Energia

Energia eólica – Parques apresentam diferenças de comando

Nelson Valencio
26 de maio de 2012
    -(reset)+

    De acordo com Élbia Melo, presidente executiva da ABEEólica, há três tipos de empreendedores envolvidos na construção dos parques eólicos, sendo as empresas tradicionais do setor elétrico o primeiro deles. Estão nesse grupo empresas pertencentes ao grupo Eletrobras (Eletrosul, Chesf, Furnas e Eletronorte), além de Tractebel e CPFL, para ficar em alguns exemplos. Há modelos em que o negócio foi pensado como uma divisão da área de renováveis, caso do escolhido pela CPFL, apontada como uma das maiores do país no segmento eólico. Em outros casos, os investimentos acontecem, mas ainda não têm um direcionamento claro dentro da estratégia da empresa-mãe.

    Um segundo grupo ganha corpo, formado por entrantes e sem tradição no setor elétrico. Nesse rol estão a Renova Energia e a Bioenergy. Inclui também grandes empreiteiras, como Galvão Engenharia e Odebrecht, e companhias cimenteiras, como a Brennand. “Eles vieram para ficar”, antecipa Élbia.

    No terceiro time, ela escala dois subgrupos: um de grandes investidores, principalmente fundos privados, que podem investir para depois vender; e outro subgrupo com empresas que têm um objetivo mais temporário, algo como “pegar a senha” nos leilões para depois negociá-la. Diferentemente dos “pegadores de senha”, os investidores de fundos privados pensam a médio e não a curtíssimo prazo, e buscam associações com especialistas do mercado. A estratégia, nesse caso, é realmente investir no empreendimento para repassá-lo às empresas do setor.

    Representante do segundo grupo, a Galvão Energia, braço da construtora de mesmo nome, tem 94 MW de geração eólica ativos no parque com duas usinas que construiu no Rio Grande do Norte. Nessa mesma região, a empresa avalia que poderá ampliar a potência instalada em mais 250 MW. Essa potência poderá ser concretizada com a participação da empresa nos leilões A-3 e A-5 deste ano, ou mediante oferta ao mercado livre. Os objetivos da empresa, no entanto, são maiores, conforme explica seu presidente, Otávio Silveira. “Temos um portfólio de 1,3 GW em potência, sendo que 1 GW é de geração eólica e os outros 300 MW provenientes de projetos de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs)”, explica.

    Petróleo & Energia, Élbia Melo, Presidente executiva da ABEEólica, Energia eólica - Parques apresentam diferenças de comando

    Élbia: perfil dos empreendedores pode ser classificado em três tipos

    Apesar de a totalidade dos projetos atuais ser de geração eólica, o executivo adianta que a empresa continua acreditando nas PCHs. Mas a opção eólica está mais resolvida. Em termos de financiamento, a Galvão Energia conseguiu viabilizar 70% do total investido nos parques atuais, assumindo com capital próprio os outros 30%. Como a holding é uma das maiores construtoras do Brasil, a empresa resolveu trazer um grupo de especialistas da empresa-mãe para coordenar a construção dos projetos e não contratar diretamente sua coirmã. “Ganhamos uma equipe de especialistas e criamos um cenário de transparência. Os fornecedores serão escolhidos pela qualidade”, complementa.

    O conhecimento da região também contribuiu para que a empresa criasse módulos adequados aos novos projetos a serem leiloados. As áreas foram divididas pela potência instalada, que totaliza, em média, 30 MW. Com isso, a Galvão pode montar uma oferta variável, combinando a participação nos leilões de acordo com a tarifa oferecida. A pesquisa sobre fator de capacidade foi elaborada com a contratação de consultoria especializada que adota o período de um ano como tempo padrão de observação. Com os dados coletados, os especialistas podem estimar a produção de energia, deixando para a Galvão a otimização do projeto, em conjunto com o parceiro tecnológico.

    O desempenho dos ventos é extremamente importante, pois uma velocidade abaixo de três metros por segundo não vai gerar nenhuma potência nos aerogeradores de 2 MW. Se, por outro lado, os ventos atingirem mais de25 metrospor segundo é hora de parar o aerogerador para não danificar o equipamento. No parque atual de 94 MW, a Galvão Energia trabalha com um fator de capacidade líquido de 47%.

    A Renova Energia é outro player do setor e possui uma carteira que inclui tanto PCHs como parques eólicos. Segundo seu diretor administrativo-financeiro e de relações com investidores, Pedro Boas Pileggi, a estrutura com capacidade para 294 MW, prevista para ser finalizada em julho deste ano, será a maior da América Latina. Sozinho, o parque terá uma potência maior do que toda a geração do Paraná, mas enfrenta um problema na área de transmissão. Além da ativação das instalações na Bahia, a empresa deve avançar nas turbinas contratadas em 2010 e 2011. Nesse último caso, estão previstos investimentos de R$ 725 milhões para a construção de nove usinas eólicas que devem entrar em produção daqui a dois anos.

    O perfil da Renova Energia tem sido de forte ganhadora dos leilões na área eólica. No leilão de reserva de 2009, ela respondeu por 17% do total contratado. Um ano depois, a empresa abocanhou 18% do leilão de reserva e, no ano passado, outros 25,3% de toda a energia licitada no leilão A-3.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *