Petróleo e Energia

12 de julho de 2017

Estratégia: Petroleiras voltam a investir na produção petroquímica

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Publicado por: Petroleo e Energia
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    Petróleo & Energia, Dickson: TI gera vantagem, mas exige investir em segurança

    Dickson: TI gera vantagem, mas exige investir em segurança

    Há novos paradigmas na atuação da indústria química mundial. A tendência atual é de suprir mais e melhor os clientes mais próximos, dando menor ênfase às exportações. Além disso, a tecnologia da informação deve ser aproveitada mais intensamente pelo setor. Essas são as avaliações do especialista Duane Dickson, líder global para a área de indústria química na Deloitte Consulting.

    O panorama atual de negócios ainda registra o predomínio da influência americana, expressa pela participação do shale gas e das fontes alternativas de petróleo. No entanto, como apontou Dickson, está sendo retardada a entrada de novas capacidades de produção petroquímica nos Estados Unidos, ao contrário do ritmo acelerado dos projetos na China e no Oriente Médio. O especialista acredita que esse quadro deve perdurar, pelo menos até 2021, quando poderá haver grandes excedentes de resinas no mercado global.

    Como os crackers de etano ficam limitados às olefinas, a oferta de aromáticos segue apertada, registrando alguns momentos de escassez, que favorecem a elevação de preços. Na sua visão, o quadro não deve se alterar, pois os Estados Unidos seguem explorando o gás de xisto e os produtores do Oriente Médio mantêm suas produções de petróleo, com uma leve redução que elevou o preço do barril do Brent para um pouco acima de US$ 50, sem força para ir além.

    Dickson salienta que as companhias petroquímicas e químicas de alcance global apresentam uma excelente disciplina de capital, sem apresentar dificuldades financeiras que poderiam motivar fusões e aquisições. Esses movimentos de concentração empresarial seguem firmes, por outros motivos, especialmente nos agroquímicos. A consolidação da Syngenta e ChemChina é um exemplo de meganegócio de escala global, como também se percebe na negociação entre Dow e DuPont, e na compra da Monsanto pela Bayer.

    Dickson aponta que as grandes companhias de petróleo reverteram sua estratégia de atuação, antes focada em exploração e produção de óleo e gás, para retornar aos projetos petroquímicos, caso da Shell e da Exxon.

    “Os mercados petroquímicos estão ficando mais locais e menos globais, não se trata mais de um negócio fortemente exportador, como foi até há pouco tempo”, enfatizou. Isso se reflete no cuidado das companhias em buscar soluções para problemas específicos de seus clientes, oferecendo polímeros e especialidades mais avançadas. “As boas empresas do ramo hoje se preocupam em olhar para o mercado, buscando identificar as necessidades dos consumidores finais para desenvolver produtos inovadores.”

    Apesar dessa preocupação, o desenvolvimento de tecnologias químicas disruptivas não está no foco atual das companhias globais. Ainda há muita coisa em andamento nas linhas de pesquisa existentes, fruto de modelagem molecular e desenvolvimento de novos materiais. “O uso de impressoras 3D não é uma onda, vai crescer e melhorar, isso exige materiais diferenciados, ainda em evolução”, considera Dickson. Ele recomenda que as áreas de P&D das indústrias químicas se aproximem dos usuários dos produtos fabricados por esse tipo de tecnologia para orientar seus próprios esforços.

    Da mesma forma, ele enxerga um caminho aberto para o desenvolvimento da chamada bioeconomia, especialmente no campo das fermentações. “Há uma grande número de moléculas economicamente viáveis que podem ser obtidas por esses bioprocessos, mas quem está nesse negócio deve procurar linhas inovadoras e não meras substituições de produtos existentes”, recomendou. A razão é simples: com o gás e o petróleo baratos, fica difícil produzir similares biotecnológicos com custo competitivo ao dos sintéticos.

    Informática e seus riscos – A digitalização dos processos químicos avançou rapidamente. A primeira etapa foi realizada pela instalação de instrumentos inteligentes e sistemas de controle que permitiram elevar o grau de automação dos processos. A segunda fase foi aplicar essas ferramentas no aprimoramento de produtos e seus grades, seguida pela terceira, que implica integrar operações com as dos clientes. “Não é apenas monitorar estoques para agilizar a reposição, mas usar técnicas de modelagem computacional para avaliar o desempenho de novos materiais em cada aplicação, antes mesmo de iniciar a sua produção em escala”, explicou.

    Além disso, as técnicas de aproveitamento de dados (o big data) contribuirão para o aperfeiçoamento de sistemas logísticos, reduzindo custos, e também poderão ajudar a prever novos cenários e antecipar demandas dos clientes. “Desde o início da digitalização dos processos, a indústria armazena um volume enorme de dados, muitas vezes sem saber o que fazer com eles; hoje já existem ferramentas capazes de aproveitar bem todas as informações de processo e também as de mercado, com excelentes resultados para reduzir custos e orientar ações futuras”, avaliou.

    No entanto, os benefícios da tecnologia da informação são acompanhados por uma contrapartida onerosa: os ataques de hackers. Considerando que fábricas químicas são um alvo potencial para terroristas, pois há perigo de explosão e de liberação de gases tóxicos ao ambiente, os cuidados com as redes de comunicação e softwares de proteção estão sendo redobrados. “A administração Trump olha esse aspecto com atenção e exige que a indústria química e petroquímica aumente seus padrões de segurança contra ciberataques”, salientou Dickson.



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