Economia

Distribuição: Comércio químico amplia relevância na cadeia produtiva

Marcelo Fairbanks
11 de abril de 2019
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    Petróleo & Energia, Preparado para suprir demanda aquecida, comércio químico amplia relevância na cadeia produtiva - Distribuição

    A distribuição de produtos químicos no Brasil começou 2019 com elevado estoque de confiança no desempenho do novo governo federal, que se traduz em apetite renovado para assumir riscos e expandir negócios. Em grande parte, essa confiança se justifica pelo fato de a nova equipe econômica ter feito um diagnóstico acertado das mazelas que impedem o desenvolvimento nacional.

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    “Resta verificar se os remédios prescritos serão capazes de debelar esses problemas”, ponderou Rubens Medrano, presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos Químicos e Petroquímicos (Associquim/Sincoquim). Nos últimos anos, o dirigente setorial se posicionou sempre como “otimista moderado”. Desta vez, ele se declarou otimista, sem adjetivação. “Passamos muitos anos de vacas magras, com erros continuados, só nos resta o caminho da recuperação, o mercado sente isso e está animado”, comentou.

    Ao apontar com clareza os problemas, sem dourar pílulas, Paulo Guedes e equipe deram um choque de realismo nos empreendedores locais, que já conheciam essas dificuldades, mas viram, com espanto, que governos anteriores adotaram posturas inadequadas. “Não é mais possível esconder que precisamos reformar a previdência social e a estrutura tributária, ambas com urgência”, salientou Medrano. Ele entende que o novo governo deve seguir a ordem das prioridades, ou seja, começar pela reforma previdenciária. “Para nós, a mera simplificação dos tributos já nos ajudará muito, mesmo sem reduzir a carga tributária.”

    Do ponto de vista do comércio químico, Medrano ressalta que é fundamental que toda a atividade industrial se fortaleça por aqui. “A indústria é o nosso cliente, quando ela vai mal, nós sofremos muito”, explicou. Ele ressaltou que ter um setor industrial forte é fundamental para o país, mas a iniciativa privada também precisa investir em modernização e ganhar competitividade. “Aquela época de produzir pouco e cobrar mais caro pelo produto, contando com reserva de mercado, acabou”.

    Por sua vez, a distribuição química fez sua lição de casa, construiu capacidades de armazenamento e estruturas para mistura e envase qualificadas, aprimorou suas equipes comerciais e técnicas, além de melhorar a gestão financeira. “O distribuidor hoje é uma peça fundamental na cadeia produtiva, prestando serviços para os clientes e também para os fabricantes”, afirmou Medrano. O comércio químico ganhou volume e qualidade desde o período do pós-guerra (anos 1940 em diante). Começou atendendo pequenos clientes que não eram interessantes para a indústria. Ganhou escala ao longo dos anos e reforçou sua presença com a agregação de serviços de vários tipos, com qualidade assegurada pelo Programa de Distribuição Responsável (Prodir). “Atualmente, o setor monta estruturas robustas de TI para atuar com vigor no comércio eletrônico, as grandes companhias já fazem isso”, comentou, enfatizando a necessidade de contar com um sistema de compliance eficaz.

    Setor se adaptou – A distribuição química possui grande capacidade de adaptação aos movimentos de mercado, com ampla flexibilidade para alterar seu mix de produtos e de segmentos atendidos. Essas características permitiram ao setor atravessar o recente período de crise sem registrar falências. Pelo contrário, houve fusões e aquisições importantes nos últimos anos envolvendo empresas brasileiras, casos de quantiQ, Coremal, Arinos, Makeni, D’Altomare, entre outros. Isso permitiu a entrada de players globais no mercado local, como Univar, IMCD, GTM e Pochteca, por exemplo.

    Atenta às necessidades dos clientes, a distribuição buscou novas fontes de suprimento no exterior, em particular das especialidades químicas, cuja produção local é escassa. Isso se refletiu no aumento da participação de itens importados no mix de vendas do comércio químico. “Há dez anos, o mix era composto de 80% de produtos nacionais e 20% de importados, atualmente, a participação nacional ainda é preponderante, mas a relação caiu para 60% e 40%, a venda maior de especialidades explica essa mudança”, comentou. Para Medrano, a indústria química brasileira precisa ficar atenta a esse movimento e investir para suprir a demanda. “Do ponto de vista do distribuidor, é vantajoso ter um fornecedor local.”



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