Energia

Estrangeiros vieram em peso disputar espaços

Bia Teixeira e Julio Castro
1 de outubro de 2011
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    Das mais de 430 empresas e organi­zações presentes na feira, quase 80% eram estrangeiras que buscam refor­çar ou ampliar seus negócios no país, além de novos players que disputam um lugar ao sol nesse mercado cada vez mais concorrido. E as regras de conteúdo nacional impõem limita­ções para quem não formar parcerias locais ou se estabelecer no Brasil.

    Muitas das estrangeiras, é bem verdade, já atuam fortemente no setor de óleo e gás brasileiro, caracterizado pelo uso intensivo de novas tecno­logias e processos, principalmente no segmento offshore, inovador por tradição. Soluções inovadoras são um item que a indústria brasileira vem demandando mais e mais para superar desafios nas novas fronteiras exploratórias, como o pré-sal.

    Atenta ao mercado, a norte-ameri­cana Caterpillar decidiu expandir sua capacidade de produção local, apre­sentando na OTC Brasil produtos específicos para offshore. “O mercado brasileiro tem um papel importan­te na estratégia de crescimento da empresa”, afirmou David Noelken, executivo global para a área de petró­leo da Caterpillar, que veio ao Brasil especialmente para a OTC.

    Segundo ele, hoje a Caterpillar está presente em praticamente toda a cadeia produtiva de óleo e gás, incluin­do a frota marítima. “Há motores Caterpillar em plataformas, navios, barcos de apoio e nas empresas que formam essa cadeia produtiva.” Noelken revelou também que a em­presa se esforça para atender a todas as necessidades da indústria, na qual, em razão das limitações de espaço, há uma demanda crescente por equipa­mentos mais compactos e eficientes.

    Com forte presença no Brasil desde 1954, hoje a empresa califor­niana disponibiliza uma gama de soluções de energia Cat para apli­cações marítimas e petrolíferas. “E estamos buscando atender melhor a essa demanda, ampliando nosso pa­cote local e capacidade de produção, além de incrementar nossa linha de produtos”, observou Noelken. Os conhecidos grupos geradores 3500 a diesel, produzidos em Piracicaba-SP, terão conteúdo nacional suficiente para atender às exigências de finan­ciamento especial do BNDES. Os motores da Série 3500 para propulsão diesel-elétrica e energia marítima au­xiliar são comumente usados em apli­cações de rebocamento e salvamento, carga e trabalhos offshore, bem como para o acionamento de bombas de emergência e de combate a incêndios.

    A ampliação da capacidade local abrangeu a aquisição, em 2010, de uma planta fabril de 50 mil m², em Campo Largo-PR, que está iniciando suas operações. Com ela, a empresa pretende incrementar sua linha lo­cal de produtos, incluindo motores menores, de altas velocidades, bem como os de maior porte, de médias velocidades, para os setores marítimo e de petróleo. A empresa conta com o apoio técnico local dos revendedores Sotreq, Marcosa e Pesa, que possuem ao todo 52 escritórios no país.

    Com mais de 85 anos de ativi­dades, a Caterpillar teve um fatura­mento de US$ 42,6 bilhões, em 2010. Embora não diga o peso do Brasil nesse faturamento, nem se está entre os dez maiores resultados do grupo, Noelken classifica o país como um mercado estratégico.

    Energia em águas profundas – Esse é também o pensamento da Siemens, que além de apresentar palestras na conferência também expôs suas principais soluções offshore. “O mo­mento é de extrema importância para a economia brasileira”, afirmou Welter Benício, diretor da divisão óleo e gás da Siemens no Brasil. O siste­ma modular de distribuição elétrica submarina (Subsea Powergrid) para operar sob três mil metros de lâmina d’água e a engenharia multidisciplinar da companhia, aplicada nos setores  de automação, geração, transmissão e distribuição de energia, compres­são, tratamento de água, além de aplicações para a tecnologia marítima, foram os destaques da Siemens na OTC Brasil.

    Benício salientou que o Subsea Powergrid é considerado uma peça-chave para o desenvolvimento de campos em águas profundas. Isso levou a adquirir duas empresas no­rueguesas de tecnologia submarina (Bennex e Poseidon), consolidadas em julho, no valor de US$ 105 mi­lhões. Embora sediadas na Noruega, com atuação em Houston (Texas), ambas atuarão com força no Brasil, considerado o grande laboratório mundial de tecnologia submarina. “Não haverá instalações locais, mas centros de treinamento. Temos exper­tise em engenharia submarina no país, mas precisamos ter gente treinada em novas tecnologias”, explicou. O desafio é atender aos requisitos de conteúdo local, que variam de 30% a 52%, dependendo do equipamento. “Até agora, conseguimos atender à demanda, mas com dificuldade em alguns casos.”

    A estratégia de expansão da Siemens no setor de óleo e gás será reforçada pelas atividades de pesquisa e desenvolvimento do novo centro tecnológico da companhia, que está em vias de ser instalado no Parque Tecnológico da Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. Com previsão de iniciar suas operações até o final do próximo ano, com uma área construída de 4 mil m² para abrigar 800 pesquisadores e engenheiros, a iniciativa elevará o país à condição de centro de excelência mundial em engenharia avançada, pesquisa e desenvolvimento em óleo e gás e tecnologias submarinas dentro do grupo Siemens.

    Maratona do conhecimento – Vencer desafios foi o mote de outra empresa do grupo Siemens, a Chemtech, que durante a OTC Brasil promoveu as finais da 7ª Maratona Nacional de Engenharia,


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