Energia

Fabricantes de motores apostam nas vendas locais

Bia Teixeira e Fernanda Rodrigues
20 de fevereiro de 2013
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    Não vão faltar motores e turbogeradores para o mercado offshore, pelo menos no caso de dois gigantes da área: a Cummins e a Rolls-Royce. Ambas vêm se estruturando para atender às demandas crescentes da indústria naval e offshore, que vai demandar nos próximos dez anos mais de 700 embarcações e plataformas de produção.

    Os resultados consolidados e as ações das duas empresas nos últimos anos indicam claramente que o Brasil é um mercado estratégico. “A visão de investimentos da Petrobras para os próximos cinco anos coloca o mercado brasileiro de óleo e gás como um dos três mais importantes do mundo. A empresa, por sua vez, manterá investimentos com serviços, mão de obra, pós-vendas, peças e novos produtos para o setor”, afiança Waldemar Marchetti, diretor global de estratégia offshore da Cummins.

    Essas medidas são essenciais para dar suporte ao crescimento de unidades de negócios da empresa, como a de motores marítimos, que registrou este ano um acréscimo de 45% nas suas vendas, em relação a 2011. Os valores em reais ainda não foram consolidados e serão apresentados em março de 2013.

    O pré-sal tem sido o grande alavancador dessas vendas da Cummins Marine, que fechou dois grandes contratos este ano. Um no primeiro semestre, para fornecimento de 48 motores de propulsão e 24 grupos geradores marítimos para equipar 12 embarcações tipo UT 4000, mais conhecidos como crewboats ou FSV (Fast Supply Vessel). “As embarcações atenderão o pré-sal e vão suportar a produção de petróleo primordialmente na Bacia de Campos-RJ e Santos-SP. Os motores serão entregues até o início de 2013”, informa Marchetti. Segundo ele, a eletrônica embarcada permite que a frota seja monitorada por satélite, além de possibilitar o controle total dos sistemas internos, tais como consumo de combustível, performance do motor, dentre outros tantos atributos que o sistema proporciona.

    Foto: Divulgação

    Marchetti: mercado brasileiro entre os três maiores do mundo

    O segundo contrato prevê o fornecimento de 18 motores e 12 geradores auxiliares de bordo para a Corema Indústria e Comércio, estaleiro instalado em Salvador-BA. “Os 18 motores Cummins KTA 38 M2, de 38 litros e 1.350 HP a 1.900 rpm, serão utilizados em seis embarcações LH (Line Handling), cuja função é o manuseio de espias, usado nas operações de transporte ou ancoragem das plataformas”, explica o executivo. Cada LH receberá ainda dois geradores auxiliares de bordo Cummins 6B-CP, de 99 kW, para garantir a energia necessária para toda a embarcação. Os seis navios devem entrar em operação no início de 2013, na Bacia de Santos e na de Campos, inicialmente, no desenvolvimento do pré-sal.

    “Esperamos mais encomendas nos próximos dois anos. A demanda surgirá não só com o aumento de novas embarcações, como também com o surgimento de novos portos, com a previsão de as atividades do pré-sal se movimentarem para o sul do país”, conclui Marchetti. “Razão pela qual a Cummins Marine tem planos de investimento para o desenvolvimento nesta região em 2013.”

    Nova fábrica – Quem encerra o ano com toda a pompa é a Rolls-Royce, que além de grandes contratos deu a partida em um dos maiores projetos da empresa no país: a construção da fábrica de turbogeradores em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Por isso mesmo, a empresa faz um balanço positivo do ano, afirmando que está dentro das metas previamente propostas pela companhia, com o objetivo de mais que duplicar o faturamento na região até 2020. A maior parte desse crescimento resultará da exploração offshore de petróleo e gás, o que beneficiará as divisões de energia e marítima, pela encomenda de novas turbinas industriais, propulsores, sondas e projetos de navios para apoio offshore.

    A Rolls-Royce também está se preparando para as novas oportunidades que vão surgir nos próximos anos, com a instalação da fábrica de turbogeradores dedicados à geração de energia para plataformas de petróleo. Segundo a empresa, as demandas já são impactadas, uma vez que para o pré-sal ser uma realidade os pedidos de equipamentos devem ser feitos o quanto antes.

    Este investimento está alinhado com o compromisso da empresa de aumentar significativamente o nível de conteúdo nacional de seus equipamentos para o setor naval e offshore, contribuindo também para reforçar a cadeia local de fornecedores. A nova fábrica vai garantir, por exemplo, um nível gradativamente maior de conteúdo local em cada pacote de turbina a gás entregue à Petrobras, cujos componentes serão, em parte, produzidos por fornecedores brasileiros. Esses parceiros estão sendo mapeados por um grupo de engenheiros da Rolls-Royce.

    Além da ampliação do parque produtivo, a empresa está empenhada em entregar, até abril de 2013, o primeiro dos oito lotes de quatro turbogeradores cada um, para geração de energia de oito plataformas da estatal. Os 32 turbogeradores RB211 são o objeto do maior contrato em vigor da companhia com a Petrobras, no valor de U$ 650 milhões, que prevê ainda a manutenção de longo prazo. Os demais lotes serão entregues em intervalos de tempo definidos por contrato, até o início de 2016. 


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