Energia

Energia Solar – Geração sustentável e próxima do consumo oferece vantagens

Nelson Valencio
19 de agosto de 2012
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    Os sistemas fotovoltaicos conectados à rede (SFCR) em grande escala dão seus primeiros passos no Brasil. Para Mauro Passos, presidente do Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas da América Latina (Ideal), organização não governamental baseada em Florianópolis, o cenário atual dessa fonte de geração é similar ao da energia eólica há cinco anos. “Havia poucos parques e a presença de fabricantes era mínima. Hoje, a eólica está consolidada, com players internacionais atuando no país”, explica. Para ele, os defensores da fonte solar estão na fase de apresentação dessa modalidade, uma etapa que envolve provar como ela é sustentável e viável. “Um diferencial da modalidade é que a geração está próxima à fonte de consumo, evitando grandes investimentos em transmissão”, argumenta. Alexandre Bretzner, diretor Operacional da Windeo, um dos mais recentes players da área solar no Brasil, completa o ponto de vista de Passos, lembrando que existiriam cerca de 65 milhões de m² de telhados virgens no país, prontos para receber módulos solares.

    Petróleo & Energia, Coelba (Neoenergia) gera 43,5 MWh/mês, em média, no Estado de Pitaçu, Energia Solar - Geração sustentável e próxima do consumo oferece vantagens

    Coelba (Neoenergia) gera 43,5 MWh/mês, em média, no Estádio de Pitaçu, na Bahia

    Aqui vale uma primeira ressalva para explicar exatamente do que estamos tratando. Como SFCR, entende- se qualquer sistema de energia solar fotovoltaica que esteja interligado a uma rede de distribuição de energia. É o caso da instalação de 11 kWp (quilowatt pico) da Chesf, ativada em 1995 e considerada a primeira do gênero no Brasil. De acordo com Roberto Zilles, professor e pesquisador do Laboratório de Sistemas Fotovoltaicos do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP (IEE-USP), o país teria 1,6 MW em operação de SFCR. Os dados são referentes ao período entre 1995 e outubro do ano passado.

    Excluindo os SFCR, o Brasil teria outros 30 MW de energia solar ativados, porém com uma diferença: são sistemas isolados, que incluem tanto soluções que usam a energia solar para aquecer chuveiros como as instalações de painéis fotovoltaicos para bombeamento de água. Nesse segundo caso, há cerca de 3 mil dessas soluções ativadas, em que a energia solar movimenta um grupo motobomba, fornecendo água em regiões sem suprimento ou com suprimento deficiente de energia elétrica tradicional. Além de viável, esse tipo de aplicação elimina o uso de geradores a diesel.

    Apesar dos primeiros passos, a energia solar fotovoltaica integrada à rede é insignificante em relação às outras fontes renováveis, mesmo em comparação com a eólica, que já ultrapassou os 1,5 GW de geração (contra os 1,6 MW citados acima do SFCR). Mas há uma série de incentivos para a modalidade solar, com destaque para as resoluções mais recentes da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Uma das mais importantes é a Resolução Normativa 482, de abril desse ano, que estabelece as condições para acesso de microgeração (até 100 kW) e minigeração (de 100 kW até 1 MW) aos sistemas de distribuição de energia elétrica. A norma também cria o mecanismo de compensação de energia. A legislação já deu um novo impulso aos fabricantes de olho nesse mercado, a exemplo da Windeo e da Tecnometal (veja reportagem nessa edição).

    E já há mudanças visíveis no perfil dos empreendimentos, embora a ligação desses projetos com iniciativas de pesquisa e desenvolvimento (P&D) ainda não possa ser descartada por completo. Os dados do professor Zilles, da USP, indicam que havia 64 instalações de SFCR em operação (de 67 instalados) até outubro do ano passado, sendo a maioria delas com o cordão umbilical de P&D. São projetos como o do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica da Eletrobras (Cepel), de 16 kWp, no Rio de Janeiro, ou o da Chesf, de 11 kWp, o pioneiro do país. A diferença é que eles passaram a ter a companhia de iniciativas de maior peso, como o empreendimento Tauá, do grupo MPX, instalado no ano passado no Ceará e com capacidade para 1 MW. Ele faz parte da chamada 13, ou melhor, do Projeto de P&D Estratégico 13 – Arranjos Técnicos e Comerciais para inserção da Geração Solar Fotovoltaica na Matriz Energética, lançado pela Aneel em agosto de 2011.

    O porte dos empreendimentos inclui plantas de Furnas, Chesf e da Tractebel (3 MW cada), da Copel (um de 3 MW e outro de 1 MW), e de outras empresas, todos eles entre 500 KW e 1,5 MW de potência instalada. De acordo com os registros da Aneel (novembro de 2011), havia 30 projetos listados na agência, sendo que apenas o de Tauá aparece como operacional, com 1 MW. Aqui novamente há outra mudança no perfil dos empreendimentos, que passam a ter, em média, 30 MW de capacidade. Eles são 26 do grupo dos 30 citados acima. Resultado: se todos fossem ativados, teríamos 785 MW de capacidade, um salto realmente quântico em relação à potência atual dos SFCR.

    “A geração solar fotovoltaica não compete com outras fontes, caso da hidrelétrica, que é preponderante na nossa matriz. Ela complementa o sistema e permite o desafogo de investimentos”, avalia Passos, do Instituto Ideal. Como exemplo, ele detalha que o pico de consumo de energia em shopping centers acontece exatamente no momento do dia em que o sol está mais intenso. “Adotar a geração solar para ativar os equipamentos de arcondicionado é uma das alternativas que mostra a viabilidade da energia solar como complemento às fontes tradicionais”, detalha. Segundo o executivo, há casos de distribuidoras de energia brasileiras que já investigam um programa de aluguel de telhados para usar como base de instalação de sistemas de geração solar fotovoltaicos. “Nada mais sensato do que isso, considerando que temos perdas entre 15% e 20% na transmissão de energia conven- cional entre as fontes de geração e os centros de consumo”, argumenta. Ele lembra que somente na Alemanha, líder na adoção da matriz solar, há mais de um milhão de telhados solarizados.



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