Economia

Distribuição: Setor revê portfólio, reduz custos e aprimora serviços para manter vendas e margens

Marcelo Fairbanks
28 de julho de 2015
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    Os resultados da Univar (isoladamente) em 2014 foram os previstos no início do ano, porém inferiores aos de 2013. “Os meses anteriores à realização da Copa do Mundo foram muito ruins em negócios, o segundo semestre apresentou uma recuperação, mas não foi suficiente para reverter o estrago”, avaliou Quirino. A queda de atividade e os prognósticos para a economia local levaram a distribuidora a rever seu planejamento quinquenal, direcionando o foco para os mercados mais consistentes e evitar problemas com inadimplência de clientes. “Felizmente, a Univar possui uma visão de longo prazo para o investimento no Brasil, esperando resultados entre 15 e 20 anos”, explicou Quirino. Quando a companhia comprou a Arinos, aliás, antes da contratação do executivo, o mercado nacional vivia uma fase de euforia, com projeções de crescimento que acabaram não se confirmando.

    A expectativa inicial para 2015 era de obter crescimento em alguns segmentos, permanecer como está em alguns e sair de outros. “Com os dados dos primeiros cinco meses do ano, já podemos dizer que erramos as previsões, pois o ano se apresenta pior do que esperávamos, os segmentos industriais regrediram e até as linhas de life sciences, embora tenham crescido, reduziram o ritmo”, lamentou. “Como ficamos mais diversificados, será possível manter o resultado, a sinergia capturada na integração nos tornou mais sólidos.”

    Quirino prevê que a fase atual de turbulência econômica do Brasil deve perdurar por mais dois anos. Ele recomenda manter o foco no negócio, estimular o ânimo do pessoal e reafirmar os valores organizacionais. “Vamos apertar o cinto, exigir mais das pessoas e buscar aproximação maior com clientes e fornecedores”, apontou.

    Em tempos bicudos, os clientes sempre buscam cortar custos e o distribuidor pode oferecer pacotes de produtos e serviços que resultem em vantagens no cálculo final. “Também vamos dialogar com os fornecedores para buscar condições mais adequadas para o mercado”, disse.

    O cenário atual não indica nenhum tipo de desabastecimento de produtos. A Europa ainda está retraída e a recuperação dos EUA está sendo efetiva, mas não tanto quanto se previa. “Precisamos ter muito cuidado com os movimentos de comércio exterior, porque as importações estão ficando mais caras e arriscadas pela variação cambial e tributos”, considerou. Dessa forma, quando é possível contar com suprimento local, melhor para a dinâmica da cadeia produtiva.

    “Toda a crise é uma peneira, seleciona o mercado; quem souber aproveitar melhor as oportunidades vai permanecer”, afirmou. A Univar não descarta novas aquisições, porém será muito seletiva em investimentos. “Nosso foco em 2015 está na integração com a D’Altomare”, salientou.

    No panorama da América Latina, o Brasil está fazendo feio. “O México tem um PIB próximo ao brasileiro, mas sua taxa de crescimento anual é o dobro da nossa”, observou. Colômbia, Peru e Chile apresentam bons indicadores econômicos, embora sejam mercados menores que o Brasil. Já a Argentina é vista como uma boa oportunidade, para o futuro. “O setor de óleo e gás deles está avançando bem”, afirmou.

    A expansão da distribuidora na América Latina pode ser acompanhada pela evolução do seu quadro de pessoal. “Há quatro anos, só tínhamos operações no México, e contávamos com 50 funcionários; atualmente, com as aquisições da Arinos, Quimicompuestos (México) e D’Altomare, estamos com aproximadamente mil funcionários”, disse.

    Outra gigante mundial da distribuição química, a Brenntag conseguiu aumentar seu faturamento e rentabilidade na América Latina mediante a aquisição da Gafor Distribuidora, que mantinha operação especializada nos solventes especiais da ExxonMobil. As vendas regionais cresceram € 14,8 milhões, com avanço de 1,7% sobre 2013 (ou aumento de 4,5%, quando se expurgam os efeitos de variação cambial), chegando a € 864 milhões. O lucro bruto operacional somou € 169,5 milhões, com avanço de 3,6% (ou 6,1%, em moeda constante). O crescimento foi atribuído em sua maior parte ao volume adicionado com a aquisição. Ao mesmo tempo, as despesas operacionais foram aumentadas em 5,2% (ou 7,3%, em moeda constante) devido aos aumentos de custos com transportes e pelos gastos necessários à integração dos negócios da adquirida. O relatório anual da distribuidora ressalta que os números regionais ficaram aquém do projetado, sofrendo a influência do mau desempenho dos países em que opera, em especial no Brasil. Já no primeiro trimestre deste ano, as vendas registraram aumento de 19,7% (ou 5%, em moeda constante), atribuído aos negócios com produtos da Gafor.



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