EBDQUIM: Fórum reúne líderes globais da distribuição química

Schneider salienta que os pequenos clientes ainda tem receio de negociar com distribuidores de grande porte. “Há um desconforto, pois o pequeno cliente não se sente no mesmo patamar desse fornecedor, o relacionamento não evolui”, disse.

A diversificação de atividades, na direção de promover mix de produtos com mais itens de alto valor, como insumos farmacêuticos, não é uma saída para todos. “Mercados como farma, cosméticos e alimentos são muito regulados, exigem uma estrutura grande que é mais adequada para empresas maiores”, afirmou.

O mercado de produtos químicos industriais é mais aberto, permite mais opções de trabalho para a distribuição. Schneider recomenda que o distribuidor defina precisamente seus objetivos. “No caso das especialidades, elas podem acabar se commoditizando com o passar do tempo, é preciso saber lidar com isso”, comentou.

Em resumo, para ter sucesso, um distribuidor precisa ter produtos, bons preços e serviços, todos esses fatores adequados às necessidades dos seus clientes.

Amargando a crise – As palestras do dia 11 foram menos agradáveis, embora de conteúdo elevado. O economista e diretor da MB Associados José Roberto Mendonça de Barros traçou um panorama nacional e internacional do ambiente de negócios. “O modelo de crescimento adotado pelo governo federal está esgotado, a China brecou, os juros baixos no exterior acabaram, a demanda interna esfriou, estamos em uma crise fiscal violenta e as tais campeãs nacionais acabaram”, apontou.

Ele recomenda às empresas adotar posturas cautelosas, com ênfase em práticas que elevem sua eficiência. Para isso é fundamental fortalecer a área de inteligência de mercado, conter os gastos, preparar-se para atender a demanda cada vez mais fragmentada, e adotar estratégias regionalizadas. “Os profissionais devem ser treinados para aumentar a produtividade constantemente”, salientou.

Na sua avaliação, o mercado global está em fase de esfriamento, aumentando o temor quanto a uma recessão mundial. “O crescimento dos EUA está desacelerando e não há espaço por lá para aumentar os juros primários”, avaliou Mendonça de Barros. A Europa segue com problemas gigantes, o Japão ainda está em estagnação e a China, antes considerado o segundo motor da economia mundial, apresenta dúvidas quanto ao seu potencial efetivo de crescimento.

O especialista comentou a situação americana, na qual houve uma queda vertiginosa no desemprego, porém o salário real dos trabalhadores despencou. “O impacto tecnológico só beneficiou a 10% da população, e não a 30%, como se divulgou, os demais perderam renda. Aliás, a concentração de renda nos EUA é um dos problemas atuais mais importantes que se refletirá na campanha eleitoral deste ano”, comentou. Donald Trump e Bernie Sanders têm discursos voltados para os 90% (ou 70%) prejudicados, segundo informou.

Nesse quadro, a população americana está descontente. A maioria acredita que as gerações futuras terão uma vida pior do que a atual. “Isso é péssimo, indica falta de perspectivas”, disse.

A China fala em crescimento anual do PIB de 6%, mas poucos analistas ainda acreditam nas estatísticas oficiais. O país pretende mudar seu modelo de negócios, priorizando o mercado interno, reduzindo suas exportações. “Essa é uma transição traumática, com efeitos globais”, considerou. O crescimento do setor de serviços chinês é acompanhado da redução da atividade da indústria pesada, por exemplo, a siderurgia apresenta uma ociosidade gigantesca. Em 2015, a China perdeu US$ 1 trilhão em reservas (ainda tem US$ 3 trilhões), parte disso reflete a saída de empresas do país.

A América Latina apresenta diferentes desempenhos. Em geral, os países com saída para o Pacífico estão crescendo. Do lado Atlântico, a Argentina aparece como boa novidade, aproveitando a popularidade de seu novo presidente Maurício Macri, que está atraindo investimentos estrangeiros. “Esperamos que exista o tal efeito Orloff e, assim, nós seremos amanhã o que eles são hoje”, brincou o economista.

Nesse quadro, o Brasil vai muito mal, superando apenas a trágica situação da Venezuela. Esta perdeu totalmente o rumo com a queda do preço do petróleo. “Existe uma expectativa de recuperação das cotações internacionais de petróleo daqui a um ou dois anos, mas elas nunca mais voltarão a ficar acima de US$ 100 por barril”, afirmou. A explicação está no lado da demanda, pois a oferta é abundante. O consumo mundial de derivados de petróleo está caindo, como explicou. No Brasil, a Petrobras sofre com os efeitos da má gestão e ainda precisará de uns cinco anos para melhorar seus resultados. “Nunca mais vai ser a mesma”, vaticinou, com tristeza.

O lado bom da economia brasileira está no agronegócio. “O cenário para esse setor é excelente, mesmo com preços internacionais mais baixos”, afirmou Mendonça de Barros. Ele explicou: o setor agrícola está habituado a competir internacionalmente desde há muito tempo, e ainda carrega nas costas o peso das deficiências da infraestrutura brasileira. A elevação continuada da produtividade permite produzir com baixíssimo custo, conseguindo atender com vantagens o aumento da demanda chinesa por comida. “O preço do milho na China é três vezes maior que o da Bolsa de Chicago”, comparou.

Página anterior 1 2 3 4 5 6Próxima página

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios