Distribuição: Suporte aos distribuidores para superar a pandemia

Resultados positivos – Embora ainda não tenha os dados definitivos da pesquisa que a Associquim realiza anualmente com seus associados, Medrano acredita que 2020 tenha se encerrado com ampliação do faturamento do setor, mesmo com redução dos volumes transacionados. Isso se explica pelo aumento dos preços dos produtos verificado ao redor do mundo, somado à desvalorização do real frente ao dólar (cerca de 30%). “Podemos dizer que o setor teve um resultado favorável, apenas”, avaliou.

O maior entrave encontrado pelos distribuidores no ano passado se refere às operações logísticas internacionais. “O problema começou na Ásia e se espalhou por todos os lugares, as companhias de navegação mudaram as rotas e frequências, complicando as operações comerciais”, informou. Nesse ambiente, os estoques da distribuição evitaram escassez ainda maior de insumos químicos. “Ainda hoje, persiste uma falta generalizada dos derivados de propeno, bem como de intermediários para química fina, estes muito dependentes da China e da Índia”, apontou.

As complicações logísticas diminuíram, mas ainda persistirão por algum tempo. Como explicou o presidente da Associquim, todas as cadeias produtivas globais estão desalinhadas e esse ajuste tomará algum tempo, podendo sofrer impactos de uma segunda (ou terceira) onda do coronavírus.

Segmentos consumidores como as indústrias de alimentos, produtos de limpeza, cosméticos e farmacêuticos ampliaram suas atividades durante a pandemia, aumentando as compras junto aos distribuidores especializados. Em compensação, produtos têxteis, calçados e bens duráveis registraram forte queda de vendas. “Como a distribuição é multiproduto e multissegmento, é possível promover uma adaptação rápida às variações de mercado”, considerou. “A crise reforçou o papel da distribuição nas cadeias produtivas e até ampliou nossa relevância, pois passamos a gerenciar estoques para a indústria e para os clientes.” Além disso, a oferta de serviços está se diferenciando, atendendo aos requerimentos dos clientes.

Como relatou, em 2020, até as grandes indústrias aumentaram suas compras dos distribuidores químicos, porque estavam rodando com baixa ocupação de capacidades e isso inviabilizava a importação direta de insumos. Nessa situação, era mais econômico comprar da distribuição local.

O encerramento das atividades fabris da Ford no Brasil é visto como um sinal de alerta para o Brasil. “A distribuição fornece muitos insumos para a indústria de transformação, caso esse fechamento de unidades se intensifique, vamos perder mercado; é preciso ter uma indústria de transformação forte não só para alavancar a distribuição química, mas para o crescimento do país”, advertiu Medrano.

Uma preocupação reside nos procedimentos que aliviam a carga tributária de produtos finais antes de afrouxar o laço das matérias-primas, comprometendo a competitividade da produção local. Do ponto de vista operacional alfandegário, Medrano elogia os avanços na informatização que se refletem na celeridade das liberações de mercadorias. “Na parte de exportações, o sistema já opera muito bem; nas importações ainda há avanços a fazer, mas está no prazo prometido”, considerou.

Além da pandemia, Medrano salientou que os problemas fundamentais de longa data do Brasil persistem. “Vivemos num manicômio tributário, o ICMS, por exemplo, precisa ser reformulado com urgência, está defasado, suas alíquotas são muito altas e prejudicam demais a atividade produtiva”, criticou. Além disso, há o Custo Brasil, conjunto formado por dificuldades logísticas, burocráticas e jurídicas que multiplicam os custos das empresas. De positivo, ele aponta a condução da política cambial, que se tornou mais transparente e previsível, reduzindo o risco das operações comerciais. “Para a distribuição, a flutuação constante da taxa de câmbio é mortal”, disse.

Pós-pandemia – Profundo conhecedor do comércio internacional, Medrano vê algumas mudanças no cenário global pós-pandemia. A vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais dos Estados Unidos iniciará uma nova abordagem das relações entre países. “Biden deve mudar a forma do relacionamento com a China, por exemplo, mas não o conteúdo, uma vez que a China se tornou um forte concorrente comercial e estratégico”, afirmou.

A nova administração dos EUA tende a voltar ao multilateralismo, abandonado no período Trump. “De modo geral, a tendência é de melhorar o ambiente comercial, afastando as questões ideológicas que atrapalham demais”, considerou. Além disso, a sua expectativa é de que o setor privado recupere a relevância nas discussões globais.

Quanto ao Brasil, Medrano entende que será preciso melhorar o desempenho nas questões ambientais, consideradas prioritárias pela administração Biden. “As cobranças nesse tema tendem a ficar mais fortes, mas podemos nos beneficiar disso se soubermos nos posicionar adequadamente”, comentou.

Um ponto crítico que merece melhor acompanhamento é a questão educacional. A pandemia fechou escolas e prejudicou crianças e jovens, especialmente os de mais baixa renda. “Cada vez mais, o desenvolvimento do país dependerá da educação e da capacitação dos jovens, a pandemia provocou mais um atraso na evolução do Brasil”, lamentou.

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