Energia

Energia Solar – Geração sustentável e próxima do consumo oferece vantagens

Nelson Valencio
19 de agosto de 2012
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    De acordo com a executiva, a Resolução 482 também foi um passo impulsionador importante, porém as incertezas em relação à questão tributária, em torno da compensação de energia, podem ser um limitador da adoção da alternativa solar. Em relação às usinas, Renata avalia que as iniciativas devem ser incentivadas por ações como os leilões específicos de energia, ciclo combinado com outras fontes intermitentes de geração e comercialização de blocos de energia no mercado livre, todos apoiados por uma política de subsídios, como aconteceu com outras fontes renováveis.

    “Economicamente, a energia solar não tem como disputar nos leilões. Novamente, a ideia é diversificar a matriz energética brasileira”, complementa Passos, do Instituto Ideal. Segundo ele, o país já funciona como uma “grande pilha”, representada pela geração hidrelétrica. “O objetivo das fontes alternativas é desonerar essa pilha quando for possível, reduzindo a necessidade de investimentos em mais redes de transmissão, quando é possível ativar a produção mais próxima da carga”, avalia. O especialista lembra que mesmo na Alemanha, onde a energia solar avançou bem, a participação dessa fonte não chega a 10% da matriz.

    MUNDO PREFERE CONEXÃO

    A produção mundial de módulos fotovoltaicos deu um salto de 118% entre 2009 e 2010, segundo a revista Photon International. Os dados foram indicados por Roberto Zilles, professor do Laboratório de Sistemas Fotovoltaicos do Instituto de Eletrotécnica e Energia, da USP. No total, o volume de módulos geraria cerca de 27.213 MWp (megawatt pico). Já em 2011, a produção de módulos continuou crescendo, mas não no mesmo ritmo: 36%. Com isso, no ano passado, seria possível gerar 37.185 MWp. Se compararmos a potência que poderia ser gerada com o volume de painéis fabricados com os novos sistemas conectados à rede, somente em 2011 – com 27.700 MWp –, houve um excedente de cerca de 10.000 MWp. Considerando a somatória atual, observa-se que o mercado europeu responde por 75% da potência instalada mundial, que é de 67.400 MWp. Além de majoritariamente europeia, a energia solar produzida também está conectada à rede. Dados mundiais de 2009 indicam que esse índice chega a 96%. Zilles avalia que essa alta taxa esteja relacionada aos fortes incentivos governamentais europeus.

    Rafael Takasaki Carvalho, gerente do Departamento de Planejamento de Sistema da Eletrosul, concorda com o executivo do Instituto Ideal. Para ele, os SFCRs podem ajudar a reduzir o consumo ao longo do dia e contribuem para que o setor energético tenha menos perdas na rede, evitando a expansão do próprio sistema de transmissão. “Nossa usina, por exemplo, não vai demandar o uso de solo, mas será instalada em telhados, e fica próxima ao centro urbano de Florianópolis”, explica, referindose ao projeto da geradora de energia com capacidade para 1 MW, listado entre os novos empreendimentos de médio perfil. 

    Para Carvalho, a viabilidade da compra de energia solar fotovoltaica vai além do cálculo do MWh. “Há compradores que não estão escolhendo apenas pelo custo, mas por uma questão de filosofia corporativa que prioriza o investimento em fontes limpas. Avaliamos que disponibilizar lotes pequenos de energia solar, caso de 100 kW anuais, não representaria 0,5% da energia consumida por clientes médios, o que é quase insignificante, mas atenderia a uma demanda de sustentabilidade dessas empresas e poderia viabilizar outros projetos de geração solar fotovoltaica”, argumenta o especialista da Eletrosul. De acordo com ele, a estatal está analisando a venda – via leilão e no mercado livre – da energia solar gerada a partir de outubro, usando os mecanismos da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

    Em Salvador-BA, a Coelba (empresa do grupo Neoenergia) aproveitou superfícies livres do Estádio Metropolitano de Pituaçu para instalar painéis fotovoltaicos para tornar a praça esportiva autossuficiente em eletricidade. Fruto do investimento de R$ 5,5 milhões, divididos entre Coelba (52%) e Estado da Bahia (48%), o sistema foi inaugurado em abril e tem capacidade nominal de geração de pico de 400 kW. A energia não aproveitada pelo estádio será repassada para prédios administrativos daquele estado. O projeto foi desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina, com apoio técnico da agência alemã GTZ.

    Mapeando a qualidade da energia – Construindo a usina com orçamento próprio, a Eletrosul vai investir os recursos incentivados pela Chamada 13, da Aneel, para estudar os desdobramentos da conexão à rede. No caso dela, a interligação à infraestrutura da Celesc, distribuidora regional de Santa Catarina, vai acontecer mediante uma subestação já ativa na Eletrosul, distante 150 metros do prédio da empresa onde serão alocados os painéis solares. “Temos uma conexão física direta, um ramal de distribuição, como se fosse um condomínio”, explica Carvalho. Mesmo sem essa infraestrutura já ativada, ele avalia que a interligação entre uma usina solar e a distribuidora não seria um desafio de grande envergadura.



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