Energia Elétrica

Eficiência Energética – Programa incentiva uso racional da eletricidade

Nelson Valencio
4 de outubro de 2011
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    Nada menos que 18% da energia elétrica produzida no Brasil tem sido desperdiçada pela eficiência no seu aproveitamento. Os dados são de Leandro Rivetti, engenheiro de soluções energéticas da Cemig, para quem essa porcentagem equivale a quase duas vezes e meia a produção da distribuidora mineira. Ele não sabe precisar quanto desse percentual é de responsabilidade dos consumidores finais, mas, assim como outras concessionárias, a empresa tem um programa especialmente dedicado a mudar esse quadro.

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    Copel apoia a troca de lâmpadas em semáforos

     

    Por determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), as distribuidoras são obrigadas a aplicar pelo menos 0,5% de sua receita operacional líquida em ações de combate ao desperdício de energia, o que consiste no Programa de Eficiência Energética das Empresas de Distribuição. O PEE determina ainda que 60% do valor citado acima deve ser direcionado aos consumidores de baixa renda. Para essa parcela da população, a ação das distribuidoras consiste na substituição de lâmpadas incandescentes por fluorescentes, a troca de chuveiros elétricos e até de geladeiras, essa última em menor grau. A palavra troca ganha destaque porque perfaz outra exigência da Aneel, ou seja, tudo o que for recolhido precisa ser descartado.

    Na Copel, concessionária paranaense, o programa para atendimento dos consumidores de baixa renda começou mapeando as cidades com maior concentração dessa população. De acordo com Ana Maria Kersting Battaglin, gerente do Departamento de Utilização de Energia, área responsável pelo PEE da distribuidora, 83 cidades estão sendo cobertas em 2011. Há cinco anos, a empresa começou com os três maiores municípios do Paraná e foi avançando. A média de clientes atendidos pelo programa oscila entre 60 mil e 80 mil.

    Como não se limita à substituição de lâmpadas, chuveiros e geladeiras, a ação da Copel começa com uma palestra, na qual os consumidores alvo são convidados a conhecer o programa. “A apresentação acontece em três dias, e pedimos no ato do convite que as pessoas tragam lâmpadas incandescentes para trocar por fluorescentes compactas de 15 watts, entregues no kit, composto também por um folder”, explica Ana Maria. Independentemente de comparecer ou não à palestra, a população focada recebe a visita técnica da distribuidora. Nas residências visitadas, um técnico segue um roteiro predeterminado de check list para fazer o diagnóstico energético da casa, inserindo os dados num computador de mão.

    O processo inclui a quantificação dos habitantes e a identificação dos hábitos dos moradores, quantas lâmpadas e aparelhos eletrodomésticos possuem e tempo médio de banho. Outra etapa de coleta de informações foca em um eletrodoméstico estratégico: a geladeira. Na inspeção, os técnicos devem ficar atentos ao estado do refrigerador, avaliando se ele tem mais de dez anos de uso, se o motor apresenta barulho, além de identificarem se a borracha da porta está em bom estado, dados complementados pelo modelo e cor do aparelho. “No caso de refrigeradores tão antigos que não podem ser mais identificados pelo modelo, a cor é uma informação importante. Aparelhos marrons ou amarelos, aqui no Sul, geralmente são antigos, com mais de dez anos”, explica a executiva da Copel.

    A avaliação mais detalhada da geladeira se justifica porque, da média de 60 mil clientes visitados anualmente, cerca de 20 mil são selecionados para passar por uma avaliação que escolhe 10 mil para receber um novo refrigerador em troca do velho. “Há uma restrição de custo/benefício imposta pela própria Aneel, razão pela qual também definimos critérios técnicos além dos sociais para a distribuição dos equipamentos”, explica.

    A busca pela maior eficiência energética também contempla a substituição de chuveiros elétricos. Os critérios principais envolvem o número mínimo de quatro pessoas usuárias de um banho diário em cada residência. A troca significa tirar de circulação aparelhos com potência de 5.400 watts e substituí-los por novos chuveiros com potência de 3.200 watts, equipados com um recuperador de calor, que confere um conforto térmico do chuveiro antigo, sem o consumo real do aparelho trocado. Assim como no caso do refrigerador, a ação da distribuidora é acompanhada de um reforço educacional para falar sobre a necessidade de economia de recursos.

    A média de economia dos chuveiros novos é de 20%, índice verificado em campo. A distribuidora mede o consumo antes e depois da ativação dos novos aparelhos. O mesmo procedimento é seguido para as geladeiras, cujas residências contempladas são acompanhadas durante sete dias. Nesse último caso, a economia é ainda maior: 40%. Na troca das lâmpadas, a aferição é imediata e a adoção de modelos fluorescentes compactos de 15 watts permite uma diminuição de consumo em torno de 45%.

    Petroleo & Energia, Troca de geladeiras velhas por novas e eficientes derruba consumo energético, Programa incentiva uso racional de eletricidade

    Troca de geladeiras velhas por novas e eficientes derruba consumo energético

    Com a experiência de cinco anos seguidos, a Copel também aperfeiçoou seus programas, sem deixar de atender aos ditames da Agência. Um exemplo é o recuperador de calor, permitindo a redução da potência dos chuveiros. As boas práticas de personalização, aliás, estão sendo aplicadas em outra frente das ações de aumento de eficiência, como a substituição de iluminação de cerca de 200 escolas por ano, uma das metas mais recentes da distribuidora. “Firmamos um convênio com o governo do estado para a substituição de lâmpadas e reatores, que nesse caso são completamente descartados. Não há uma troca, sendo um investimento a fundo perdido, autorizado pela Aneel e destinado a clientes sem fins lucrativos”, adianta a executiva. O projeto deve ser efetivado nos próximos quatro anos.

    Também sem previsão de contrapartida é o fornecimento de iluminação, geladeira, recuperador de calor e chuveiro em conjuntos habitacionais populares, beneficiando moradores transferidos de áreas de invasão. A inserção de painéis solares para aquecimento de banho é outra frente de ação nesses condomínios e em outras áreas da Copel, como as comunidades indígenas e quilombolas. “Cada ação depende da região. Em Palmas, por exemplo, não faz sentido adotar o recuperador de calor por se tratar de um local com temperaturas médias altas”, informa Ana Maria. Terras indígenas, por exemplo, possuem algumas vezes uma instalação elétrica precária, razão que justifica a substituição adicional da fiação.

    Além das instituições sem fins lucrativos, os 40% de recursos não alocados para a população de baixa renda são direcionados a projetos realizados via chamada pública, com foco na área comercial e industrial. Se o cliente for uma instituição sem fins lucrativos, o processo libera o parceiro da Copel para que ele realize a contratação da mão de obra e do sistema de energia elétrica, caso dos condicionadores de ar, por exemplo. Mas o órgão fiscaliza detalhadamente a obra, como manda a Aneel. Nessa circunstância, o processo deve funcionar via licitação.

    Se o cliente for uma empresa privada, deve incluir a cotação mínima de três prestadores de serviço ou fornecedores de produto, com preços compatíveis de mercado. Além disso, firma-se um contrato de desempenho, que avalia os resultados da melhora de eficiência. Apesar da redução do número de empresas que participam dessa modalidade, a Copel registra vários projetos, incluindo hotéis e bancos. Nos dois casos, a ação passa pela troca do sistema de arcondicionado. Especificamente para os hotéis, a substituição acontece em sistemas individuais de quartos e na mudança da iluminação. Nos bancos, os projetos mais comuns envolvem a mudança do ar-condicionado central. “Temos casos de hospitais privados e públicos participando desse projeto”, diz.

    Na área de saúde pública, a Copel selecionou os maiores hospitais do Paraná, processo feito por uma empresa especializada em eficiência energética, que listou 22 instituições e fez um mapeamento do que precisava ser trocado, caso da iluminação, sistemas de autoclave e frigobares. Baseado nos dados coletados, os engenheiros da Copel montaram projetos específicos para cada hospital. Nas prefeituras do estado, a ação da distribuidora consiste na troca da iluminação semafórica, priorizando as maiores cidades do Paraná. Saem de cena as lâmpadas incandescentes de 100 watts e entram as fluorescentes de 15 watts, com a modernização e redução de custos, inclusive de manutenção.

    Na Cemig, o programa de baixa renda também envolve a troca de componentes como lâmpadas e de aparelhos como chuveiros e geladeiras. A melhoria da eficiência energética da distribuidora tem outro destaque: o uso intenso de energia solar. Um exemplo é o projeto Conviver Solar. “Pegamos um total de 264 conjuntos residenciais da Cohab desde 2009 e passamos a instalar neles sistemas de aquecimento solar”, explica Rivetti. Foram 15 mil residências atendidas até agora, envolvendo investimentos de R$ 30 milhões. Selecionando residências que tenham pelo menos quatro pessoas, o Conviver Solar abarca casas com pelo menos 200 litros de reservatório de água e representa uma economia anual de R$ 2,3 milhões apenas com os banhos aquecidos pela energia solar.

    Petroleo & Energia, Eficiência Energética - Programa incentiva uso racional de eletricidade

    Rivetti: aquecimento solar reduz consumo sem prejudicar o banho

    Outra vertente é o Conviver Rural, focado na substituição de 1.044 sistemas de irrigação no projeto Jaíba, formado por pequenos produtores rurais. Com tecnologia defasada e com mais de 20 anos de uso, os agricultores começaram a ser atendidos em 2008. Para evitar o desperdício de energia elétrica no bombeamento, a Cemig instalou dispositivos de microaspersão ou por gotejamento, economizando também água. Mais leves e focados na raiz da planta, os novos equipamentos já permitiram uma redução de R$ 3,4 milhões na conta de energia elétrica.



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