sucroalcooleira está estimada em 8.442,8 mil hectares, distribuídos em todos os estados produtores. O estado de São Paulo continua sendo o maior produtor com 52,8% (4.458,31 mil hectares), seguido por Minas Gerais com 8,77% (740,15 mil hectares), Goiás com 7,97% (673,38 mil hectares), Paraná com 7,33% (619,36 mil hectares), Mato Grosso do Sul com 5,69% (480,86 mil hectares), Alagoas com 5,34% (450,75 mil hectares), e Pernambuco com 3,84% (324,03 mil hectares).

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A Fenasucro&Agrocana 2011 contará neste ano com um pavilhão dedicado à França, dentro do qual estarão presentes doze empresas francesas, fornecedoras de equipamentos e serviços de engenharia, em busca de parceiros comerciais e industriais no Brasil. A participação da delegação de empresários é organizada pela Ubifrance e conta com o patrocínio da LDC-SEV, considerada a segunda maior processadora de cana-de-açúcar do mundo e segunda maior em energia renovável. A seguir, conheça algumas dessas empresas:

Maguin-Interis – Atua na indústria de álcool há décadas e detém amplo know-how em processos, concepção de equipamentos e gerenciamento de projetos. Seus processos envolvem todas as matérias-primas utilizadas na produção do álcool contendo açúcares ou amidos.

Novasep – Fornecedora de serviços de engenharia de purificação, design de instalações industriais e preparação para o funcionamento, pós-venda com auditoria técnica, membranas e análise de resinas. Possui uma grande variedade de tecnologias e pode fornecer soluções personalizadas em filtragem (membranas cerâmicas de filtragem por fluxo cruzado, grande escala de interrupção disponível), troca iônica, absorção, cromatografia, desenvolvimento e otimização de procedimentos. No Brasil a empresa é representada pela Marc-Fil Equipamentos Industriais.

Barriquand Technologies Thermiques – Com filial instalada no País, a empresa é especializada na concepção e fabricação de trocadores de calor industriais, com destaque para a linha Platular de trocadores a placas soldadas, utilizados em diversos setores industriais, como açúcar e etanol, papel e celulose, químico, petroquímico, farmacêutico e alimentício. Na indústria sucroalcooleira, esses trocadores são frequentemente utilizados como aquecedores de caldo misto, caleado, clarificado, regeneração térmica, aquecimento de água e condensados para caldeiras, resfriamento de efluentes, refrigeração de fermentação, mosto, regeneradores de vinho/vinhaça e condensadores de vapores.

Delta A.I.C. – Presta consultoria e firma contratos especializados no setor agrobioindustrial e meio ambiente. Suas principais atividades estão voltadas aos setores da bioenergia e sucroalcooleiro, possuindo uma divisão especializada na valorização da cana-de-açúcar, beterraba, cereais (trigo, milho e sorgo) e da biomassa celulósica.

SNC Lavalin Sucres & Bioindustries – Dedicada há décadas a processos e engenharia de construção na indústria sucroalcooleira e, mais recentemente, também atuando na indústria de biocombustíveis e biorrefinarias de primeira e segunda gerações.

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A maior expansão da cana-de-açúcar ocorreu na Região Sul, no estado do Paraná, que teve um incremento de 122,54% em relação à safra anterior. Em extensão, o maior aumento aconteceu na Região Sudeste, que aumentou em 28,11%, ou seja, mais 297.825,68 hectares. Em segundo lugar vem a Região Centro-Oeste, com aumento de 21,09%, ou 195.316,5 hectares. O menor incremento na expansão foi constatado na Região Nordeste, com 12.898,3 hectares.

A área de renovação prevista para essa safra é superior em 26,26% em relação à da safra passada, atingindo 801,86 mil hectares. O maior aumento deverá ocorrer na Região Sul, com 48,42%; seguido pela Região Centro-Oeste,38,27%; Região Sudeste, 22,16%; e Região Nordeste, 20,92%.     

[toggle_simple title=”Semana terá agenda cheia” width=”Width of toggle box”]

Rodada Internacional de Negócios – O Projeto Apla/Apex participa das feiras pelo terceiro ano consecutivo. Com promoção do Apla – Arranjo Produtivo Local do Álcool e apoio da Apex Brasil – Agência de Promoção de Exportações e Investimentos, do Governo Federal, o projeto traz vinte compradores de usinas do exterior para participar de dezenas de reuniões com 45 empresas nacionais do setor sucroenergético. São esperados profissionais do México, Guatemala, Costa Rica, África do Sul, EUA, Argentina, Paraguai e Caribe, entre outros.

Seminário do Gegis – O Grupo de Estudosem Gestão Industrial do Setor Sucroalcooleiro promoverá seminário no dia 1º. de setembro, das 8h30 às 12horas, no auditório do Centro Empresarial Zanini, apresentando aos participantes os indicadores da safra 2011/2012 e palestras sobre “Tendência: Employer Branding” e “Fermentação alcoólica com maior eficiência”.

Gerhai – No dia 30 de agosto, das 8 às 14 horas, no auditório do Centro Empresarial Zanini, será realizada a 161ª Reunião do Gerhai – Grupo de Estudosem Recursos Humanos na Agroindústria. Nessa reunião, serão abordados temas como o compromisso nacional para a melhoria das condições de trabalho do trabalhador rural, a evolução dos custos de mão de obra, desenvolvimento de lideranças no setor, entre outros.

ISSCT 2013 – Será lançado oficialmente durante a Fenasucro&Agrocana 2011, no dia 31 de agosto, a partir das 16 horas, no auditório da sala de imprensa, o 28º Congresso Internacional ISSCT (International Society of Sugar Cane Technologists), maior evento internacional técnico-científico destinado ao setor Sucroenergético, e que será realizado no Brasil, entre os dias 24 e 27 de junho de 2013, no Transamerica Expo Center,em São Paulo, sob a administração da Reed Multiplus e realização da Stab.

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Conforme apurado pelo estudo, os produtores estão enfrentando dificuldades para a renovação das áreas plantadas, especialmente pela escassez de recursos financeiros. Existem lavouras que estão no décimo segundo corte, quando a renovação deveria ter ocorrido logo após a colheita do quinto corte,em média. Em consequência desse atraso, a produtividade vem sofrendo quedas significativas, fazendo com que a média por hectare caia.

A produtividade média brasileira estimada pelo estudo está em 76.039 kg/ha, 1,8% menor que a da safra 2010/11, que foi de 77.446 kg/ ha. A diminuição da produtividade é também uma consequência da estiagem prolongada, ocorrida principalmente nas regiões Centro- Oeste e Sudeste do país.

Segundo estimado pelo estudo, a previsão do total de cana moída na safra 2011/12 é de 641.982 mil toneladas, com incremento de 2,9% em relação à safra 2010/11, que foi de 623.905,1, o que significa que a quantidade a ser moída deverá superar em 18.076,9 mil toneladas a moagem da safra anterior.

Produção de açúcar – De acordo com o estudo da Conab, a previsão de esmagamento de cana para a produção de açúcar é de 308.888,2 mil toneladas, correspondendo a 48,11% da previsão de moagem de 641.982 mil toneladas. Na região Centro-Sul a destinação de cana para a produção de açúcar foi de 47,93%. Na safra passada, a destinação de cana para produção de açúcar foi de 46%, considerando a soma de todo o Brasil.

Produção de etanol – Do total de cana esmagada, 333.101,8 mil toneladas serão usadas para a produção de etanol, e deverão produzir 27.090.915,6 mil litros, 1,83% menor que a produção da safra 2010/11, sendo 8.708.512,7 mil litros de etanol anidro e 18.382.402,9 mil litros de etanol hidratado. Se confirmados esses números, o etanol anidro deverá ter um aumento de 8,63% na produção e o etanol hidratado deverá sofrer uma redução de 6,11%, quando comparados com a produção da safra anterior.

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