Distribuição: Comércio químico estuda meios para aproveitar as vantagens da nova revolução tecnológica – Perspectivas 2018

Petróleo & Energia, Comércio químico estuda meios para aproveitar as vantagens da nova revolução tecnológica

A distribuição de produtos químicos espera tempos melhores em 2018, mas acompanha com preocupação alguns fatores com potencial para prejudicar a evolução dos negócios. A maior indagação está no campo político e se refere a quem comandará o país a partir de 2019.

Falando com base no faturamento dolarizado reportado pelas associadas, Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim), revela que o setor obteve a proeza de crescer entre 1,5% e 2% em 2017. “Considerando um possível avanço do PIB de 2% a 2,5%, em 2018, projetamos novo crescimento, entre 3% e 5%”, afirmou. O mais recente dado consolidado do setor, referente a 2016, aponta um faturamento de US$ 5,6 bilhões. Portanto, em 2017, as vendas totais podem ter passado de US$ 5,7 bilhões, com a expectativa de se aproximar dos US$ 6 bilhões em 2018, no melhor dos cenários. Em 2014, o faturamento da distribuição somou US$ 6,8 bilhões. Saliente-se que esses números precisam ser interpretados à luz das variações cambiais e da queda nos preços mundiais dos produtos químicos de uso industrial, além do comportamento de compras dos clientes. Ressalte-se que a lucratividade setorial melhorou em 2016, chegando a 2,98%, depois de ter amargado dois anos ruins, abaixo de 2%.

Petróleo & Energia, Medrano: sem reformas, Brasil é menos atraente que vizinhos
Medrano: sem reformas, Brasil é menos atraente que vizinhos

O aumento de vendas registrado em 2017 foi mais intenso no segundo semestre, que representou um alívio para os empresários do setor, depois de quase dois anos de crise econômica. “A crise foi ruim porque criou um ambiente pessimista, ruim para os negócios, mas obrigou as empresas comerciais químicas a promover ajustes e aumentar sua eficiência operacional”, observou Medrano. “Quem sobreviveu até agora, portanto, emerge da crise mais forte”.

O dirigente setorial foi reeleito para mais quatro anos no comando da Associquim (e do Sincoquim, sindicato estadual do ramo), a qual preside há um quarto de século – “será o meu último mandato”, garante –, além de ser membro atuante da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Medrano considera que o ambiente macroeconômico nacional é muito mais favorável no início de 2018 do que foi em 2017, e de alguma forma se descolou das encrencas políticas. A combinação de inflação e juros baixos com estabilidade cambial anima os empresários e estimula a investir. “As flutuações cambiais são mortais para o comércio, que depende de importações, portanto, ter câmbio estável é fundamental”, considerou.

Em contrapartida, o quadro eleitoral para 2018 adiciona ampla margem de imprevisibilidade para as análises. “Percebe-se claramente que os investidores internacionais estão esperando para ver quem ganhará as eleições antes de fazer investimentos por aqui, eles querem ter segurança que as regras serão mantidas e que as reformas serão realizadas”, comentou Medrano. O Brasil está ficando para trás mesmo em relação aos países vizinhos, em termos de modernização institucional. Argentina, Colômbia, Paraguai e Chile já se atualizaram e melhoraram a capacidade de atração de investimentos.

A reforma trabalhista promovida no ano passado pouco afetou a distribuição, na qual os contratos intermitentes (a sua maior inovação) não são usados. Medrano considera ter havido uma redução de instabilidades na relação capital-trabalho, que redundavam em passivos trabalhistas. Ele apontou a adoção ampla do sistema E-social como forma de reduzir a burocracia para as empresas. “Nós também gostaríamos muito que o governo reduzisse as obrigações acessórias tributárias, seria um grande avanço para reduzir custos para as atividades produtivas”, afirmou.

O dirigente setorial cita como exemplo os avanços no Sistema de Comércio Exterior (Siscomex), que facilitam a vida das empresas. “O sistema exige respostas ágeis por parte dos órgãos anuentes, alguns já estão operando bem, outros se adaptando, mas melhorou muito”, afirmou. Por enquanto, o Siscomex funciona bem nas exportações, enquanto as importações começarão a ser feitas por meio dele em 2018, de forma escalonada.

Além da política, Medrano considera que o fraco desempenho dos principais segmentos industriais clientes da distribuição nos últimos anos também preocupa. “A indústria brasileira não está acompanhando o aumento da produtividade mundial, por isso, a melhor situação da balança comercial se deve aos produtos primários, agrícolas ou minerais”, apontou. A exportação de automóveis cresceu em 2017, mas não há garantia que seja repetida neste ano. Por isso, Medrano torce pelo aprofundamento das relações comerciais no âmbito do Mercosul, nas relação com o México e os países do Pacífico, de modo a estimular o crescimento da economia local. “O acordo entre o Mercosul e a União Europeia deverá sair, isso retirará barreiras comerciais e abrirá novas perspectivas para a distribuição química, mas nossa indústria precisa avançar também”.Desafios no comércio – As perspectivas para o avanço do comércio químico são amplas, mas também os desafios a serem vencidos. “Estamos vivendo um tempo de mudanças disruptivas que exigem adaptação rápida por parte de todos os agentes”, alertou Medrano. Ele recomenda ao setor se preparar, investindo em sistemas de inteligência artificial, gerenciamento de relações com clientes e outros, na linha da Indústria 4.0. “No mundo, clientes e fornecedores se ajustaram, ou estão se ajustando, as coisas andam meio devagar aqui no Brasil”, avaliou.

As discussões sobre market places químicos (plataformas que agregam vários fornecedores diferentes) estão de volta, mas Medrano considera que não devem prosperar na atividade, dada a complexidade operacional e os riscos envolvidos. “Grandes distribuidores mundiais podem montar suas plataformas próprias para e-commerce, sem atuar como market places”, considerou.

Apesar dos novos tempos, os distribuidores ainda garantem sua presença nas operações logísticas, que dominam muito bem. “Esse serviço é o que mantém viva a distribuição, não é só vender, é preciso entregar de forma eficiente os produtos”, comentou. Ele aposta na sobrevivência do comércio químico, estribado na prestação de serviços, mas será preciso fazer adaptações.

Um desafio que se intensificou nos últimos anos é a crescente consolidação da indústria química e também dos clientes, na outra ponta da cadeia. “A distribuição está bem no meio, vai sobreviver, mas deve se consolidar também”, recomendou. Ele apontou como exemplo as recentes aquisições de distribuidores norte-americanos por parte de empresas europeias.

No Brasil, as aquisições de empresas estrangeiras, como a da Makeni pela ICMD; da Arinos e D’Altomare pela Univar; e a da quantiQ pela GTM, entre outras, apontam nessa direção. “Ainda há espaço para fusões e aquisições no mercado nacional, mas os valores de negociação que estavam muito baratos até 2017 estão se recuperando, embora ainda sejam favoráveis para investidores estrangeiros”, avaliou. “O Brasil precisa se abrir mais para o mundo e fazer sua lição de casa”.

Ele reconhece que a distribuição brasileira se tornou mais dinâmica, especialmente na busca de fontes alternativas de suprimento em vários países. Em geral, como afirmou, Europa e Estados Unidos são boas fontes para commodities, pois contam com fretes mais vantajosos para cá. “A Ásia pode suprir as especialidades, como vinha fazendo, mas a China reduziu sua produção por razões ambientais, é preciso desenvolver novas fontes”. Dados do perfil setorial sobre 2016 mostram que 82% das distribuidoras brasileiras atuam com importação de produtos. A participação de importados no total vendido pela distribuição chegou a 42,1%, em valor, superando 2015, quando esse índice fora de 37,54%.

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