Combustíveis

Etanol – CTBE fará álcool celulósico

Nelson Valencio
28 de novembro de 2011
    -(reset)+

    Petróleo & Energia, Etanol - CTBE fará álcool celulósico

    Pesquisa aplica hidrolases fúngicas em palha e bagaço

    O etanol de segunda geração, obtido por meio da fermentação de celulose da palha e do bagaço da cana parece um projeto simples. Só parece. Isso porque a parede que envolve as células de sacarose é uma espessa camada de celulose e hemicelulose envolta em lignina. Para produzir o etanol com esse material, é preciso separar essas substâncias e depois usar enzimas para quebrar os polímeros celulósicos em moléculas de glicose, que serão atacadas por leveduras. Nessa etapa quase final, as leveduras se “alimentam” das moléculas livres de glicose e geram o etanol. Considerando que vários elementos desse processo são instáveis, não causa espanto que a produção do etanol de segunda geração seja um grande desafio tecnológico que reside em produzi-lo de forma barata.

    “A discussão mais intensa a esse respeito começou há cinco anos e se falava numa evolução entre cinco e dez anos para que se iniciasse um processo de produção. Acho que vai levar mais tempo”, argumenta Antônio de Pádua Rodrigues, da Unica. De acordo com ele, a produção será um salto de qualidade do setor, não só em crescimento de volume. Um canavial estabilizado, de acordo com ele, pode produzir em média 7,5 mil litros de etanol por hectare. Com a tecnologia de segunda geração, é possível que essa produtividade alcance níveis de 12 mil litros. Ele reconhece, no entanto, que o processo é complexo e envolve desde investimento em variedades de cana mais produtivas até políticas públicas que priorizem a produção de etanol.

    Para Marco Aurélio Pinheiro Lima, diretor do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), o nível de investimento no assunto etanol de segunda geração é muito alto fora do Brasil, bem acima do que se investe por aqui. “Mesmo assim temos oportunidades, porque nossa tecnologia de primeira geração é muito madura e estabilizada”, avalia. Segundo ele, somente a palha da cana-de-açúcar representa quase 11 toneladas de matéria seca por hectare, que pode ser usada na geração de energia elétrica, mais do que o dobro do trigo e do milho. “Esse é apenas um exemplo de que a nossa tecnologia de primeira geração, somada às condições que o Brasil oferece, torna a segunda geração mais viável no nosso cenário do que em outros países”, complementa.

    O CTBE, de acordo com Lima, vai inaugurar em breve sua planta piloto em escala semi-industrial em Campinas-SP, o que vai permitir a validação dos estudos sobre etanol de segunda geração e subprodutos que possam advir do bagaço e da palha. Um exemplo é a produção de ração animal obtida da hemicelulose, que é um dos três grandes componentes do bagaço (além da celulose e da lignina).



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *