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Distribuição: Comércio químico estuda meios para aproveitar as vantagens da nova revolução tecnológica – Perspectivas 2018

Marcelo Fairbanks
14 de fevereiro de 2018
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    Petróleo & Energia, Comércio químico estuda meios para aproveitar as vantagens da nova revolução tecnológica

    A distribuição de produtos químicos espera tempos melhores em 2018, mas acompanha com preocupação alguns fatores com potencial para prejudicar a evolução dos negócios. A maior indagação está no campo político e se refere a quem comandará o país a partir de 2019.

    Falando com base no faturamento dolarizado reportado pelas associadas, Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim), revela que o setor obteve a proeza de crescer entre 1,5% e 2% em 2017. “Considerando um possível avanço do PIB de 2% a 2,5%, em 2018, projetamos novo crescimento, entre 3% e 5%”, afirmou. O mais recente dado consolidado do setor, referente a 2016, aponta um faturamento de US$ 5,6 bilhões. Portanto, em 2017, as vendas totais podem ter passado de US$ 5,7 bilhões, com a expectativa de se aproximar dos US$ 6 bilhões em 2018, no melhor dos cenários. Em 2014, o faturamento da distribuição somou US$ 6,8 bilhões. Saliente-se que esses números precisam ser interpretados à luz das variações cambiais e da queda nos preços mundiais dos produtos químicos de uso industrial, além do comportamento de compras dos clientes. Ressalte-se que a lucratividade setorial melhorou em 2016, chegando a 2,98%, depois de ter amargado dois anos ruins, abaixo de 2%.

    Petróleo & Energia, Medrano: sem reformas, Brasil é menos atraente que vizinhos

    Medrano: sem reformas, Brasil é menos atraente que vizinhos

    O aumento de vendas registrado em 2017 foi mais intenso no segundo semestre, que representou um alívio para os empresários do setor, depois de quase dois anos de crise econômica. “A crise foi ruim porque criou um ambiente pessimista, ruim para os negócios, mas obrigou as empresas comerciais químicas a promover ajustes e aumentar sua eficiência operacional”, observou Medrano. “Quem sobreviveu até agora, portanto, emerge da crise mais forte”.

    O dirigente setorial foi reeleito para mais quatro anos no comando da Associquim (e do Sincoquim, sindicato estadual do ramo), a qual preside há um quarto de século – “será o meu último mandato”, garante –, além de ser membro atuante da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

    Medrano considera que o ambiente macroeconômico nacional é muito mais favorável no início de 2018 do que foi em 2017, e de alguma forma se descolou das encrencas políticas. A combinação de inflação e juros baixos com estabilidade cambial anima os empresários e estimula a investir. “As flutuações cambiais são mortais para o comércio, que depende de importações, portanto, ter câmbio estável é fundamental”, considerou.

    Em contrapartida, o quadro eleitoral para 2018 adiciona ampla margem de imprevisibilidade para as análises. “Percebe-se claramente que os investidores internacionais estão esperando para ver quem ganhará as eleições antes de fazer investimentos por aqui, eles querem ter segurança que as regras serão mantidas e que as reformas serão realizadas”, comentou Medrano. O Brasil está ficando para trás mesmo em relação aos países vizinhos, em termos de modernização institucional. Argentina, Colômbia, Paraguai e Chile já se atualizaram e melhoraram a capacidade de atração de investimentos.

    A reforma trabalhista promovida no ano passado pouco afetou a distribuição, na qual os contratos intermitentes (a sua maior inovação) não são usados. Medrano considera ter havido uma redução de instabilidades na relação capital-trabalho, que redundavam em passivos trabalhistas. Ele apontou a adoção ampla do sistema E-social como forma de reduzir a burocracia para as empresas. “Nós também gostaríamos muito que o governo reduzisse as obrigações acessórias tributárias, seria um grande avanço para reduzir custos para as atividades produtivas”, afirmou.

    O dirigente setorial cita como exemplo os avanços no Sistema de Comércio Exterior (Siscomex), que facilitam a vida das empresas. “O sistema exige respostas ágeis por parte dos órgãos anuentes, alguns já estão operando bem, outros se adaptando, mas melhorou muito”, afirmou. Por enquanto, o Siscomex funciona bem nas exportações, enquanto as importações começarão a ser feitas por meio dele em 2018, de forma escalonada.

    Além da política, Medrano considera que o fraco desempenho dos principais segmentos industriais clientes da distribuição nos últimos anos também preocupa. “A indústria brasileira não está acompanhando o aumento da produtividade mundial, por isso, a melhor situação da balança comercial se deve aos produtos primários, agrícolas ou minerais”, apontou. A exportação de automóveis cresceu em 2017, mas não há garantia que seja repetida neste ano. Por isso, Medrano torce pelo aprofundamento das relações comerciais no âmbito do Mercosul, nas relação com o México e os países do Pacífico, de modo a estimular o crescimento da economia local. “O acordo entre o Mercosul e a União Europeia deverá sair, isso retirará barreiras comerciais e abrirá novas perspectivas para a distribuição química, mas nossa indústria precisa avançar também”.


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