Entrevista: Prumo acerta o rumo

Petróleo & Energia, Entrevista: Prumo acerta o rumo ©QD Foto: Divulgação
Marina Fontoura da Prumo

Mais do que uma rima, uma realidade: a Prumo Logística está avançando com a implantação do megaempreendimento chamado Superporto do Açu, criado pela LLX do empresário Eike Batista. A estrutura de capital atual da Prumo indica uma participação de 20,8% desse famoso investidor, ao lado da majoritária Global Energy Partners (EIG), com 53%, e de outros.“O Porto do Açu é uma realidade: vamos iniciar a operação nas próximas semanas, com a movimentação de embarcações no canal do Terminal 2 (T2)”, afiança Marina Fontoura, diretora de Desenvolvimento da Prumo Logística, formada em ciências econômicas pela PUC-RJ e com MBA pela Harvard Business School (Boston, MA). Ela ressalta que a Technip e a NOV já estão operando na área e, ainda neste ano, devem iniciar atividades a Wärtsilä e a InterMoor, ambas na fase final de instalação no complexo industrial, que tem uma área total de 90 km2 e deverá alcançar a ocupação plena até 2030.“Seguimos com as obras de infraestrutura (pavimentação, rede de esgotos, água, iluminação etc.) e a ocupação da retroárea pelas empresas”, pontua a executiva nesta entrevista exclusiva para a revista Petróleo & Energia.

Petróleo & Energia – O Complexo Industrial do Porto do Açu tem contratos com oito empresas do setor naval que vão ocupar a área industrial: NOV e Technip Brasil já instaladas e contratos firmados com a Wärtsilä, InterMoor, Edison Chouest Offshore (ECO), GE, Vallourec e BP (na joint venture NFX). Quais delas entram em operação ainda este ano?

Marina Fontoura –As unidades da Technip e da NOV já estão prontas e em operação. A previsão é que a operação destas empresas no canal do Terminal 2 (T2) seja iniciada nas próximas semanas. Ainda neste ano, em setembro, está previsto o início de operação da Wärtsilä. Além disso, está previsto para o final deste ano o primeiro embarque de minério de ferro no Terminal 1 (T1) e o início da operação da InterMoor.

P & E – Quais já iniciaram obras de instalação visíveis? E quais ainda não colocaram o primeiro tijolo?

M. F. – As plantas da Technip e NOV estão prontas e em operação. Estão em construção as unidades da Wärtsilä, Intermoor, Anglo American e Edison Chouest. A BP está em processo de licenciamento ambiental.

P & E – Qual o espaço (área total e percentual) que essas empresas, vão ocupar da área total do complexo industrial?

M. F. – Essas empresas estão localizadas na área do canal do Terminal 2 (T2), com acesso ao mar. Atualmente, a área do canal disponível para outros clientes é de cerca de 40%.

P & E – Quantas empresas mais a Prumo acredita que poderia abrigar nesse espaço? Já há outras empresas interessadas?

M. F. – O Porto do Açu possui as melhores condições para instalação de bases offshore no país por sua localização estratégica, próxima à Bacia de Campos, área de cais disponível dentro do Canal do Terminal 2 e calado de até 14,5m. Também temos área disponível no entorno, que facilita a instalação imediata de uma cadeia de fornecedores. Por isso, os fornecedores de equipamentos para a indústria de O&G reconhecem as vantagens competitivas que o Porto do Açu oferece como plataforma para os seus negócios. Estamos mantendo conversas com diversos potenciais clientes desta indústria, mas, neste momento, não podemos comentá-las. A companhia manterá o mercado informado sobre futuros novos contratos. Importante salientar que as negociações são realizadas individualmente, sempre com o objetivo de atender às necessidades de cada empresa.

P & E –  O principal objetivo do Porto do Açu é ser um complexo de apoio, reunindo a cadeia de fornecedores naval e offshore e, principalmente, metalomecânico. Seria o primeiro grande complexo desse tipo no país. Na visão da companhia, a expansão das atividades no Sul e no Nordeste demandará modelos similares ou o complexo poderá atender às operações no Brasil de ponta a ponta?

M. F. – O Porto do Açu apresenta várias características e diferenciais com relação aos portos já existentes no país. Além de grande profundidade, podendo chegar a 23 m no Terminal 1 (T1), o Açu está localizado estrategicamente próximo à Bacia de Campos, possui retroárea disponível para instalação de unidades e, o principal, está pronto. Esse conjunto o transforma numa solução natural para as empresas do setor de óleo e gás. Essas características também têm atraído empresas interessadas em utilizá-lo como ponto concentrador de cargas.

P & E – O complexo também tem espaço para um estaleiro de reparo para embarcações de grande porte. Seria apenas para reparo, mas não de construção?

M. F. – Identificamos no Porto do Açu, na entrada do canal do Terminal 2 (T2), uma área que pode ser utilizada para a instalação de um Polo de Reparo Naval. Com possibilidade de chegar a 14 m de profundidade, este terminal poderá atender desde PSVs até plataformas e sondas.  Neste momento estamos discutindo esse projeto e avaliando eventuais parcerias.

P & E – O projeto do complexo prevê base para tratamento de petróleo e termoelétricas. Já há instalações para tratamento primário de petróleo? Se há, qual é a empresa? Caso não haja, quais seriam os potenciais clientes e por que seria interessante fazer isso lá?

M. F. – A Prumo está construindo um Terminal de Petróleo no Porto do Açu. Localizado no T1, ele já conta com licença para movimentação de 1,2 milhão de barris por dia. No total serão 3 berços, com profundidade até 23 metros, que poderão receber, entre outras embarcações, VLCCs e suezmax. Já temos várias negociações em andamento neste sentido.

P & E – E o projeto de termoelétrica: já existe projeto? Seria feita pela Prumo ou parceiro? Ela abasteceria de energia todo o complexo?

M. F. – A Eneva possui o projeto, já licenciado, para instalar uma térmica a gás de até 3.300 MW no Porto de Açu. Além disso, também estamos avaliando possibilidades com outros parceiros para aumentar a capacidade de geração.

P & E – Segundo o jornal O Valor, a Prumo Logística captou um dos maiores empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) neste ano, no montante de R$ 1,8 bilhão: R$ 900 milhões de dívida nova e outros R$ 900 milhões destinados a uma renegociação de empréstimo detido anteriormente por um banco privado. No total, a Prumo contratou com o BNDES R$ 2,3 bilhões de empréstimo-ponte com garantia dos bancos Bradesco e Santander. E emitiu R$ 750 milhões em debêntures, distribuídas pela Caixa Econômica Federal (CEF). Outros R$ 2 bilhões são de capital próprio (chamado de “equity”). Qual o volume total de investimentos previstos? Quando vocês acreditam que estes investimentos serão concluídos?

M. F. – Já foram investidos R$ 5,8 bilhões no Porto do Açu, de 2007 a março de 2014. Além disso, a Prumo planeja investir mais R$ 1,720 bilhão ainda neste ano (sem juros e despesas administrativas). O Porto do Açu já é uma realidade e o início de sua operação está previsto para as próximas semanas, quando será iniciada a movimentação de embarcações no canal do Terminal 2 (T2). A construção do Complexo Industrial do Porto do Açu continuará se desenvolvendo com as obras de infraestrutura (pavimentação, rede de esgotos, água, iluminação etc.) e a ocupação de sua retroárea pelas empresas. A previsão para ocupação plena de todo o complexo industrial é 2030.

P & E – Quais autorizações ainda estão pendentes e quais já foram liberadas? Enfim, quando vocês entram em plena operação no Porto?

M. F. – No caso do Terminal 2 (T2), aguardamos apenas a emissão de uma autorização da Marinha para iniciar a operação do canal. Já a operação do Terminal 1 (T1), já conta com Licença de Operação e o embarque de minério de ferro está previsto para o final deste ano.


Complexo naval tem players internacionais

A Prumo Logística já tem contrato firmado com oito empresas, que estão em obras ou ainda vão se instalar no local.

National Oilwell Varco (NOV) – A norte-americana NOV, líder no fornecimento dos principais componentes mecânicos para sondas de perfuração terrestres e marítimas, está concluindo a instalação de uma unidade de produção de tubos flexíveis para apoio à indústria offshore. Já em operação, a unidade, com 121.905 m² de área total, tem capacidade para produzir 250 km de tubos flexíveis por ano. Com 210 metros de frente de cais, também dispõe de área para armazenagem e teste de material. A operação pelo canal do T2 está prevista para este segundo semestre.
Technip Brasil

Presente no Brasil desde 1976, a francesa Technip oferece serviços e soluções tecnológicas para o desenvolvimento de ativos de petróleo e gás natural em águas profundas, instalações offshore e unidades de processamento onshore, com recursos integrados e navios de instalação de dutos submarinos. A empresa instalou no complexo uma unidade de produção de tubos flexíveis, com 500 m de frente de cais e 289.800 m2 de área total. Já em operação, a unidade de apoio à indústria offshore, que também tem área para armazenagem e teste de material, inicia neste ano a movimentação pelo canal do T2.
Wärtsilä

Após décadas de atuação no Brasil, finlandesa Wärtsilä Brasil vai construir a primeira unidade industrial brasileira. Ela assinou contrato para instalação de uma planta de montagem e produção de grupos geradores e propulsores azimutais no Porto do Açu. A unidade em construção ocupará uma área de 29.300 m² no canal do T2 e também irá oferecer soluções e serviços nas áreas de energia e propulsão marítima.
InterMoor

A InterMoor, uma empresa integrante do grupo britânico Acteon, está instalando uma unidade de apoio logístico e serviços especializados à indústria de óleo e gás. Com 90 metros de frente de cais e 52.302 m² de área total, a planta deverá iniciar operação ainda em 2014.
Edison Chouest

A americana Edison Chouest Offshore (ECO), fornecedora de soluções de transporte marítimo offshore com atuação global, assinou contrato de aluguel de área para instalar uma base de apoio logístico e um estaleiro de reparos navais para suas próprias embarcações no Porto do Açu. A unidade, que poderá receber até 18 embarcações e atenderá aos atuais clientes da Edison Chouest, será instalada no T2, com previsão de começar a operar no início de 2015.
GE

A gigante norte-americana GE, que tem no Brasil o seu terceiro maior mercado, vai instalar uma unidade no polo metalomecânico do Porto do Açu em área de até 322.498 m². Inicialmente, a planta atenderá às áreas de petróleo e gás e geração de energia, uma vez que a empresa tem hoje portfólio de produtos para o ciclo completo de exploração de petróleo.
Vallourec

A Vallourec, líder global em soluções tubulares Premium para o mercado de Energia (Óleo e Gás, Powergen), também firmou contrato para instalação de uma base logística no polo metalomecânico. Com uma área de 150 mil m², a unidade vai dar atendimento às companhias de petróleo que atuam na Bacia de Campos, com serviços de armazenagem e fornecimento just in time de tubos e serviços especializados.
BP

A NFX, joint venture formada pela Prumo e BP (50% cada), instalará uma base para importar, exportar, vender, armazenar, misturar, distribuir e/ou comercializar combustíveis marítimos, sob a marca da BP Marine. Este centro de abastecimento deverá atender às demandas de navios de distintos portes e atividades, como PSVs (Platform Supply Vessels), navios de cabotagem e de longo curso, por combustíveis como diesel marítimo (MGO – Marine Gas Oil) e bunker (IFO – Intermediate Fuel Oil).

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