Biocombustíveis

Etanol – Produtividade agrícola cai e importação aumenta para abastecer frota nacional – Perspectivas 2018

Hamilton de Almeida
21 de Março de 2018
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    Com início previsto para 1º de abril, a safra 2018/19 de produção de açúcares totais recuperáveis (ATR), matéria-prima para a produção de etanol e açúcar, deverá sofrer uma redução de oferta na região Centro-Sul, resultado do “clima desfavorável durante boa parte de 2017, que comprometeu o desenvolvimento das soqueiras, do fogo acidental e criminoso dos canaviais, da maior incidência de mato e pestes, e do envelhecimento dos canaviais pela taxa de renovação ainda insuficiente para reverter essa tendência”.

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    Esta é a previsão de Plínio Nastari, da consultoria agrícola Datagro. Apesar da menor produção de ATR, ele avalia que o mix de produção deve ser bem mais alcooleiro, por conta dos preços muito baixos no mercado mundial de açúcar, pressionado pelo aumento de produção da União Europeia, Índia, Paquistão e Tailândia.

    Áreas protegidas por tarifas muito elevadas, e outras restrições ao livre comércio, na Europa, Estados Unidos, Índia, China e Rússia, têm contribuído para manter o negócio de açúcar como um dos mais protegidos do mundo. Subsídios à exportação na Tailândia e no Paquistão têm atrapalhado bastante as transações.

    Nastari admite que 2018 deverá registrar uma repetição da produção de etanol verificada em 2017, num mercado de ciclo Otto que deverá crescer em cerca de 1,5 bilhão de litros de gasolina equivalente. Como não há perspectiva de aumento da produção local de gasolina A, isso significa que a importação de gasolina, que foi de 2,93 bilhões de litros em 2016, e que deve fechar em 4,5 bilhões de litros em 2017, pode atingir 6 bilhões de litros em 2018.

    “Este volume representa uma perda enorme para o Brasil, pois poderia estar sendo produzido localmente, seja na forma de gasolina ou de etanol, gerando efeito multiplicador na economia, e não indo embora do país”, adverte.

    Para o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antônio de Pádua, o comércio de etanol está diretamente ligado ao preço do petróleo. O valor da gasolina na praça internacional vai se refletir no Brasil de acordo com a taxa de câmbio. Ele aposta em um incremento até superior a 4%, fruto da maior demanda de combustíveis em 2018.

    Por sua vez, o mercado de açúcar está superofertado e os preços relativos, entre o açúcar e o álcool, são mais favoráveis ao etanol. Por isso, dependendo da oferta de cana de 2018, mesmo havendo uma redução, Pádua também acredita que a safra será mais alcooleira que no ano passado. Ele calcula uma redução de 3 milhões de toneladas de açúcar e aumento de oferta de aproximadamente 2 bilhões de litros de etanol.

    Entre os fatores que levarão à redução da produção de cana, o dirigente cita o envelhecimento do canavial, que leva à queda de produtividade agrícola, mesmo com clima favorável: “O veranico do Centro-Sul vai provocar a redução da produtividade agrícola, pela quantidade de falhas, da não brotação, da falta de chuva; além disso, a quantidade de incêndios que houve na palha na lavoura foi muito grande. E a última variável, para saber se a área colhida vai ser maior ou menor, vai depender do clima de dezembro a abril”.

    Na avaliação de Pádua, a safra 2017 iniciou com certa expectativa, no período de abril, que até o final da moagem ficasse em 585 milhões de toneladas de cana, número inferior a 2017, que foi de 607 milhões. No final do ano, a cifra foi revista para 570 milhões de toneladas.

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    “Não houve redução de açúcar e etanol, porque, se a seca prejudicou a área colhida, favoreceu a concentração de açúcar na cana. Ou seja, com menor quantidade de cana se produziu a mesma quantidade (de produto final). A safra foi semelhante, portanto, à anterior”, comenta.

    O que mudou foi que, até setembro, a safra era bem açucareira. “Aí passou a ser etanol (maior quantidade de cana destinada ao etanol, fruto da combinação da queda do preço do açúcar no mercado spot e a nova política de preços da Petrobras). O aumento de preços ao consumidor, em outubro-novembro, estimulou o consumo de etanol hidratado. Resumindo, o ano de 2017 começou com o etanol remunerando menos no início e terminou com o etanol remunerando mais”.


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