Energia da Venezuela volta a ser importada pelo Brasil

Fornecimento foi cortado pelo país em 2019; objetivo é abastecer o Estado de Roraima

Na sexta-feira, dia 4 de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um decreto que autoriza o que a energia da Venezuela volte a ser importada pelo Brasil. O objetivo é adquirir energia produzida pela hidrelétrica de Guri, na Venezuela, para abastecer o estado de Roraima. O estado ainda não está conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e depende totalmente da geração de usinas termelétricas.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a assinatura desse decreto não só permitirá a compra de energia da Venezuela, mas também iniciará a interligação de energia na América do Sul. Isso possibilitará a realização de contratos para a importação de energia limpa e renovável, proveniente da usina de Guri, que desempenhará um papel importante na garantia de energia barata e sustentável a Roraima.

Entenda a volta da energia da Venezuela ao país

Até 2019, a maior parte da energia consumida em Roraima era importada da Venezuela. No entanto, o governo de Nicolás Maduro rompeu o contrato de fornecimento devido a uma crise energética no país e desacordos com a administração de Jair Bolsonaro (PL). Desde então, o estado tem sofrido com apagões frequentes.

O decreto foi assinado em Parintins (AM), durante uma cerimônia que marcou o relançamento do programa Luz Para Todos e a implementação do programa de descarbonização da Amazônia. Entre as obras planejadas está o Linhão de Tucuruí, que interligará Boa Vista (RR) ao SIN. No entanto, essa obra de R$ 2,6 bilhões só deve ser concluída em 2025.

As novas expectativas

Com a autorização de importação de energia da Venezuela e a futura inauguração do Linhão, substituindo o sistema de geração isolado, espera-se uma redução nos custos da Conta de Consumo de Combustíveis, um subsídio pago por todos os brasileiros na conta de luz. Isso resultará em tarifas de energia mais baixas nos próximos anos, de acordo com o governo.

O decreto também traz mudanças nas competências do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico), que será responsável por avaliar propostas de importação, deliberar sobre preço, volume e possíveis diretrizes adicionais, levando em consideração os benefícios econômicos da importação e a segurança energética do sistema atendido. O CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) será responsável por definir políticas nacionais de integração do sistema elétrico e a integração com outros países.

Venezuela tentou entrar nos BRICs recentemente

No dia 31 de julho, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou que seu país apresentou uma proposta formal para ingressar no grupo BRICS, composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Durante sua participação em um programa de TV, Maduro expressou sua esperança por uma resposta positiva ao pedido.

O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou seu apoio à adesão da Venezuela durante a visita de Maduro a Brasília, em maio.

Em julho, a África do Sul anunciou que 22 países haviam enviado solicitações formais de adesão ao BRICS, e aproximadamente o mesmo número havia feito pedidos informais.

A próxima cúpula do BRICS está programada para ocorrer em Joanesburgo, na África do Sul, de 22 a 24 de agosto.

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