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Cresce a procura por tratamento Off-Site de efluentes industriais

Marcelo Furtado
1 de setembro de 2019
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    Os tratamentos das linhas da Attend que recebem os efluentes industriais com o processo físico-químico, segundo Sylvain Maïs, têm preços que variam conforme a dinâmica a ser adotada, por sua vez determinada com as análises do laboratório interno a partir de amostras. “Mas o nosso preço é muito competitivo, por conta da flexibilidade operacional e capacidade de armazenamento que temos”, explica. Isso significa, grosso modo, que há a possibilidade de criar blends entre os efluentes para minimizar o custo do tratamento. “Um tipo de efluente pode corrigir o pH de outro, servindo como pré-tratamento, por exemplo”, diz. O custo de tratamento para um efluente industrial, que demanda físico-químico, pode ir de R$ 140 a R$ 350/t.

    A Attend Ambiental opera 24 horas por dia, o que é considerado um diferencial no mercado, pois não são muitas as estações off-site com essa característica. A central de tratamento tem capacidade de recebimento de 611 caminhões por dia no pátio coberto do ponto de descarga. A empresa também oferece suporte técnico para obtenção de autorizações de transporte e destinação e indica transportadoras certificadas para a operação.

    24 horas em Salto – Também se movimenta para a possível melhora no ambiente de negócios a Sanetrat, de Salto-SP, que opera uma estação de tratamento de efluentes industriais e também de chorume e fossa séptica com capacidade para 6 mil m³/mês. Segundo revela o diretor da Sanetrat, Francisco Faus, no fim de 2018 a central passou a operar também 24 horas. Além disso, o laboratório da estação foi acreditado pelo Inmetro, com a norma ISO 17025, permitindo que as análises das amostras dos clientes sejam aceitas pelos órgãos ambientais na emissão de certificados de destinação e transporte.

    Química e Derivados - Ensaio de precipitação de sólidos realizado pela Sanetrat

    Ensaio de precipitação de sólidos realizado pela Sanetrat

    Instalada desde 2008, a Sanetrat, empresa do grupo Conasa, que tem a concessão de saneamento em Salto (Sanesalto), em 2015 tinha ampliado e adequado a estação para atender vários tipos de efluentes, como oleosos, ácidos, com DQO, com metais, com cromo hexavalente ou alcalinos concentrados.

    O maior volume recebido pela estação é de chorume, mas há uma grande diversidade de efluentes de indústrias sendo tratados, responsáveis pela maior parte dos 200 contratos da Sanetrat. Há um tratamento físico-químico, com floculador, flotador de ar dissolvido para óleos, espessador de lodo e uma etapa de quebra-químico. Também há tratamento biológico por ar dissolvido com difusores de ar de bolha fina. Todos os efluentes tratados são descartados na rede de esgoto da Sanesalto, dentro das exigências do artigo 19-A para lançamento.

    Segundo Faus, boa parte das indústrias atendidas são dos setores metalomecânico, químico, alimentício, têxtil e de galvanoplastia. As empresas são de todos os portes, pois mesmo grandes indústrias contam com alguns tipos de efluentes cujo tratamento preferem terceirizar, caso das produtoras de agroquímicos.

    Embora julgue acirrada a competição entre os fornecedores das áreas, na opinião do diretor da Sanetrat, a alta ilegalidade no setor, ou seja, de empresas que optam por descartar os efluentes sem tratamento, é outro “concorrente” importante. “A Cetesb precisaria aumentar a fiscalização”, diz. Para ele, uma iniciativa que pode brecar as práticas ilegais é a adoção do Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR) Eletrônico, que alguns estados estão usando e que o Ministério do Meio Ambiente estuda aplicar nacionalmente.

    O MTR Eletrônico, adotado primeiro por Santa Catarina, é um sistema de rastreabilidade do resíduo. Em resumo, o sistema se baseia em manifesto de destino por código de barras emitido pelo gerador na hora do envio via transportadora, que receberá a baixa apenas na hora de recebimento pelo tratador-destinatário. Toda essa movimentação gera relatórios de destinação, que seguem on-line para o órgão ambiental.

    Off e depois on – Com foco tanto no modelo off-site, como no on-site (quando a fornecedora monta e/ou opera uma estação dentro do cliente), a Opersan, de São Paulo-SP, percebe um momento de retomada dos negócios que se reflete nas duas áreas.

    A análise é do gerente comercial da Opersan, Antonio Fréo, que tem recebido ultimamente pedidos com características comuns. Segundo explica, há clientes desengavetando projetos de ampliação na produção, mas que preferem de início não investir no tratamento de efluentes on-site, terceirizando a operação na fase inicial, para não aumentar o investimento. Mas a ideia deles, continua Fréo, é no médio prazo optar por novas ETEs dentro dos complexos industriais. De acordo com o gerente, esse movimento começou por volta de outubro de 2018.

    “Dessa forma, também cativamos o cliente, dando a ele primeiro a solução off-site e, depois, com a oferta de uma solução de BOT, por exemplo, na qual investimos, montamos e operação a planta”, diz. Segundo ele, trata-se de uma evolução natural, na medida em que a nova produção começa a ganhar corpo. “Quando o volume de efluentes fica muito grande, o próprio custo logístico da operação off-site passa a se tornar inviável”, complementa Fréo.



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