Energia Solar – Geração sustentável e próxima do consumo oferece vantagens

Projetos híbridos – Passos agrega exemplos mais recentes, como o da Eletrosul, que vai ativar uma usina de 1 MW, usando seus prédios na capital catarinense como base, e ainda ao já citado Tauá, da MPX, cuja estimativa final de capacidade estaria por volta de 50 MW, formando uma grande usina solar de energia urbana, interligada à Coelce, a distribuidora de energia cearense. Para o especialista, todos os projetos atuais estão mapeando os principais desafios da interligação de fontes solar fotovoltaicas às redes de distribuição, daí o cordão umbilical não ter sido cortado ainda. Para Zilles, os estudos, as normas técnicas etc., que parecem ser um caminho mais lento, na verdade, representam o caminho seguro para o país avançar na adoção do SFCR. A própria integração de usinas solares aos parques eólicos é um dos desdobramentos possíveis.

“Podemos ter aplicações de geração fotovoltaica em parques eólicos, o que tornaria mais competitiva a participação de quem detém uma infraestrutura eólica, ou seja, os sistemas de transmissão já instalados”, argumenta o pesquisador da USP. Além disso, as duas formas de geração também são complementares, principalmente considerando a alta capacidade dos parques eólicos durante a noite e o pico de produção de usinas fotovoltaicas durante o dia. Zilles levanta até os cálculos que avaliam o nível de ocupação de áreas no entorno de parques eólicos para a instalação de usinas solares. O Nordeste seria favorecido em casos de integração como esses, pois, além de ter seus parques eólicos normalmente instalados em locais inóspitos para o plantio, a região também sai na frente em potencial.

Um mapeamento da energia produzida de fonte solar, divulgado pelo Portal Solar Energy, indica que os índices podem chegar a 2.400 kWh/ m²/ano em algumas regiões. Baseado nesse material, Zilles adotou três situações para avaliar o cálculo do custo do MWh fotovoltaico no Brasil. No primeiro caso, a menor estimativa média seria de 1.570 kWh/m²/ano, o que levaria a um fator de capacidade (CF) de 13,4%. Considerando uma estimativa de 1.860 kWh/m²/ano, esse fator subiria a 15,9%. Se o valor for de 2.200 kWh/m²/ano, o CF seria de 18,8%. Os números estão próximos ao de outros índices de produtividade avaliados por instituições como a Universidade Federal de Santa Catarina (14%), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (13,8%) e Cepel (14,7%).

Considerando o fator de capacidade, o pesquisador da USP agregou outros componentes, caso dos valores de módulos solares e dos inversores. Entram nessa conta também os impostos incidentes, principalmente sobre os inversores, que pagam desde imposto de importação até PIS e Confins. Os módulos também são atingidos pelo trio, mas escapam da incidência de IPI e do ICMS. Sem entrar em detalhes dos cálculos e adotando as informações de Zilles, o quadro montado pelo pesquisador indica que o preço turn key, ou seja, de um projeto entregue pronto para ser operacional, pode oscilar entre a média de R$ 160/MWh até R$ 620/MWh.

Esses valores estão considerando os CFs já citados acima. Uma faixa realista, levando-se em conta todos os itens discutidos, seria entre R$ 500 e R$ 600 o MWh, um valor bem acima dos leilões de energia mais recentes, nos quais o custo de energia eólica tem tido como teto os R$ 100/MWh. Apesar disso, um projeto de SFCR poderia ser viável, pois a tarifa elétrica aplicada por algumas concessionárias, caso da Celmar e da Celtins, oscilam entre R$ 600 e R$ 700. Ou seja, um consumidor que pague essas tarifas poderia, teoricamente, pensar em ativar uma solução solar e ainda acumular créditos com sua concessionária atual.

Petróleo & Energia, Rafael Takasaki Carvalho, gerente do Departamento de Planejamento de Sistema da Eletrosul, Energia Solar - Geração sustentável e próxima do consumo oferece vantagens
Rafael Takasaki Carvalho mostra telhado que receberá ainéis fotovoltaicos

Para Renata Menezes Lourenço, gerente de produto do Sistema Fotovoltaico, da Schneider Electric, o custo dessa energia ainda não pode ser comparado com outras formas de geração via recursos renováveis. Executiva envolvida com a instalação de minigeração em estádios para a Copa de 2014, entre outras iniciativas, ela lembra que sua corporação não gera energia, mas é especializada em soluções de gerenciamento da produção de projetos isolados ou de fazendas ou parques solares. “Acreditamos no crescimento progressivo e sustentável do mercado de mini e microgeração, mesmo porque há análises da Aneel que mostram a viabilidade da geração fotovoltaica no mercado residencial em vários estados”, explica.

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