Entrevista: Automação tem potencial transformador

P&E – Ainda que a Honeywell atenda a vários segmentos, petróleo e gás, refino e petroquímico constituem um enorme mercado para a empresa. Qual o peso desse segmento nas operações da HPS?

F.C. – Não dá para dizer qual o percentual, até mesmo porque há várias divisões e não somente a HPS para atender esses mercados. Mas, sem dúvida, para a HPS, no mundo inteiro, a indústria de óleo e gás tem um grande peso, que é mais significativo no Brasil por causa, principalmente, das descobertas do pré-sal e dos negócios que são gerados no país e o volume de investimentos previsto para o setor. É significativo que a própria Petrobras, na apresentação de seu plano de negócios, tenha apontado a parcela dos investimentos previstos que devem ser aportados por seus parceiros.

P&E – São oportunidades ampliadas, uma vez que esses investimentos acabam por alavancar indústrias de diversos segmentos, que integram essa cadeia produtiva…

F.C. – Com certeza. Ao atender as demandas do setor de óleo e gás, passamos, automaticamente, a disponibilizar essas soluções para as indústrias que se beneficiaram do crescimento desse setor. Mas não posso falar do peso desse setor no nosso faturamento.

P&E – Depois de mais de 20 anos, uma vez que a ultima refinaria construída ainda no monopólio foi em 1986 (Revap), a Petrobras voltou a investir em refino na última década: modernizações e expansões (revamp) e, posteriormente, novas refinarias, entraram na planilha de investimentos da petroleira. Qual tem sido a participação a Honeywell nessas revamps de unidades de refino no Brasil? Qual o projeto mais emblemático?

F.C. – Não dá para detalhar, pois foram utilizadas soluções de diversas divisões, que forneceram para o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e à Refinaria Abreu e Lima – refinaria do Nordeste (Rnest). Mas participamos de projetos da carteira de diesel e gasolina, em fases distintas. Mas posso dizer que o empreendimento mais emblemático para a Honeywell é, sem dúvida, o das refinarias Premium I e II, no Nordeste. Tanto pelo projeto em si como pelos valores envolvidos. É mais significativo ainda pelo fato de marcar a retomada da implantação de refinarias no Brasil e por ser um reconhecimento do valor da tecnologia Separex da UOP, a unidade da Honeywell responsável por essa demanda.

P&E – As mudanças efetuadas nos projetos não impacta a participação da Honeywell, que vai fornecer tecnologias de hidrocraqueamento e hidrotratamento para a produção de diesel?

F.C. – Não acredito porque é uma solução de engenharia, de projeto. A expectativa é que esses empreendimentos avancem e todos possam participar desses empreendimentos. Inclusive a HPS, que está habilitada a fazer todos os sistemas de automação dos processos a serem implantados na refinaria.

P&E – Quais as soluções mais demandadas pelo setor: automação de processos, segurança, fogo e gás?

F.C. – O foco está cada vez mais passando para a área de negócio, não mais no operacional. Ou seja: buscam-se soluções que possibilitem a redução de custos e aumento da produção, daí a importância das nossas soluções na área de eficiência energética, que geram valor para o cliente.

P&E – Depois da crise de 2008, houve uma pisada no freio por parte da Petrobras nos investimentos em automação e controle Já está havendo uma retomada nesse sentido?

F.C. – Sem dúvida, após a crise, os projetos de investimento foram reduzidos ao máximo. Mas no contexto geral o cenário é positivo, hoje. Acredito que o mercado vai retomar o esforço nesse sentido, da automação industrial, até por conta dos fatores econômicos a que nos referíamos antes (redução de custos e aumento da produção), além de segurança, confiabilidade etc. Já há alguns projetos de grande porte que estão começando a acontecer, na área de celulose, por exemplo, assim como começam a decolar os investimentos no setor de óleo e gas.

P&E – Na área de offshore vocês também vêm ampliando a participação. Em 2013,a Honeywell fechou dois contratos com a Petrobras, para fornecer tecnologia de sistemas de membrana para processar gás natural a bordo de unidades de produção. Um teria sido para oito replicantes que vão atuar na bacia de Santos, e o segundo contrato, para quatro plataformas flutuantes de produção, armazenamento e transferência (FPSO) da estatal, que poderão ser as unidades da cessão onerosa. Vocês continuam firmes nestes projetos?

F.C. – Podemos estar juntos ou não com a UOP, que é quem fornece essa tecnologia de membranas. Mas é difícil mapear onde estamos, porque participamos de projetos específicos, que não podemos detalhar, até mesmo por contrato. Afinal, em muitos casos a HPS faz a automação dos processos que a UOP fornece. Daí as duas estarem hoje na mesma divisão PMT – Performance Materials and Technologies.

P&E – O fato de cada vez mais os processos serem transferidos para o fundo do mar, para sistemas submarinos, torna o processo de automação mais complexo?

F.C. – Para a Honeywell, é transparente o fato de que o que fornecemos hoje para o setor offshore, seja para processos realizados no top side ou no fundo do mar, são soluções integradas, que podem ser aplicadas nas duas condições. São tecnologias prontas, sob medida, já integradas e que estão disponíveis, podendo ser aplicadas de imediato. Não teremos que adaptar ou inventar nada.

P&E – Assim como outras empresas, além de produtos, cada vez mais há uma ampliação dos serviços oferecidos, tanto na instalação de um novo produto, como na manutenção de sistemas. Qual o peso dos serviços na Honeywell, hoje?

F.C. – Isso não é tendência e sim uma realidade na empresa. Esse é um dos nossos pontos fortes, pois temos a estrutura e infraestrutura de serviços para atender ao mercado. Nem todas as empresas que oferecem serviços têm isso. Serviço é extremamente importante para a Honeywell. Tanto que estamos fazendo algo pouco comum no setor de automação: estamos escutando o mercado. Não estamos levando os engenheiros para os projetos e sim os projetos para os engenheiros. Também é importante lembrar que oferecemos hoje soluções e serviços para todo o ciclo de vida de um sistema. E temos algo que poucas empresas do setor de automação têm: soluções que se mantém em operação há 50 anos, integradas com o que temos de mais moderno. Esse é o resultado de uma filosofia adotada pela Honeywell, de zelar pela permanência e otimização do ativo.

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