Distribuição: Comércio químico resiste à crise e planeja ações para crescer no futuro

Petróleo & Energia, Krueder planeja ampliação dos negócios na América Latina
Krueder planeja ampliação dos negócios na América Latina

Futuro favorável – A economia brasileira voltará a crescer em 2017 e começará a reverter a crise assim que o atual governo provisório se torne permanente, com a conclusão do processo de impeachment da Presidente da República. Essa é a visão de Jan Krueder, presidente da Química Anastácio. “O humor do mercado já melhorou, o dólar está caindo em relação ao real, a confiança dos investidores aumentou e os juros podem começar a cair, assim como a inflação”, avaliou.

Ele vê na política de incentivos ao consumo desenfreado, mantida nos últimos dez anos, a raiz da fase atual de dificuldades econômicas do país. “Essa política era profundamente equivocada, gasto público não é investimento e isso levou a um grande desequilíbrio das contas públicas que deveria ter sido coberto com exportações de óleo e gás, mas os preços dessas commodities despencaram”, afirmou. “Quando se gasta demais, o ajuste precisa ser forte.”

Krueder informa que a Química Anastácio ampliou em 15% suas vendas em reais em 2015 e pretende crescer o mesmo percentual em 2016. “Nós sempre olhamos para o médio e longo prazos, por isso, estamos preparados para aproveitar oportunidades”, disse, ressaltando que a empresa já passou por várias crises anteriores que a prepararam para períodos difíceis.

O avanço de faturamento de 2015 pode ser atribuído pelo fato de a distribuidora ter ampliado o portfólio de produtos e ter ingressado em novos mercados. “A crise afetou quase todos os segmentos, até o de cosméticos registrou queda de vendas”, afirmou. A distribuidora atua em 14 segmentos diferentes, agrupados nas áreas de beleza e saúde (45% das vendas, compreendendo cosméticos, farmacêuticos, saúde animal e especialidades), industrial (45%, com borracha, plásticos, lubrificantes, household, poliuretano e agroquímicos), e nutrição (10%, insumos para alimentação humana, esportiva e animal). Cada segmento é considerado como unidade de negócios autônoma, com gestão, metas e investimentos separados, respeitando as especificidades de cada ramo. “Não adicionamos produtos ou entramos em novos mercados sem buscar rentabilidade, não fazemos concorrência predatória, mas buscamos relacionamentos estáveis com os clientes”, salientou Krueder.

É o caso do setor de borracha, um dos mais recentes na distribuidora. “Vamos participar pela primeira vez de uma feira desse setor, a Expobor, na qual mostraremos nossa linha de SBR, borrachas nitrílicas, aceleradores e vários aditivos, com preços competitivos, suprimento garantido e suporte técnico”, comentou.

A companhia também ampliou sua atuação na América Latina (está na Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Peru, Colômbia e Venezuela), contando com hubs logísticos na Argentina e na Colômbia, além da estrutura brasileira.

“Na América Latina, firmamos parcerias com pequenos distribuidores locais e avaliamos, quando oportuno, montar estruturas próprias, a exemplo da filial da Argentina, que será inaugurada em julho”, explicou. Essa filial contará com um portfólio menor que o oferecido no Brasil, até porque o mercado de lá representa aproximadamente um quinto do existente por aqui. A distribuidora planeja abrir uma filial na Colômbia em 2017, aproveitando o bom momento da economia local. “Nossa atuação internacional é requisitada por nossos clientes multinacionais”, disse.

A Anastácio é muito ativa em comércio internacional, com um setor interno dedicado a prospectar fontes de suprimento permanentemente. “Como importamos grandes quantidades de produtos e com regularidade, conseguimos ter mais estabilidade”, afirmou. A política de estoques foi mantida, buscando contar com 30 dias de capacidade de atender aos clientes com entrega imediata. Os volumes e frequências de compras variam conforme o mercado e as dificuldades operacionais. Segundo Krueder, importações de origem asiática demoram em média 75 dias e, atualmente, os clientes não estão conseguindo estimar a demanda futura com precisão. O distribuidor precisa ter flexibilidade para mantê-los abastecidos.

Para ele, ter estoque de pronta entrega é fundamental para o crescimento da companhia, mas é preciso contar com operações logísticas bem estruturadas e eficientes, para evitar aumentos de custos. No Brasil, está reforçando a estrutura de suas quatro filiais (Santa Catarina, Rio de Janeiro, Pernambuco e Manaus-AM), bem como da unidade situada no bairro do Anastácio. “Compramos o terreno contíguo ao das nossas instalações onde lidamos com líquidos e seu fracionamento, e construímos nele um galpão para armazenar produtos envasados”, explicou. Os sólidos ocupam galpões no bairro do Jaguaré. Para a distribuidora, contar com unidades espalhadas no território nacional é mais vantajoso do que construir um centro de distribuição grande. “É preciso olhar a distância entre a base de suprimento e o cliente, que não deve ser muito grande”, recomendou.

Buscando crescimento orgânico, a distribuidora amplia a cada mês seu portfólio, a partir de solicitações de clientes ou da oferta de fornecedores. “Somos procurados pelas duas pontas da cadeia porque podemos reduzir custos para ambos”, salientou. A Anastácio consolida cargas em Miami (EUA), Rotterdã (Holanda) e Xangai (China), trazendo contêineres fechados para o Brasil e região.

A fidelidade às distribuídas é relevante, especialmente nos itens para os mercados farmacêutico, de cosméticos e nutrição. Nas linhas industriais, o número de fornecedores é mais diversificado. “Temos três laboratórios próprios para analisar todos os itens e garantir sua qualidade”, informou.

Página anterior 1 2 3 4 5 6 7Próxima página

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Adblock detectado

Por favor, considere apoiar-nos, desativando o seu bloqueador de anúncios