Petróleo e Gás

Dutos – Estatal considera malha de dutos nacional pronta e encerra investimentos

Bia Teixeira
5 de agosto de 2011
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    Com uma malha de dutos ainda incipiente, dadas as dimensões do país e o incremento da produção de gás natural projetado para os próximos anos, a Petrobras definiu como concluído o programa de expansão da malha de transporte de gás natural que consumiu em torno de US$ 15 bilhões de 2007 até agora, quando a sua extensão superou a marca de 14,3 mil quilômetros, contra os pouco mais de sete mil km há cinco anos, quando a maior parte era constituída por oleodutos.

    Isso ficou claro no plano de negócios da estatal para o período de 2011-2015, que deu um corte significativo nos investimentos previstos para a área de gás e energia: os recursos projetados em US$ 17,8 bilhões no plano anterior caíram para US$ 13,2 bilhões no atual (passou de 8% para 6% a fatia de recursos para essa área). Na própria apresentação do plano de negócios na área de Gás e Energia da Petrobras, apresentado pela diretora Maria das Graças Foster, no início de agosto, está destacado o “fim do ciclo de investimentos” para a malha de gasodutos do país, que dobrou de tamanho em cinco anos.

    Os números são confirmados pela Transpetro (como é conhecida a Petrobras Transporte S.A.), subsidiária que executa as atividades de transporte e armazenamento de petróleo e derivados, gás natural e álcool, além de biocombustíveis, da estatal. Ela é quem opera os mais de 14 mil km de dutos – entre oleodutos e gasodutos – implantados pela Petrobras em todo o país.

    De acordo com a empresa, que respondeu à reportagem com um texto institucional, a diretoria de Gás Natural, criada em 2006 (oito anos depois da constituição da subsidiária), passou de2.950 kmde gasodutos em meados dessa década para7.321 kmem 2011, enquanto a malha de oleodutos terrestres hoje soma7.179 km.

    A Transpetro informou que, além da malha de gasodutos, opera os dois terminais de Gás Natural Liquefeito (GNL) existentes no país: o da Ilha d’Água, no Rio de Janeiro, e o de Pecém, no Ceará. A subsidiária da estatal brasileira também é responsável pelo Terminal de Cabiúnas, em Macaé-RJ, considerado o maior polo processador de gás natural do Brasil, com capacidade para processar diariamente 20 milhões de m³, um terço da produção nacional de gás natural.

    A Transpetro é responsável ainda pela operação de dez estações de compressão, localizadas em Taubaté-SP, Vale do Paraíba-SP, Campos Elíseos-RJ, Cabiúnas-RJ, Piúma-ES, Aracruz-ES, Prado-BA, Catu-BA, Coari-AM e Juaruna-AM. Essa infraestrutura logística abrange ainda a malha de dutos de transporte de petróleo, seus derivados e de biocombustíveis, bem como um total de 48 terminais terrestres (20) e aquaviários (28), que recebem a produção dos campos offshore e onshore de todo o país.

    Enquanto a maior parte do óleo é transportada para as refinarias espalhadas pelo país – outra parte do cru é exportada –, boa parte do gás natural segue pelos gasodutos terrestres até as distribuidoras. Hoje, os gasodutos transportam 46 milhões de m³/dia, de acordo com a Transpetro, e os oleodutos, 670 milhões de m³/ano de petróleo, derivados e etanol.

    Outros 30 milhões de m³ de gás natural/dia chegam ao mercado brasileiro através do Gasbol – Gasoduto Bolívia Brasil, percorrendo3.150 kmaté se mesclarem com o gás natural produzido no país, a fim de atender as concessionárias do sul e do sudeste do Brasil. Na realidade, a média de importação de gás pelo Gasbol neste ano gira em torno de 25 milhões de m³/dia.

    O trecho de2.593 kmdo Gasbol em território brasileiro é controlado pela Transportadora Brasileira do Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), responsável pela operação do maior gasoduto da América do Sul. Ele leva o gás boliviano, entre outros, para a Comgás, uma das principais concessionárias do país, que atende o mercado paulista, respondendo por algo em torno de 30% do gás consumido no país. Já a CEG e a CEG Rio, que comercializam cerca de 24% do total nacional, são abastecidas principalmente com o gás da Bacia de Campos, no norte fluminense, transportado pelos gasodutos da Transpetro.

    Esses dados constam do Boletim Mensal de Acompanhamento da Indústria de Gás Natural, do Departamento de Gás Natural da Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), no qual a extensão total da malha de gasodutos é de 9.235 km. Isso porque ele computa ainda o Gasbol e a Transportadora Sulbrasileira de Gás/TSB, as duas malhas que não estão sob o controle total da Petrobras.

    Essa malha adicional transporta o gás boliviano e brasileiro para as 27 companhias estaduais de distribuição de gás canalizado existentes no país, das quais 23 em operação, comercializando em torno de 47 milhões m³/dia (média do primeiro semestre de 2011). A participação da Petrobras em 21 dessas companhias corresponde a 25% do volume comercializado (11,4 milhões m³/ dia). Segundo dados da Transpetro, mais de 75% de todo o gás natural distribuído diariamente de norte a sul do país passa pela malha de gasodutos operada por ela.

    No planejamento estratégico da Petrobras, a previsão é que a oferta de gás natural no Brasil chegue a 78 milhões m³/dia (65% associado e 35% não associado ao petróleo) até 2015, e 102 milhões m³/dia (67% associado, 24% não associado e 9% de novas descobertas) até 2020. O que vai aumentar, ou melhor, quase triplicar a movimentação de gás natural na malha da Transpetro. Isso demandará investimentos expressivos tanto na rede de gasodutos como na capacidade de processamento existente. O que resultará na expansão das atividades da Transpetro na área de gás natural.



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