Energia

Entrevista: Matriz elétrica conta com a energia dos ventos

Petroleo e Energia
18 de setembro de 2014
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    Por Marcia Mariano

    Petróleo & Energia, Elbia Melo - Associação Brasileira de Elbia Melo - Energia Eólica (Abeeólica)

    Elbia Melo – Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica)

    A energia eólica começou a ser implantada no Brasil em 1998, mas a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) só foi fundada em 2002. Com objetivo de divulgar e consolidar a competitividade da fonte eólica na matriz energética nacional, a entidade é presidida pela mineira Elbia Melo, 42 anos, primeira mulher a assumir o posto. Economista, com PhD pela Universidade Federal de Santa Catarina, Elbia Melo também foi a primeira mulher a se tornar Diretora da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica-CCEE (2006-2011). Em seu currículo constam cargos importantes como o de economista-chefe do Ministério de Minas e Energia, no qual participou da Reformulação do Modelo do Setor Elétrico; e da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica, pelo Ministério da Fazenda. Ela iniciou carreira na Aneel e, como acadêmica, especialista em regulação e mercados de energia elétrica, escreveu tese de mestrado e doutorado nesta área, além de ter mais de 30 artigos publicados sobre o setor elétrico nos últimos anos. Nesta entrevista, Elbia Melo nos dá um panorama sobre energia eólica no Brasil.

    Petróleo&Energia – Porque se interessou pela questão da energia eólica?
    Elbia Melo – O interesse aconteceu de forma até natural. Fui a primeira economista a escrever uma tese de mestrado com foco em energia elétrica e, na época em que trabalhei no ministério, ajudei na formulação do Proinfra (Programa de Incentivo às Fontes Alternativas), um dos primeiros marcos que a energia eólica teve no Brasil. Participei inclusive da formatação do modelo de financiamento com o BNDES para este programa. Além disso, enquanto estava na CCEE, eu participava da formulação e execução dos leilões e testemunhei, de dentro, a realização do primeiro leilão competitivo de energia eólica no Brasil.

    Petróleo&Energia – Quais os principais desafios que enfrentou, e os que ainda enfrenta, no comando da entidade?
    Elbia Melo – O principal desafio foi trabalhar com uma fonte de energia nova, ainda desconhecida no país, e que estava em um processo de inserção. Por conta desse cenário, foi e ainda é necessário desenvolver um aparato legal e um processo de argumentação e convencimento sobre a importância da fonte e seus benefícios para a matriz elétrica do País.

    Petróleo&Energia – Quantas usinas eólicas existem no Brasil e qual a capacidade instalada hoje?
    Elbia Melo – Estes números podem mudar diariamente. Atualmente temos 198 parques eólicos instalados, o que representa uma potência de 4,9 GW. Essa capacidade representa, hoje, 4% da matriz elétrica brasileira.

    Petróleo&Energia – A fonte eólica é considerada energia limpa e ecológica por não gerar emissões na atmosfera?
    Elbia Melo – É importante informar que a fonte eólica não reduz as emissões de CO2, mas que ela não emite gases com efeito de estufa (entre eles o CO2) na fase de operação das usinas. Porém, os gases emitidos na operação de outras usinas e outras atividades antropogênicas continuam dispersos na atmosfera. Podemos informar que, com a capacidade instalada de 4,9 GW, a fonte eólica evita anualmente que mais de 4 milhões de toneladas de dióxido de carbono sejam lançadas na atmosfera.

    Petróleo&Energia – É uma energia cara para o consumidor? Qual a diferença entre o custo da tarifa de eólica e a de energia convencional (hidrelétrica)?
    Elbia Melo: A fonte eólica é a segunda fonte mais competitiva no Brasil, comercializada em média a R$ 130,00/MWh, sendo que a mais competitiva é a hidrelétrica de grande porte, comercializada em média a R$ 90,00/MWh. Neste aspecto é necessário esclarecer que as tarifas de eletricidade são estabelecidas pelas concessionárias de energia, que repassam o valor da energia comercializada, para os diversos tipos de consumidores, como os residenciais e os industriais.



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