Entrevistas

Entrevista – Wärtsilä aproveitará pré-sal para triplicar faturamento

Tom Cardoso
28 de janeiro de 2012
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    Início da década de 90, antes do Plano Real. Seis anos terríveis, sem um só negócio fechado no Brasil. Eram tempos de vacas magras, dos planos econômicos rocambolescos, mas a Wärtsilä, empresa finlandesa do setor de construção naval e geração de energia fundada em 1834 e com quase 18 mil funcionários em 160 países, decidiu não arredar o pé do país, mesmo tendo à frente um cenário desanimador: indústria naval sucateada e os estaleiros à beira da falência. De vinte anos pra cá, a Wärtsilä se consolidou como um gigante do setor – 1% da energia de todo o mundo é produzida nas usinas da empresa – e agora, em tempos de crise na Europa e nos Estados Unidos, busca manter seus altos investimentos apostando todas as fichas no seu ex-primo pobre: o Brasil.

    Os planos são ambiciosos. A Wärtsilä pretende pegar carona no boom do mercado de óleo e gás no Brasil, fortalecido com o advento do pré-sal, mas ainda precisando de fortes investimentos em logística, indústria naval e automação. O grupo finlandês tem por meta triplicar o faturamento até 2015 e fazer com que o mercado de óleo e gás, que hoje representa cerca de 20% do faturamento anual da empresa, dobre de tamanho nos próximos anos. Para chegar lá, tem fechado acordos importantes. Além de anunciar investimentos no Complexo Portuário de Suape, em Pernambuco, e – num futuro próximo – em Macaé, no Rio de Janeiro, a Wärtsilä Brasil fechou joint ventures com a Odebrecht e com a estatal Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A. (Nuclep).

    Petróleo & Energia conversou com o atual diretor-presidente da Wärtsilä Brasil, Robson Campos, no escritório da companhia, localizado no centro do Rio de Janeiro. Campos, um jovem executivo de 42 anos, que em 1990 ingressou na empresa como office-boy e hoje ocupa um dos cargos mais importantes da Wärtsilä no mundo, diz com a certeza de quem conhece de perto todos os meandros de sua empresa que a Wärtsilä Brasil irá se tornar o quinto faturamento da multinacional, ultrapassando Itália e Holanda, chegando perto dos quatro primeiros, Estados Unidos, Alemanha, China e Coreia. O patinho feio chegou lá.

     

    Petróleo & Energia – A Wärtsilä, após atravessar uma fase difícil no Brasil, onde sofreu com a instabilidade econômica e a falta de políticas públicas de incentivo ao mercado de petróleo e gás, está, finalmente, disposta a investir pesado no país. A mudança estratégica passa, exclusivamente, pelo advento do pré-sal?

    Robson Campos – Sim, sem dúvida. Nós temos três áreas de atuação no Brasil – fabricação de plantas de geração de energia (Power Plant), fornecimento de motores e geradores para embarcações (Ship Power) e prestação de serviços para indústria naval e energética. Tom Cardoso As três áreas estão aquecidas. Não há dúvida de que a grande mola propulsora de todo esse crescimento, dessa quebra de paradigma, é o advento do pré-sal. Será a indústria de petróleo e gás que permitirá à Wärtsilä triplicar o faturamento e o número de funcionários até 2015 (a empresa, por uma questão estratégica, não fornece números).

    Não é uma projeção um tanto otimista, levando- se em conta a crise internacional e as incertezas em torno da viabilidade do pré-sal?

    O pré-sal já se mostrou viável economicamente. O que preocupa na verdade são os adiamentos constantes. Todo mundo se prepara, se prepara, mas a velocidade está em um ritmo menor do que o mercado esperava. Nós somos muito conservadores. Nunca fomos com muita sede ao pote. Não fizemos como outras empresas que investiram pesado após o anúncio do pré-sal e hoje estão com dificuldades para se manterem vivas.

    Mas temos aí a crise europeia, longe de uma solução. E a recuperação lenta da economia americana, uma possível desaceleração da China…

    Nós vamos chegar no momento certo. E o momento é do Brasil. A Wärtsilä, por ser finlandesa, é muito contagiada pela crise europeia. As notícias que chegam de lá são sempre as mesmas: “vamos poupar”, “olho na rentabilidade”, “prudência”, mas essa é uma preocupação que não chegou aqui. Eles sabem que precisam, mesmo na crise, preservar os bolsões de crescimento. E o Brasil é uma grande aposta. Somos o ponto fora da curva. Claro, vai haver um impacto, mas não como no ano passado.

    Quanto o mercado de óleo e gás representa hoje no faturamento global da Wärtsilä?

    Cerca de 10% a 20% do nosso faturamento anual – queremos chegar, em breve, a 40%. Vamos crescer junto com a Petrobras, que, no início de 2011, foi elevada à categoria de cliente global estratégico da Wärtsilä. Acreditamos no pré-sal. Estamos tomando uma série de medidas para reduzir alguns gargalos. Formamos uma equipe de automação elétrica, que é uma área em que há conhecimento no mundo inteiro, mas não no Brasil. Essa área de automação integra todos os equipamentos de uma plataforma. Através dela, você consegue alavancar uma série de produtos. Ou seja, há várias iniciativas.



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