Distribuição: Comércio químico resiste à crise e planeja ações para crescer no futuro

Petróleo & Energia, Reinaldo Medrano: IMCD compra líder em insumos farmacêuticos
Reinaldo Medrano: IMCD compra líder em insumos farmacêuticos

Reforço farmacêutico – A distribuidora global IMCD também reforçou sua posição no mercado brasileiro, no qual ingressou mediante a compra da Makeni Chemicals, há dois anos. Em dezembro de 2015, adquiriu a Selectchemie, especializada em ingredientes farmacêuticos, ainda em fase de integração de negócios. “Essa empresa é a líder no mercado farmacêutico, uma atividade muito exigente e com necessidades específicas que complementarão nosso portfólio”, avaliou Reinaldo Medrano, diretor presidente da IMCD Brasil.

Ele informou que o grupo IMCD atua com foco direcionado para especialidades químicas, com grande participação nas vendas globais. A disponibilidade de grande variedade de itens permite à subsidiária local ampliar sua posição de mercado. “Conseguimos obter algum crescimento em 2015 e pretendemos manter o ritmo em 2016, apesar das graves dificuldades que afetam os setores industriais no país”, comentou Reinaldo Medrano.

Como relatou, o setor de tintas, construção civil e têxteis amarga resultados ruins há dois anos, com velocidade crescente até a posse provisória do presidente Temer. “Depois disso, parece que esses setores pararam de cair, mas ainda não voltaram a crescer; isso deverá acontecer tão rapidamente quanto foi o movimento de queda”, prevê. Ele aposta que o PIB de 2017 já terá números positivos, pois a demanda reprimida dos últimos anos deverá responder a qualquer estímulo que se apresente.

As linhas de produtos voltadas para as ciências da vida (cosméticos, alimentos e farmacêuticos) mostram ter saúde para manter as vendas ou até mesmo crescer. “O setor farma é o que apresenta os melhores resultados para nós hoje, em parte porque o clima está estimulando a venda de remédios”, considerou.

Reinaldo Medrano aponta que a queda da atividade industrial era esperada e exigiu que os distribuidores reavaliassem seus estoques e os adequassem à demanda efetiva. Os custos também foram controlados com muita cautela. Mesmo assim, a rentabilidade da distribuição foi afetada. “Apesar da rápida adaptação, não dá para manter as margens, a crise é muito forte”, salientou. “Porém, já passamos por várias crises, até mais agudas do que esta, e sobrevivemos; acredito que o setor sairá fortalecido e mais eficiente depois disso”.

Como distribuidor da Basf, a IMCD Brasil está se beneficiando da inauguração das fábricas de ácido acrílico e acrilatos de Camaçari-BA. “Com produção local há um ano, estamos substituindo importações com vantagens na garantia de suprimento e redução de custos logísticos, além de cotar o produto em reais, reduzindo o peso do câmbio”, comentou, salientando a concorrência acirrada. A demanda pelo ácido acrílico glacial é crescente e evolui rapidamente, segundo o diretor. “O produto exige alguma expertise no manuseio e no transporte”, disse. No caso do acrilato de butila, os volumes negociados evoluíram, mas seus preços estão contidos.

A IMCD adota postura cautelosa para definir seus próximos movimentos, preferindo buscar o aumento da eficiência interna das operações e rever seus procedimentos. “Estamos no meio de um nevoeiro, é melhor esperar para se ter uma visão mais clara do mercado”, considerou.

O nevoeiro não se restringe ao continente sulamericano. O mercado mundial de produtos químicos é francamente vendedor, pois a demanda da China, Estados Unidos e Europa (os grandes centros consumidores) está fraca. Isso diminui os problemas de suprimento curto, que exigiam a manutenção de estoques elevados em poder dos distribuidores. “Operamos com níveis mínimos seguros de estoques, em alguns casos mais críticos podemos manter 90 dias de demanda prevista, em outros não”, explicou. Como o portfólio é amplo, a tendência é manter menor quantidade de itens de baixa rentabilidade e alto consumo de capital de giro.

A recente decisão da Inglaterra de abandonar a União Europeia, o chamado Brexit, adensou a névoa, colocando mais incertezas no ar. “O Brexit pode ser até bom para as exportações brasileiras, mas poderá ser muito ruim para todos se isso levar à fragmentação europeia, ou provocar desequilíbrios cambiais que fortaleçam o dólar”, avaliou Reinaldo Medrano. Ele aponta que as relações comerciais químicas com os ingleses não são muito relevantes para o Brasil.

Do outro lado do Atlântico, os Estados Unidos exibem indicadores econômicos positivos ao lado de uma crescente insatisfação da classe média, fenômeno que impulsiona a candidatura Trump. “A possibilidade de elegerem um governo de orientação radical também gera incerteza, pois seus efeitos podem ser ruins para o comércio global”, avaliou.

A visão clara de atuação no longo prazo evita movimentos temerários. “A crise não traz oportunidades para ninguém, quando elas aparecem, em geral, não são boas”, ressaltou. “Na crise, não é bom comprar, nem vender.” Antigamente, carregar estoques era um seguro contra flutuações cambiais ou majorações de preços. Hoje, inventários elevados significam apenas elevar custos e riscos, pois os preços tendem a cair.

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