Energia

Eólica – Ventos levam estatal de volta à geração

Bia Teixeira
4 de setembro de 2011
    -(reset)+

    Empresa subsidiária da Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras) e vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), a Eletrosul, que estava fora da geração de energia desde a privatização de seu parque gerador, em 1998, volta à cena impulsionada pelos ventos. Retirada do Programa Nacional de Desestatização (PND), em 2004, ela foi autorizada a voltar à geração, e hoje tem vários projetos em andamento.

    “O primeiro empreendimento que a Eletrosul conquistou o direito de construir foi a Usina Hidrelétrica Passo São João, que terá 77 MW de capacidade instalada, entre os municípios de Roque Gonzales e Dezesseis de Novembro, também no Rio Grande do Sul”, observou o diretor de Engenharia e Operação, Ronaldo dos Santos Custódio, lembrando ainda dos quatro projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricasem Santa Catarina.

    No entanto, a Eletrosul acabou concretizando essa retomada da geração de energia em um segmento em que jamais atuara, o eólico. Em junho, ela e a sócia alemã Wobben deram a partida na primeira das três unidades de 30 MW do Complexo Eólico Cerro Chato, em Sant’Ana do Livramento, na divisa com Rivera, no Uruguai. Com capacidade total de 90 MW, o empreendimento, classificado no primeiro leilão de geração de energia eólica, em dezembro de 2009, deverá ser concluído até o final do ano.

    Petróleo & Energia, Ronaldo dos Santos Custódio, Diretor de Engenharia e Operação, Eólica - Ventos levam estatal de volta à geração

    Custódio: usinas offshore não servem para o Brasil

    “Nossos primeiros empreendimentos são de aproveitamento hidrelétrico, que era a expertise da Eletrosul, antes da privatização, e continua sendo a base da matriz energética brasileira”, destacou, pontuando que a Eletrosul hoje está construindo, sozinha ou em parceria, sete hidrelétricas. “Ao mesmo tempo, começamos a buscar outras fontes para acompanhar a necessidade de evolução do setor elétrico”, revelou o executivo. Iniciados em 2005, os estudos e medições sistemáticas de ventos na região de Sant’Ana do Livramento apontaram a viabilidade do Complexo Eólico Cerro Chato.

    “Na realidade, eu já vinha estudando o potencial dos ventos como fonte de energia desde quando participei da elaboração do Atlas Eólico do Rio Grande do Sul, pela Secretaria de Energia, Minas e Comunicações do governo do estado, em2002”, disse o executivo que, em 2009, com o apoio da Eletrobras, lançou o primeiro livro técnico em português sobre energia eólica.

    Os bons ventos que alavancaram Cerro Chato já “movem as pás” de outros projetos. “Acabamos de vencer, junto com parceiros importantes, o último leilão A-3 da Aneel, com 21 parques eólicos que somam 492 MW de potência instalada. O que nos mostrou muito competitivos em relação a empresas que já estavam nesse mercado”, comemorou o diretor de Engenharia e Operação.

    Por isso mesmo, a Eletrosul já desponta como a principal estatal no setor de energia eólica. “Nossa holding, a Eletrobras, está apostando nisso. Temos prospecções para novos projetos eólicos, mas a implantação efetiva desses empreendimentos dependerá da demanda nacional por energia, da conquista de futuros leilões e do interesse e planejamento estratégico da holding”, avaliou.

    Ele descarta investir na geração eólica offshore, em razão dos altos custos relacionados. “Para um país continental, as usinas offshore não se apresentam como alternativa viável, especialmente pelo custo elevado de implantação”, estimou. Esse modelo vai melhor em países como a Dinamarca ou no Reino Unido, que não dispõem de áreas para expandir seus parques geradores e, justamente por essa razão, concentram as maiores usinas offshore do mundo.

    “No Brasil, as usinas em terra firme são muito vantajosas, até porque os parques eólicos não competem com o desenvolvimento econômico das regiões onde estão instalados. São perfeitamente compatíveis com outras atividades econômicas, como é o caso do Complexo Eólico Cerro Chato, que está sendo implantado em meio a propriedades de criação de gado”, concluiu Custódio.

     

    Leia a reportagem principal:

    Saiba mais:



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *