Entrevistas

Entrevista: ANP aperta fiscalização e pede resultados

Bia Teixeira
2 de dezembro de 2013
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    Petróleo & Energia, Carvalho: meta é queimar menos de 3% do gás natural nas plataformas

    Carvalho: meta é queimar menos de 3% do gás natural nas plataformas

    Aumentar a produção e reduzir a queima é a meta da ANP. A afirmação é de Florival Rodrigues de Carvalho, diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que desde junho de 2011 acompanha de perto a exploração e a produção de hidrocarbonetos no país, uma das atribuições de seu cargo. O tema petróleo é recorrente na vida deste alagoano que fez carreira em Pernambuco, onde se formou engenheiro químico e se especializou em engenharia de segurança pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE, 1984), fazendo em seguida mestrado e doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp, 1989 e 1996).

    Sua trajetória profissional soma experiência em três áreas correlatas. O petróleo e o gás natural passaram a fazer parte do dia a dia na última década, durante a qual passou pelo menos sete anos na ANP: a primeira vez, entre 2004-2005, como assessor do ex-diretor Haroldo Lima, retornando em 2007 para assumir a Superintendência de Planejamento e Pesquisa, cargo no qual permaneceu até ser nomeado diretor.

    Mas foi nos segmentos petroquímico e sucroalcooleiro que Florival deu os primeiros passos no mercado de trabalho. Como engenheiro químico, atuou nas áreas de pesquisa, desenvolvimento, acompanhamento de processo, projeto e operação industrial, tanto na Cia. Petroquímica do Nordeste – Copene (hoje Braskem), em Camaçari-BA, quanto na Usina de Açúcar e Álcool Bom Jesus (Cabo-PE).

    Nesta entrevista exclusiva, concedida cinco dias antes do leilão de Libra (ver reportagem sobre o leilão na pág. 38) o diretor da ANP antecipava um bom resultado “para todos”, afirmando que, mais além do pré-sal e da fiscalização, uma das prioridades da agência é cobrar ações das operadoras para recuperar a curva de produção de petróleo no país, em queda há mais de um ano.

    Petróleo & Energia – O Brasil tem chances de mais do que dobrar suas reservas somente com o pré-sal. Qual a expectativa da ANP para este ano, em termos de reservas provadas? O senhor acredita que vai ser agregado um volume significativo até o dia 31 de dezembro?
    Florival – Aprendi na ANP que, a despeito do tempo e dinheiro gastos para se descobrir uma reserva de petróleo, não é suficiente encontrá-la: além de descobrir, é necessário desenvolver o campo e produzir a custos competitivos. A notificação de descoberta é apenas uma declaração de indício. E há uma longa e difícil jornada entre a declaração de comercialidade e a produção. Hoje, concretamente, o Brasil tem 15 bilhões de barris em reservas prováveis e outro tanto em reservas possíveis. Em 2013 não houve declarações de comercialidade significativas. Até o final do ano teremos algumas, mas a expectativa é de aumento da reserva brasileira apenas em 2014.

    P&E – Por que só em 2014?
    Florival – A ANP aprovou a antecipação do TLD (teste de longa duração) para o campo de Franco, uma das seis áreas da cessão onerosa (as outras são: Entorno de Iara, Guará Sul, Florim, Tupi Nordeste e Sul de Tupi, além de uma área contingente, Peroba). O TLD vai possibilitar à Petrobras ter informações substanciais sobre os reservatórios, as quais vão dar mais garantias à sua declaração de comercialidade.

    P&E – Quando a Petrobras tem de fazer essa declaração de comercialidade?
    Florival – Pelo Programa Explora­tório Obrigatório (PEO), específico do contrato de Cessão Onerosa, a Petrobras teria até setembro de 2014 para fazer essa declaração de comercialidade. Ressalte-se que a lei permite prorrogar em até dois anos esse prazo, desde que seja bem justificada. Mas vemos um esforço muito grande da Petrobras para fazer a declaração de comercialidade de todos os campos sob este regime de cessão até setembro do próximo ano, começando por Franco, onde já perfurou mais de um poço. Quanto ela vai declarar de volume, ainda não sabemos. Além disso, a Petrobras antecipou em dois anos a perfuração do poço em Sergipe-Alagoas, que estava prevista para 2015, e já obteve resultados bastante animadores.

    P&E – Qual a expectativa da ANP quanto ao potencial da cessão onerosa?
    Florival – Contratamos a consultoria Gaffney-Cline para nos auxiliar nesse processo de reavaliação de toda a área da cessão onerosa até o final de 2014. Vamos cubicar cada campo – em termos de reservas prováveis, de volume de óleo in place –, agregar os dados econômicos e gerar o modelo de desenvolvimento para chegar a uma definição quanto aos preços do barril de petróleo para cada um desses prospectos. Ou seja, a Petrobras fará com estes campos o que a ANP fez com Libra, para realizar o leilão. O desenvolvimento dos campos de Lula e de Sapinhoá também nos dará respaldo técnico nessas análises.



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