Economia

Distribuição: Setor revê portfólio, reduz custos e aprimora serviços para manter vendas e margens

Marcelo Fairbanks
28 de julho de 2015
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    Burocracia, aliás, ainda povoa os pesadelos do setor no país. Mas houve avanços. “O Brasil assinou com a ONU um acordo de facilidades aduaneiras para comércio exterior e, com isso, os processos estão sendo acelerados”, comemorou o dirigente setorial. Os distribuidores nacionais estão atentos à oferta de produtos químicos no exterior, em várias localidades, com preços estimulantes. No entanto, esses empresários ainda não conseguem atuar como exportadores de itens locais, que seria uma forma de contrabalançar as operações de importação.

    “Um fato que preocupa muito a distribuição química é o aumento da importação de produtos finais para os consumidores, isso destrói a cadeia produtiva, a começar pelos nossos clientes”, afirmou.

    A distribuição brasileira mudou completamente o seu perfil nos últimos vinte anos, deixando para trás a imagem de atravessador que dificultava o relacionamento com os fabricantes e com os clientes. “Hoje, as distribuidoras brasileiras não ficam devendo nada em relação às congêneres dos Estados Unidos e Europa”, defendeu Medrano. Ele atribui à Associquim um papel de destaque na profissionalização, formalização e qualificação do setor, mediante iniciativas como o Programa de Distribuição Responsável (Prodir) e o Encontro Brasileiro da Distribuição Química (EBDQuim) – o próximo, aliás, já está marcado para março de 2016. Com perfil moderno, o setor se tornou interlocutor frequente dos governos e ganhou assento nos fóruns internacionais da atividade. “As distribuidoras brasileira tem governança melhor que as congêneres dos outros países do BRIC, possuem sistemas de tecnologia da informação avançados que permitem gestão integral e estão sólidas, embora tenham de conviver com as complicações trabalhistas e tributárias do país”, avaliou.

    Para os próximos anos, é possível esperar mudanças na geografia da distribuição química, ainda muito concentrada na região metropolitana paulista. “As indústrias consumidoras estão migrando para o interior de São Paulo ou para outros estados porque os terrenos estão ficando muito caros, as dificuldades para o trânsito de veículos de carga são cada vez mais complexas, bem como as exigências ambientais”, alertou.

    Outra mudança esperada por Medrano consiste no fortalecimento dos operadores logísticos qualificados em produtos químicos. “Isso deve crescer, pois eles facilitam os negócios dos distribuidores e evitam que estes imobilizem capital em instalações e frota”, considerou. Como a política atual é trabalhar com estoques mínimos, a necessidade de contar com bases operacionais de grandes dimensões diminuiu. “Já nos anos 90 comentávamos que havia ociosidade nas bases e ainda foram feitos mais investimentos em capacidades de armazenamento, isso não está mais no foco dos negócios”, avaliou.

    Petróleo & Energia, Quirino: portfólio ampliado ajuda a superar cenário ruim

    Quirino: portfólio ampliado ajuda a superar cenário ruim

    Aquisição virtuosa – Ao adquirir uma conceituada distribuidora de especialidades químicas, a D’Altomare, com foco nos segmentos cosmético e farmacêutico, além de uma operação com adesivos industriais situada em Manaus-AM, a Univar conseguiu com um só lance incrementar o faturamento e ingressar nos mercados mais atraentes do ramo. “Esse negócio foi muito bem sucedido, eram portfólios perfeitamente complementares, sem nenhum conflito de interesses com distribuídas ou clientes”, comentou Marco Quirino, presidente para a América Latina da Univar. “Os valores da D’Altomare são muito compatíveis com os da nossa companhia”.

    A operação plenamente integrada permitirá à Univar alcançar um faturamento 50% superior em relação ao do ano anterior, e com lucratividade maior, pois a adquirida atuava mais com as valiosas especialidades químicas do que com commodities. “Respeitamos muito o conhecimento de mercado e de produtos acumulado pela D’Altomare e pretendemos aproveitá-lo ao máximo, em sinergia com a nossa expertise”, salientou.

    Fechado o acordo de compra e venda em novembro do ano passado, o trabalho de integração das duas empresas começou em janeiro e deve se estender até o fim do ano, com a transferência das operações de Santo Amaro e Embu para a sede da Univar, em Osasco-SP, que está sendo reformada para tanto. O estoque de produtos embalados que a D’Altomare mantinha em Guarulhos-SP, alugado de terceiros, continuará em operação.

    Embora exalte o encaixe perfeito de portfólio e mentalidade entre as duas distribuidoras, Quirino observa que o trabalho de integração compreende superar várias dificuldades. A começar pela unificação dos softwares de operação e gestão, passando pela definição de estruturas de apoio (back office) e procedimentos.

    Nesse sentido, a Univar local estabeleceu três divisões de negócios: life sciences (no qual já contava com bons clientes, alguns deles globais, e a D’Altomare agregou um portfólio poderoso, a começar pela linha Dow Corning de silicones); industrial (no qual a Univar tem uma posição preponderante); e novos negócios, incluindo domissanitários, mineração e óleo e gás (as duas últimas são muito fortes na operação mundial da distribuidora).



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