Demanda nacional por plásticos crescerá – Resinas

Plástico Moderno, Demanda nacional por plásticos crescerá, mas falta avaliar o impacto de eventuaus reformas

Plástico Moderno, Demanda nacional por plásticos crescerá, mas falta avaliar o impacto de eventuaus reformas
Marta prevê queda de preços de resinas no começo do ano

Assim como ocorreu no ano anterior, 2019 começou acompanhado pela fé no estabelecimento de uma conjuntura mais favorável para os diversos setores da economia nacional, incluindo a produção e comercialização das resinas plásticas, cujo otimismo nas projeções vem endossado pelo registro, na metade final de 2018, de resultados de vendas mais positivos. Porém, novamente como aconteceu no ano anterior, esse horizonte mais promissor é ensombrecido por algumas nuvens, originadas principalmente pelas incertezas sobre a implementação das reformas propostas pelo o governo para reorganizar e estimular a economia nacional.

Mesmo os índices gerais previstos para a expansão na demanda nacional por resinas no decorrer deste ano diferem pouco daqueles apresentados no início de 2018. Casos, entre outros, daqueles apresentados por Marta Loss Drummond, analista responsável pela área de resinas termoplásticas da consultoria MaxiQuim: “Em 2019, o consumo nacional de resinas deve crescer algo entre 3% e 4%”.

Esse crescimento, antevê Marta, será puxado pelos negócios com as indústrias automotiva, eletrônica, da linha branca e alimentícia, todas usuárias intensivas de polipropileno, cuja demanda deve portanto se expandir mais acentuadamente. “Por sua vez, o poliestireno, um mercado mais maduro, tende a apresentar consumo praticamente estável, enquanto o PVC, bastante demandado pela construção civil, deve apresentar baixo consumo, pois não se espera recuperação significativa desse mercado”, complementa a analista da MaxiQuim.

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Schettini: além das autopeças, PP vê avanço dos não-tecidos

A Braskem trabalha, porém, com projeções de crescimento de suas vendas tanto em PE quanto em PP. “Apesar de termos acompanhado uma oscilação na concorrência global, as perspectivas para 2019 são positivas. O crescimento do mercado brasileiro deve favorecer o posicionamento dos nossos produtos, com expansão em ambos os segmentos”, afirma Pier Paolo Pesce, responsável pela área de marketing de polietileno dessa empresa.

Usuários de PE e de PP, os fabricantes de embalagens certamente contribuirão para a expansão das vendas da Braskem, que devem receber impulso ainda das indústrias de bens duráveis, das montadoras automobilísticas e dos agronegócios. “Temos ainda a expectativa de recuperação do segmento de não-tecidos, cujos principais usos são fraldas, lenços e tecidos descartáveis para aplicações como roupas e máscaras hospitalares, entre outras”, ressalta Fabio Schettini, da área de marketing de polipropileno da Braskem.

Inclusive no mercado de PVC, a Braskem pode elevar seus negócios em 2019, crê Eduardo Soares Passos, responsável pelo marketing dessa resina na empresa. Há, ele afirma, “forte tendência” de crescimento na construção civil, atualmente responsável por cerca de 70% das aplicações de PVC. “E o setor calçadista deve continuar em ritmo forte de crescimento”, destaca Passos.

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Russomano: PVC conquista mais aplicações nos mercados usuais

Também sem revelar índices, Mauricio Russomano, diretor-executivo comercial da Unipar – que produz anualmente cerca de 507 mil toneladas anuais de PVC em plantas no Brasil e na Argentina –, projeta expansão das vendas em 2019. “No segundo semestre de 2019 surgiram indícios de retomada de crescimento da construção civil e começam a surgir informações sobre novos investimentos nesse setor”, observa.

A concretização dessas perspectivas mais favoráveis depende em grande escala das ações governamentais, cujo impacto na construção civil é intenso. “Os juros caíram e o desemprego também vem caindo, embora lentamente. Mantido esse cenário, talvez haja em 2019 alguma retomada: não muito grande, mas com potencial para se acentuar em 2020”, pondera Russomano.

Outras resinas – No comércio de resinas, as vendas de resinas devem neste ano registrar um incremento entre 5% e 10%, prevê Laercio Gonçalves, presidente da Adirplast (Associação Brasileira dos Distribuidores de Resinas Plásticas e Afins). Essa previsão não se refere apenas às distribuidoras autorizadas, inclui também as revendas que importam resinas e, em muitos casos, conseguem vendê-las a preços menores, utilizando artifícios com os quais driblam a legislação fiscal, por exemplo, recebendo os produtos em estados nos quais é menor o imposto sobre a importação e comercializando-os em outros onde esse imposto é maior, sem realizar o necessário recolhimento da diferença tributária.

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Gonçalves: distribuição ampliou vendas nos materiais avançados

Gonçalves ressalta: nem todas as revendas realizam essa prática de evasão fiscal, mas aquelas que assim atuam conseguem importar resinas com alíquota de 4% e revendê-las em estados com uma alíquota de 18%, sem pagar a diferença de 14% de tributos que deveria ser recolhida. “Não é possível cobrir essa diferença, nem mesmo um distribuidor bem azeitado consegue hoje trabalhar com margem de dois dígitos”, ressalta o presidente da Adirplast. “Reforma tributária e ajuste fiscal poderiam reduzir esse problema, mas ainda não antevejo mudanças nessas áreas”, acrescenta.

Atualmente, estima Gonçalves, as revendas movimentam cerca de 55% das aproximadamente 900 mil toneladas de resinas vendidas anualmente pelo comércio nacional (15% do mercado total de resinas); os demais 45% ficam com distribuidoras, que devem este ano obter índices maiores de expansão de seus negócios no segmento dos plásticos de engenharia, em que é menor a concorrência com as revendas, que encontram mais dificuldade para trabalhar com esse gênero de produtos, demandantes de maior conhecimento técnico, e por isso privilegiam as commodities.

Entre as especialidades oferecidas pelas distribuidoras nas quais projeta maior potencial de expansão de vendas, o presidente da Adirplast cita ABS e POM, cuja demanda deve se expandir principalmente na indústria automobilística. “O policarbonato também tem potencial de crescimento, em indústrias, como na fabricação de caixas de luz”, ele especifica.

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Natal: expectativa de aumentar as vendas de PS e PMMA

Na Unigel as vendas de poliestireno e de PMMA (resina acrílica), devem este ano, respectivamente, aumentar entre 3% e 5% (relativamente a 2018), projeta Marcelo Natal, diretor comercial adjunto da empresa. Tais números, ele ressalta, deverão ser similares àqueles referentes à evolução de todo o mercado nacional dessas duas resinas. “Estamos otimistas com relação a 2019: prevemos melhoria nos níveis de consumo e observamos uma nova onda de investimentos em alguns setores industriais”, comenta.

No mercado do PS, a expansão das vendas da Unigel decorrerá principalmente dos negócios com as indústrias da linha branca, especialmente no segmento da refrigeração, bens de consumo e embalagens. “Em substituição a outros materiais, como o ABS, o poliestireno apresenta potencial de crescimento em aplicações de nicho, como alguns componentes da linha branca – peças externas de lavadoras e refrigeradores, por exemplo – e também no setor de embalagens”, ressalta Natal.

O PMMA, por sua vez, terá suas vendas incrementadas especialmente pela demanda proveniente da indústria automotiva e da construção civil, ambas já usuárias relevantes dessa resina em sua forma granulada (a produção de chapas de acrílico é realizada diretamente do monômero MMA mediante o processo cast). O setor automobilístico, por exemplo, emprega PMMA granulado na injeção das lentes das lanternas traseiras de veículos, enquanto a construção civil o aproveita em componentes de iluminação. “Devido ao seu alto grau de transparência e ao acabamento superior, o PMMA tem potencial importante em aplicações ligadas à iluminação”, enfatiza o profissional da Unigel.

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Baruque: evolução de vendas justifica investimentos no país

Tendo como carro-chefe as poliamidas – em um portfólio que inclui ainda opções como POM e PBT, entre outras –, o grupo Radici deve este ano incrementar suas vendas no mercado brasileiro em aproximadamente 10%, prevê Luis Carlos Baruque, gerente de marketing e desenvolvimento da empresa. Atualmente, cerca de 40% dessas vendas se destinam ao setor automotivo. “Com lançamentos, deveremos aumentar nossa participação neste mercado, mas cresceremos também nos setores eletroeletrônico e de embalagens, nos quais já temos grande participação”, enfatiza Baruque.

Também Marcelo Correa, head de marketing e vendas da unidade de materiais de alta performance da Lanxess na América Latina, prevê expansão dos negócios com poliamidas, creditando-a principalmente à indústria automobilística. “A Anfavea [Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores] projeta crescimento de 9% na produção do setor, o que impacta positivamente nas vendas de toda a cadeia de fornecimento dessa indústria, inclusive de nossos compostos de poliamidas 6 e 6.6”, destaca Correa. “Mas o tamanho deste crescimento dependerá de uma série de fatores externos, como a aprovação das reformas estruturais que devem ser apresentadas ao Legislativo.”

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Passos: construção e calçados puxam a demanda pelo PVC

A demanda nacional por embalagens feitas de PET deve este ano ser algo entre 3% e 4% superior àquela registrada no ano passado, estima Auri Marçon, diretor-executivo da Abipet (Associação Brasileira da Indústria do PET). “Embalagens consomem quase a totalidade do PET produzido no Brasil”, informa.

A indústria brasileira, aponta o diretor da Abipet, tem hoje capacidade para produzir anualmente cerca de um milhão de toneladas de PET, mas nos últimos cinco anos o consumo interno atingiu a média de 600 mil toneladas anuais. As embalagens de refrigerantes respondem por mais de 50% das vendas dos produtores nacionais dessa resina, que crescem mais aceleradamente no segmento das embalagens para água, já responsáveis por 15,5% do total. “Há atualmente crescimento interessante no mercado das bebidas prontas para beber – já éramos fortes nos sucos concentrados – e agora também nos lácteos, ramo com acentuada expansão do uso do PET”, destaca Marçon.

Preços e concorrência externa – Cotados em reais, os preços das resinas praticados no mercado brasileiro devem cair neste início de ano, mas logo iniciarão uma fase de estabilidade, prevê Marta, da Maxiquim. “Em reais, em 2018 esses preços aumentaram 7%, em média”, informa.

Mas aumentará, prevê Marta, a importação de resinas, até porque devem entrar em operação novas capacidades de produção de polietilenos, caso da unidade da Equistar nos EUA. Essas novas produções miram, entre outros mercados, o Brasil. Já em 2018, essa importação aumentou entre 7% e 10%. “E as exportações das resinas produzidas no Brasil não devem apresentar variação em 2019”, diz Marta.

Ainda no ano passado, prossegue a analista, o consumo brasileiro de resinas cresceu perto de 3,5%. “Destacaram-se positivamente o polipropileno e os polietilenos, enquanto as resinas menos demandadas foram PVC, PS e EPS”, especifica.

Cresceram mais acentuadamente no ano passado, detalha a profissional da MaxiQuim, as vendas de resinas destinadas à produção de embalagens rígidas de produtos de higiene e limpeza, tendo havido – especialmente nos últimos anos meses do ano – bom desempenho também no mercado automotivo. “Aplicações médico-hospitalares elaboradas com polipropileno e polietilenos, como bolsas de sangue e outros produtos descartáveis, também apresentaram boa performance”, complementa Marta.

Os distribuidores reunidos na Adirplast obtiveram, nos dez primeiros meses do ano passado, um crescimento médio de 6,5% em relação ao mesmo período de 2017. “Os plásticos de engenharia tiveram melhor desempenho, vários distribuidores até começaram a atuar também nesse mercado”, relata Gonçalves (que em dezembro último assumiu um novo mandato de dois anos na presidência da Adirplast). “As commodities, principalmente os polietilenos, tiveram menor crescimento, certamente pelas dificuldades das questões tributárias que os distribuidores autorizados enfrentaram em relação às revendas”, ele complementa.Desempenhos em 2018 – Computando os três primeiros trimestres do ano passado, em relação ao mesmo período de 2017, a Braskem comercializou no mercado brasileiro volume 1% maior de resinas, totalizando 2.624 mil toneladas de PE, PP e PVC (a companhia não informa dados individualizados para as distintas resinas). Nesse mesmo período, informa a empresa, a demanda por resinas no país apresentou expansão de 3%, em decorrência do maior nível de atividade, principalmente nos setores de embalagens, agricultura e consumo.

A Unipar, segundo Russomano, registrou em 2018 um volume de negócios “um pouco inferior” ao de 2017. Mas ele considera possível gerar mais negócios com o PVC em aplicações nas quais essa resina apenas agora começa a ser mais empregada, em setores como a indústria automobilística, na qual ela já aparece em maior escala em revestimentos dos bancos de automóveis. “Há possibilidade de usar mais PVC também na indústria calçadista, e não apenas no solado, mas também no acabamento”, ele diz. “Pode-se ainda expandir o uso dessa resina em outros artigos destinados à construção civil, como portas, esquadrias e forros”, acrescenta Russomano.

No mercado do PS, estima Natal, da Unigel, no ano passado a demanda nacional deve ter crescido algo entre 0,5% a 1,5% (na comparação com 2017). “Mas nesse período, o mercado de PMMA apresentou uma impressionante recuperação de 15%, motivada pelo aumento na produção nacional de veículos”, destaca.

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Marçon: PET entra firme nas embalagens de bebidas lácteas

A demanda da indústria automotiva por PMMA, especifica Natal, concentrou-se principalmente em grades para injeção para lanternas automotivas. “No poliestireno, observamos crescimento na demanda por grades para XPS (poliestireno extrudado)”, acrescenta o profissional da Unigel.

Baruque qualifica como “excelente” o ano de 2018 para a operação brasileira da Radici que relativamente ao ano anterior registrou, nesse período, um incremento de negócios de 11%. “Entre 2017 e 2018 investimos mais de R$ 13 milhões no Brasil em uma nova linha de extrusão, ensacadeira automática e diversos equipamentos de laboratório”, enfatiza o profissional dessa multinacional de origem italiana que mantém uma planta de produção em Araçariguama-SP e uma unidade têxtil em São José dos Campos-SP.

Marçon estima que a quantidade de PET consumida no Brasil em 2018 deve ter crescido entre 1,5% e 2%, relativamente a 2017. Mas a análise desse índice deve considerar a existência de um processo de acentuada redução no peso das embalagens feitas com essa resina (e que indica que a quantidade de embalagens produzidas com ela cresceu em índices mais elevados). “Em média, esse peso caiu algo entre 25% e 35% nos últimos dez anos”, finaliza o diretor-executivo da Abipet.

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