Economia

Distribuição: Suporte aos distribuidores para superar a pandemia

Marcelo Fairbanks
27 de março de 2021
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    Distribuição - Tecnologia da informação deu suporte aos distribuidores para superar a pandemia - Perspectivas 2021 - ©QD Foto: iStockPhotos

    Distribuição – Tecnologia da informação deu suporte aos distribuidores para superar a pandemia – Perspectivas 2021

    A capacidade de adaptação e a flexibilidade operacional permitiram à distribuição de produtos químicos no Brasil superar os desafios impostos pela pandemia da Covid-19 e seus reflexos nas cadeias produtivas. Porém, isso foi o resultado de muitos esforços, alguns iniciados há anos, como a digitalização dos procedimentos internos do negócio.

    Por sua vez, 2021 começou ainda sob o signo da incerteza, pois a doença ainda não foi controlada e coloca todas as atividades produtivas em posição de expectativa, evitando movimentos mais drásticos. “Essa doença afeta todos os aspectos do comércio: política de estoques, logística, formação de caixa, posição financeira e muito mais”, considerou Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim).

    Distribuição - Tecnologia da informação deu suporte aos distribuidores para superar a pandemia - Perspectivas 2021 - ©QD Foto: iStockPhotos

    Medrano: setor sofreu com problemas logísticos globais

    Ele apontou que a questão sanitária gera muita insegurança e afeta os negócios. “Os clientes não querem formar estoques porque não sabem se terão compradores nos próximos meses, então fazem compras cada vez mais picadas ao longo de cada mês”, comentou. Isso significa que cabe aos distribuidores arcar com a manutenção de estoques suficientes até para suprir picos de demanda, embora isso signifique pressionar o caixa das empresas. “Os juros estão baixos, é verdade, mas manter um caixa robusto é fundamental para a distribuição”, salientou.

    No ano passado, as empresas do comércio químico assumiram duas prioridades: a segurança de todo o pessoal e a confirmação da essencialidade das suas atividades, de modo a evitar paralisação. “É a distribuição que supre os fabricantes de produtos de higiene pessoal e de limpeza, fundamentais durante a pandemia”, explicou.

    Uma parte das empresas associadas à Associquim informou ter colocado suas equipes administrativas e comerciais no regime de trabalho em casa (home office) no início da pandemia. “Com o tempo, parte dessas equipes voltou aos escritórios, seguindo protocolos de higiene e distanciamento, hoje não sabemos como isso ficará em 2021, até porque há quem prefira trabalhar de casa”, considerou. Há casos de empresas que retomaram totalmente o trabalho presencial. O pessoal da área operacional foi mantido no sistema normal, porém com várias adaptações e cuidados para evitar contaminações.

    Medrano comenta que as distribuidoras de maior porte conseguiram se adaptar com mais facilidade ao sistema de trabalho remoto por terem investido ao longo de vários anos em sistemas de tecnologia da informação que apoiam essa alternativa. “Empresas de menor porte sofreram mais com isso”, comentou.

    Como reflexo, ele acredita que os investimentos do setor em digitalização, comunicação e automação sejam acelerados nas empresas do ramo a partir de 2021. “Quem já tinha esses sistemas levou vantagem na crise, quem ainda não está bem posicionado vai investir pesado daqui para frente, é uma tendência irreversível, como evidenciamos durante o mais recente Encontro Brasileiro da Distribuição Química, o EBDQuim, realizado em março do ano passado, antes da pandemia estourar por aqui”, ressaltou.

    Há anos divulgando a importância de o setor adotar sistemas de TI mais robustos e eficientes, Medrano considera que essas técnicas hoje são fundamentais, tanto na comunicação comercial – entre clientes e vendedores, ou entre vendedores e a empresa –, quanto nas operações de suporte (back office) que incluem análise de crédito, verificação de certificados, logística, câmbio e suprimentos. “Porém, não vejo como fazer a venda automática de produtos químicos mediante marketplaces, por exemplo, uma vez que se trata de produtos sujeitos a vários tipos de controles”, afirmou. “E a entrega é física, com muitos requerimentos de segurança e de meio ambiente, não é o mesmo de vender um livro ou músicas que são baixadas diretamente pela internet.” Ao mesmo tempo, vendas do tipo B2B com gestão de estoques de clientes são possíveis, ainda que pouco utilizadas por aqui.

    O uso mais intensivo de sistemas de TI muda um pouco o perfil dos profissionais do ramo. O dirigente setorial aponta que é preciso contar com gente qualificada para analisar as informações geradas em grande quantidade pelos sistemas. Isso também requer investimento.



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