Entrevista: Automação tem potencial transformador

Petróleo & Energia, rancisco Casulli: Soluções tecnológicas aceleram projetos, aumentam a segurança e também reduzem custos para clientes
Francisco Casulli: Soluções tecnológicas aceleram projetos, aumentam a segurança e também reduzem custos para clientes

Na busca pela melhoria contínua da eficiência operacional, a indústria de óleo e gás tem um importante aliado na automação industrial, tanto em projetos onshore como offshore, do upstream ao dowstream.

É apostando no poder transformador de suas soluções que a Honeywell Process Solutions (HPS) tem investido firme na reestruturação de seus quadros, atraindo para posições chaves executivos que vinham se destacando no mercado (dentro e fora da empresa).

No Brasil não foi diferente: além de instituir e nomear, em meados do ano passado, um presidente corporativo para o Brasil, Benjamim Driggs, há 10 anos no grupo, a empresa buscou no mercado alguém para ocupar o cargo de general manager da HPS no Brasil.

Desde que assumiu o cargo, em fevereiro desse ano, o engenheiro elétrico paulistano Francisco Casulli, formado pelo Instituto de Tecnologia Mauá, vem fazendo uma imersão na empresa. E se confessa estimulado pelas oportunidades de negócios que vislumbra em setores estratégicos como o de óleo e gás, refino e petroquímica, mineração, papel e celulose, entre outros. “As soluções que a Honeywell tem a oferecer em automação industrial, em termos de mercado, são transformadoras”, afirma o executivo na sua primeira entrevista exclusiva, concedida à revista Petróleo&Energia.

Petróleo&Energia – O que o levou a deixar a posição de vice-presidente na Invensys Operation Managment para assumir o comando da HPS, uma das principais divisões da Honeywell?

Francisco Casulli – Pelo que a Honeywell tem a oferecer em termos de automação industrial: são soluções poderosas que, associadas ao que a empresa vem propondo ao mercado, tornam-se transformadoras. Estamos falando de soluções que podem reduzir o tempo e o custo de implantação de um projeto, garantir maior segurança da planta, agilizar o início da operação de um empreendimento, trazer maior eficiência para a operação, garantir uma produção com melhor produtividade, etc. Estou me referindo a soluções tecnológicas como o LEAP (que é um grande salto na forma como gerenciamos projetos), a instrumentação Smart, a Sala de Controle do Futuro, a tecnologia Universal Channel (Universal I/O – input e output), que abre uma porta para inúmeras possibilidades de aplicação na automação, soluções de Cloud Engineering e virtualização. Enfim, tudo o que foi demonstrado no HUG 2014 – Honeywell Users Group, que se realizou agora no início de junho, nos Estados Unidos, reunindo clientes, parceiros e colaboradores nas Américas. São coisas que vão transformar o nosso mercado agora e nos próximos anos.

P&E – O Brasil é estratégico para a Honeywell?

F.C. – Sem dúvida. O Brasil tem um potencial de crescimento tremendo para a Honeywell, que tem investido continuamente para oferecer suporte de nível internacional para todos os segmentos em que atua no país. A Honeywell está no Brasil desde os anos 1950 e vem investindo continuamente ao longo do tempo. E os investimentos feitos são significativos. Tanto que em 2012 abrimos o primeiro Customer Solutions Center (CSC) na América Latina, em São Paulo, para desenvolver e testar novas soluções sob medida para o mercado brasileiro, atendendo também a questões de conteúdo nacional. Vamos continuar buscando atender o mercado. Não podemos dar números locais, mas posso adiantar que cerca de 55% do faturamento da Honeywell vem de outros países que não os Estados Unidos. Temos que buscar ampliar esses resultados onde há potencial para tanto. Além dos recursos alocados no aumento da capacidade produtiva (o grupo tem cinco fábricas no país), para ampliar o conteúdo local, também há um forte investimento em pessoas. Eu sou a prova viva disso. E desde agosto de 2013 temos um presidente corporativo para o Brasil, dentro da visão da empresa de dar um foco mais estratégico local. E não houve somente investimentos em executivos, como também em pessoas, com a geração de empregos de alto valor. Tudo isso reflete a consistência dos investimentos feitos no país, em termos de produção, estrutura corporativa, geração de empregos, de valor.

P&E – Qual a perspectiva de crescimento no Brasil?

F.C. – A projeção global de crescimento da Honeywell, que fizemos em 2013, com um faturamento de US$ 39,1 bilhões, é de 4% a 5%, ou seja, pretendemos chegar a US$ 40,3 ou 40,7 bilhões. Esse é o crescimento projetado pela empresa no contexto mundial. Em função desse crescimento global, é obvio que a América Latina terá uma participação expressiva, principalmente o Brasil, que é o maior mercado da região e onde a empresa tem a maior infraestrutura instalada.

P&E – Ainda que a Honeywell atenda a vários segmentos, petróleo e gás, refino e petroquímico constituem um enorme mercado para a empresa. Qual o peso desse segmento nas operações da HPS?

F.C. – Não dá para dizer qual o percentual, até mesmo porque há várias divisões e não somente a HPS para atender esses mercados. Mas, sem dúvida, para a HPS, no mundo inteiro, a indústria de óleo e gás tem um grande peso, que é mais significativo no Brasil por causa, principalmente, das descobertas do pré-sal e dos negócios que são gerados no país e o volume de investimentos previsto para o setor. É significativo que a própria Petrobras, na apresentação de seu plano de negócios, tenha apontado a parcela dos investimentos previstos que devem ser aportados por seus parceiros.

P&E – São oportunidades ampliadas, uma vez que esses investimentos acabam por alavancar indústrias de diversos segmentos, que integram essa cadeia produtiva…

F.C. – Com certeza. Ao atender as demandas do setor de óleo e gás, passamos, automaticamente, a disponibilizar essas soluções para as indústrias que se beneficiaram do crescimento desse setor. Mas não posso falar do peso desse setor no nosso faturamento.

P&E – Depois de mais de 20 anos, uma vez que a ultima refinaria construída ainda no monopólio foi em 1986 (Revap), a Petrobras voltou a investir em refino na última década: modernizações e expansões (revamp) e, posteriormente, novas refinarias, entraram na planilha de investimentos da petroleira. Qual tem sido a participação a Honeywell nessas revamps de unidades de refino no Brasil? Qual o projeto mais emblemático?

F.C. – Não dá para detalhar, pois foram utilizadas soluções de diversas divisões, que forneceram para o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e à Refinaria Abreu e Lima – refinaria do Nordeste (Rnest). Mas participamos de projetos da carteira de diesel e gasolina, em fases distintas. Mas posso dizer que o empreendimento mais emblemático para a Honeywell é, sem dúvida, o das refinarias Premium I e II, no Nordeste. Tanto pelo projeto em si como pelos valores envolvidos. É mais significativo ainda pelo fato de marcar a retomada da implantação de refinarias no Brasil e por ser um reconhecimento do valor da tecnologia Separex da UOP, a unidade da Honeywell responsável por essa demanda.

P&E – As mudanças efetuadas nos projetos não impacta a participação da Honeywell, que vai fornecer tecnologias de hidrocraqueamento e hidrotratamento para a produção de diesel?

F.C. – Não acredito porque é uma solução de engenharia, de projeto. A expectativa é que esses empreendimentos avancem e todos possam participar desses empreendimentos. Inclusive a HPS, que está habilitada a fazer todos os sistemas de automação dos processos a serem implantados na refinaria.

P&E – Quais as soluções mais demandadas pelo setor: automação de processos, segurança, fogo e gás?

F.C. – O foco está cada vez mais passando para a área de negócio, não mais no operacional. Ou seja: buscam-se soluções que possibilitem a redução de custos e aumento da produção, daí a importância das nossas soluções na área de eficiência energética, que geram valor para o cliente.

P&E – Depois da crise de 2008, houve uma pisada no freio por parte da Petrobras nos investimentos em automação e controle Já está havendo uma retomada nesse sentido?

F.C. – Sem dúvida, após a crise, os projetos de investimento foram reduzidos ao máximo. Mas no contexto geral o cenário é positivo, hoje. Acredito que o mercado vai retomar o esforço nesse sentido, da automação industrial, até por conta dos fatores econômicos a que nos referíamos antes (redução de custos e aumento da produção), além de segurança, confiabilidade etc. Já há alguns projetos de grande porte que estão começando a acontecer, na área de celulose, por exemplo, assim como começam a decolar os investimentos no setor de óleo e gas.

P&E – Na área de offshore vocês também vêm ampliando a participação. Em 2013,a Honeywell fechou dois contratos com a Petrobras, para fornecer tecnologia de sistemas de membrana para processar gás natural a bordo de unidades de produção. Um teria sido para oito replicantes que vão atuar na bacia de Santos, e o segundo contrato, para quatro plataformas flutuantes de produção, armazenamento e transferência (FPSO) da estatal, que poderão ser as unidades da cessão onerosa. Vocês continuam firmes nestes projetos?

F.C. – Podemos estar juntos ou não com a UOP, que é quem fornece essa tecnologia de membranas. Mas é difícil mapear onde estamos, porque participamos de projetos específicos, que não podemos detalhar, até mesmo por contrato. Afinal, em muitos casos a HPS faz a automação dos processos que a UOP fornece. Daí as duas estarem hoje na mesma divisão PMT – Performance Materials and Technologies.

P&E – O fato de cada vez mais os processos serem transferidos para o fundo do mar, para sistemas submarinos, torna o processo de automação mais complexo?

F.C. – Para a Honeywell, é transparente o fato de que o que fornecemos hoje para o setor offshore, seja para processos realizados no top side ou no fundo do mar, são soluções integradas, que podem ser aplicadas nas duas condições. São tecnologias prontas, sob medida, já integradas e que estão disponíveis, podendo ser aplicadas de imediato. Não teremos que adaptar ou inventar nada.

P&E – Assim como outras empresas, além de produtos, cada vez mais há uma ampliação dos serviços oferecidos, tanto na instalação de um novo produto, como na manutenção de sistemas. Qual o peso dos serviços na Honeywell, hoje?

F.C. – Isso não é tendência e sim uma realidade na empresa. Esse é um dos nossos pontos fortes, pois temos a estrutura e infraestrutura de serviços para atender ao mercado. Nem todas as empresas que oferecem serviços têm isso. Serviço é extremamente importante para a Honeywell. Tanto que estamos fazendo algo pouco comum no setor de automação: estamos escutando o mercado. Não estamos levando os engenheiros para os projetos e sim os projetos para os engenheiros. Também é importante lembrar que oferecemos hoje soluções e serviços para todo o ciclo de vida de um sistema. E temos algo que poucas empresas do setor de automação têm: soluções que se mantém em operação há 50 anos, integradas com o que temos de mais moderno. Esse é o resultado de uma filosofia adotada pela Honeywell, de zelar pela permanência e otimização do ativo.

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