Energia

Energia Solar – Geração sustentável e próxima do consumo oferece vantagens

Nelson Valencio
19 de agosto de 2012
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    NORMAS EXIGEM QUALIDADE

    As normas que favorecem a maior adoção de SFCR não se limitam à Aneel. O Inmetro também está ativo e seu foco são os inversores usados no país. Em janeiro do ano passado, o órgão divulgou a Portaria MDIC 004, que trata da revisão de avaliação de conformidade para sistemas e equipamentos para energia fotovoltaica. Com a ação do Inmetro, 246 modelos de componentes fotovoltaicos, de 40 marcas diferentes, foram avaliados quanto à relação entre consumo e eficiência energética.

    A análise envolveu módulos com tecnologia de silício cristalino e filmes finos. No caso da primeira, a maioria (56%) deles foi classificada no nível A, ou seja, de melhor eficiência, sendo os demais distribuídos entre as outras quatro classes (B a E), com 12,2% no fim da fila. Dos oito painéis com tecnologia de filmes finos, metade foi enquadrada na classe D, seguido de três na classe B. Com isso, pode-se dizer que a maior parte dos módulos certificados no Brasil (97%) usa tecnologia de silício cristalino e estaria classificada entre A e B (eficiência energética).

    O aperto de qualidade para os sistemas também vem da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com a edição de três normas: a PN 03:082.01-001, que trata dos requisitos elétricos do inversor para a interconexão de sistemas fotovoltaicos à rede elétrica de distribuição; e a PN 03:082.01-002, sobre antiilhamento para inversores do SFCR. Neste último caso, a norma estabelece um procedimento de ensaio para avaliar o desempenho das medidas de prevenção de ilhamento utilizadas em sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica. “É uma garantia clara para a segurança das concessionárias de energia”, explica Zilles, da USP.

    A terceira é a PN 03:082.01-003, que estabelece procedimentos de ensaios para inversores para sistemas fotovoltaicos conectados à rede elétrica. A ABNT mantém uma comissão de estudos para tratar de instalações elétricas de sistemas de alimentação fotovoltaica, que vai abordar as instalações elétricas principais.

    A Windeo Green Futur não é alemã, e sim belga, mas aposta no momento da energia solar fotovoltaica no Brasil, de acordo com o seu diretor operacional local, Alexandre Bretzner. Com investimentos iniciais de R$ 2,5 milhões, o mercado da empresa é a microgeração e a minigeração. O valor aportado no Brasil envolve basicamente o estoque de componentes para usinas eólicas e solares – ou projetos híbridos. Enquanto as torres eólicas serão importadas dos Estados Unidos, os painéis solares virão da China. “Precisamos incentivar a indústria local. Mesmo com impostos, os módulos solares importados ainda estão, em média, 70% mais baratos”, explica.

    Bretzner aposta em projetos que adotem a energia solar em horários de pico, com foco em instalações comerciais e industriais e em residências de alto padrão. Com payback médio de dez anos no Sudeste, o especialista acredita que a tecnologia da Windeo possa se pagar em menos tempo nos estados do Nordeste, dependendo do tipo de instalação. Para avançar no Brasil, a empresa criou uma base de atendimento no Sul-Sudeste, com equipe própria e modelo turn key, e está fechando uma parceria com instaladores para atender outras regiões do país.

    Parte do entusiasmo do executivo da Windeo é compartilhada por Renato Mangussi, diretor da divisão de energias renováveis da Tecnometal. A empresa é a primeira corporação brasileira a iniciar a produção de módulos fotovoltaicos no Brasil, com base na sua operação em Campinas-SP. Com know-how da norte-americana Spire (maquinários), a companhia mineira (tem sede em Vespasiano-MG) montou linha com capacidade instalada para produção de módulos equivalente a 25 MW anuais. Hoje, ela opera entre 15% e 20% desse volume, o que já era esperado, segundo ele. Na avaliação do executivo, a capacidade máxima deve ser atingida no final do ano que vem, justamente quando entra em vigor a legislação de micro e minigeração preparada pela Aneel.

    O diretor da Tecnometal aposta no incremento de projetos futuros de mais de 1 MW de potência, fato que deve reduzir o preço atual da tecnologia, viabilizando projetos industriais e privados. “Existem consumidores de energia elétrica que pagam uma tarifa mais elevada e têm interesse em produzir energia limpa”, argumenta Mangussi. Para ele, a concorrência com empresas chinesas, algumas delas praticando dumping, na avaliação dele, deve ser combatida pelo suporte da companhia brasileira. “Não vamos competir por preço, mas por atendimento diferenciado, com assistência técnica local”, explica. Ele destaca que o posicionamento da Tecnometal será o de provedor completo, em regime turn key. A meta da divisão comandada por Mangussi é agressiva: atingir de 40% a 50% do faturamento do grupo até 2014, percentual hoje na casa de 5%. O que não será obtido nem na sombra e nem com pouca brisa.



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