Energia

Eólica – Energia dos ventos mostra força e baixa o preço nos leilões de eletricidade

Bia Teixeira
4 de setembro de 2011
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    O anúncio de que o leilão de Energia A-5, marcado para dezembro e voltado para o atendimento do mercado em 2016, estará aberto para o setor eólico foi mais um sinal dos bons ventos que sopram nesse setor. Os contratos de compra e venda de energia desse leilão terão prazo de 20 anos para todas as fontes, exceto a hídrica, que terá contratos de 30 anos de duração.

    A Portaria nº 498/11, do Ministério de Minas e Energia (MME), que abriu espaço para o setor eólico, foi publicada praticamente uma semana depois dos leilões de Energia A-3 e Reserva de 2011, nos quais foi contratada uma capacidade instalada de 3.962,7 MW (com garantia física de produção de 2.284,4 MW médios), referente a 92 projetos de geração elétrica de fontes eólica, gás natural, biomassa (bagaço de cana-de-açúcar e resíduos de madeira) e hídrica.

    O grande destaque nos processos licitatórios foi justamente o setor eólico, que negociou 1.928 MW a um preço médio inferior a R$ 100 por MWh e um total de 78 novos parques. Os investimentos totais na construção dos 92 projetos vencedores dos dois leilões somam R$ 11,2 bilhões – dos quais uma fatia expressiva se refere aos novos parques eólicos.

    Logo após esse “vendaval” nos leilões de energia, os principais players do mercado dos ventos se reuniram na Brazil WindPower Conference & Exhibition (BWP 2011), promovida pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) e o Global Wind Energy Council (GWEC), entre os dias 31 de agosto e 2 de setembro, no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro. O BWP 2011, que teve como tema “Construindo um mercado de 20 GW”, é a principal conferência e feira de negócios do calendário mundial do setor eólico voltada para o mercado latino-americano.

    Ironicamente, faltou energia no recinto da conferência em razão de problemas nas linhas de transmissão, mas isso não esfriou o clima de bons negócios e grandes perspectivas. E tem ainda o apoio do governo. Até mesmo do ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, que antes apenas sorria quando lhe falavam sobre o potencial eólico, imerso nos sonhos do petróleo do pré-sal, e hoje virou entusiasta dessa fonte energética.

    Expansão acelerada – Na cerimônia de abertura da Brasil WindPower 2011, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, afirmou que a geração eólica nacional será sete vezes maior até 2014, saindo dos atuais 1.114 megawatts (MW) para 7.098 MW. Ou seja: o país vai ter um incremento anual de 2 MW por ano.

    “O mundo inteiro está olhando para o avanço da energia eólica no Brasil. Temos mais de um gigawatt (GW) instalado e vamos multiplicar isso por sete, pois já temos volume contratado [em leilões] até2014”, afiançou Tolmasquim. Hoje a geração eólica representa 0,99% da matriz energética e em 2014 representará 5,4%. Atualmente, o país conta com 57 parques eólicos em produção e tem 30 em construção, implicando investimentos da ordem de R$ 25 bilhões a R$ 30 bilhões.

    Petróleo & Energia, Eólica - Energia dos ventos mostra força e baixa o preço nos leilões de eletricidade

    Setor em expansão atraiu visitantes para a feira

    Os números anunciados pela EPE demonstram o crescimento do setor no Brasil, a partir de 2005, quando começou a escalada eólica e a redução paulatina no preço do MW, que caiu de R$ 300, há seis anos, para R$ 99,50 no leilão de agosto. “Os preços estão caindo”, comemora o presidente da EPE.

    Dados de organizações internacionais comprovam essa afirmação. No All Renewables Index, da consultoria internacional Ernst & Young, de agosto deste ano, o Brasil avançou para a 11ª posição no ranking mundial de países que usam fontes renováveis de energia e ficou em 14° lugar, entre os que têm geração eólica (e 16ª posição no segmento solar).

    Em março deste ano, o relatório Who’s Winning the Clean Energy Race? (Quem está vencendo a corrida pela energia limpa?), publicado pela organização não governamental norte-americana Pew Charitable Trusts, o Brasil ficou em sexto lugar no ranking dos países que mais investem em energias limpas, com investimento de U$ 7,6 bilhões em 2010. Desse total, 40% foi destinado aos biocombustíveis, 31% para a energia eólica e 28% para outras fontes.

    O incremento no país nas plantas geradoras de energia oriunda dos ventos é explicado por alguns fatores. “A tecnologia está em contínua evolução. As torres hoje são muito mais elevadas: passaram de50 metrospara até120 metrosde altura. E o aumento da capacidade unitária dos geradores ajudou a reduzir os custos”, afirmou o secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura.

    A economia de escala, por conta do aumento da demanda interna por essa energia, favoreceu a competitividade do setor. “Hoje temos vários fabricantes operando no país e outros que estão vindo para se instalar aqui, a fim de atender não somente à demanda interna, mas também o mercado internacional”, concluiu Ventura.



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