Energia

22 de setembro de 2014

Energia eólica: Leilões devem suprir déficit de transmissão, com atraso

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Publicado por: Petroleo e Energia
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    Petróleo & Energia, Usina Eólica Alegria, no Rio Grande do Norte

    Usina Eólica Alegria, no Rio Grande do Norte

    Por Marcia Mariano

    O Brasil é um dos poucos países no mundo com potencial para autossuficiência energética. Com seus 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território e recursos naturais exuberantes, é um celeiro para utilização de todos os tipos de fontes de energia: hidrelétrica, eólica, solar, biomassa, entre outras. Entretanto, a combinação de escassez de chuvas, falta de planejamento e baixo investimento no setor está criando um ambiente de incertezas para o crescimento da economia que pode comprometer o desenvolvimento futuro.

    Petróleo & Energia, TABELA 1 - Capacidade de escoamento de energia

    Capacidade de escoamento de energia

    Para tentar reduzir os prejuízos – acumulados com a elevação dos custos resultantes da compra de combustíveis para abastecer as usinas termelétricas (mais caras que as hidrelétricas), atualmente suprindo 24% da eletricidade do país – o governo federal decidiu antecipar os leilões para licitação de linhas de transmissão, abrangendo inclusive usinas eólicas.

    A transmissão, aliás, é o principal gargalo na infraestrutura brasileira no que se refere ao setor de elétrico. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), essa antecipação dos leilões está sendo feita em áreas com grande potencial para construção de usinas.

    A decisão visa evitar o descasamento que ocorreu no ano passado, quando parques eólicos do Nordeste, como no Rio Grande do Norte e na Bahia, ficaram sem funcionar por falta de linhas de transmissão para transportar a eletricidade para as centrais de distribuição e delas, finalmente, para os consumidores.

    Antecipação dos leilões – A EPE enviou para Petróleo&Energia um quadro das linhas de transmissão previstas para as Regiões Nordeste e Sul do Brasil, para contemplar as usinas eólicas vencedoras dos leilões deste ano e dos próximos. Algumas redes já estão até licitadas, com previsão do início das obras em 2017, como exibe a Tabela 1.

    Petróleo & Energia, Grafico 1 - Matriz Elétrica Brasileira (GW)

    Matriz Elétrica Brasileira (GW)

    A EPE também informa que serão realizados em 2014 mais dois leilões para geração de energia: o A-5, 28 de novembro, e o Leilão de Reserva, em 31 de outubro, que trará pela primeira vez a energia solar como produto único, ou seja, sem concorrer com outras fontes energéticas. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por sua vez, confirma o leilão 04/2014, anunciado em agosto, para contratação de serviço de transmissão de energia elétrica nos estados do Rio Grande do Sul, Pará, Mato Grosso, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Tocantins e Amapá. Porém, antecipa que apenas o Lote A é destinado atender às usinas eólicas. Serão leiloados nove lotes, com investimentos previstos de R$ 5,6 bilhões para expansão das linhas e subestações de transmissão.

    Com os novos empreendimentos, serão adicionados aproximadamente 4.600 km de linhas à rede atual. A Aneel, que não tem informação sobre o atual déficit de linhas de transmissão para suprir os parques eólicos brasileiros, confirma que a antecipação do leilão do Lote A ajudará o escoamento da energia de usinas eólicas localizadas no estado do Rio Grande do Sul. “O edital ainda não foi aprovado, precisamos da aprovação para mais detalhes”, informa a assessoria da Aneel, acrescentando que o prazo para a entrada em operação comercial das instalações é de 30 a 42 meses após o dia 15 de janeiro de 2015, data da assinatura dos contratos.


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