Corrida para ter subsídio de energia solar alcança recorde de pedidos

Segundo a Abradee foram registrados 486,6 mil projetos de geração distribuída (GD)

Os últimos dias para cadastramento de projetos de energia solar com direito a subsídio de energia solar integral resultaram num recorde de solicitações. Somados, os pedidos equivalem a quase duas usinas hidrelétricas de Itaipu em pouco mais de três meses.

De acordo com a Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), foram registrados 486,6 mil projetos de geração distribuída (GD), como é chamado o sistema de placas solares de menor porte, que somam 32.298 MW (megawatts) de potência instalada, de outubro do ano passado até o dia 7 de janeiro.

Segundo a entidade, que consolidou os dados, nesses pouco mais de três meses, o total de potência dos projetos cadastrados excede em duas vezes o volume dos pedidos encaminhados anteriormente. De 1º de outubro a 30 de setembro, segundo a entidade, os pedidos contabilizavam 15.100 MW de potência instalada.

Embora a energia solar tenha a vantagem de ser limpa, o subsídio de energia solar a que esses projetos têm direito vai ser pago por outros consumidores.

Esse subsídio, que alcança valores bilionários, é resultado da campanha contra “taxar o sol”. Na prática, no entanto, “não taxar o sol” representa não cobrar do gerador solar e transferir para os consumidores a despesa de encargos e pelo uso do fio na rede da distribuição de energia. Tecnicamente, trata-se do uso da Tusd (Tarifa de Uso dos Sistemas de Distribuição).

Segundo estimativas da Abradee, os consumidores vão bancar R$ 270,7 bilhões em subsídios dessa leva final de projetos até 2045, período em que perdura a isenção completa pelo uso do fio.

Na GD, a energia solar pode ser gerada em duas modalidades: microgeração, que corresponde a projetos com potência menor ou igual a 75 kW (kilowatt), geralmente instalados diretamente nos telhados, e minigeração, com potência instalada superior a 75 kW e menor ou igual a 5 MW.

Subsídio energia solar

Subsídio de Energia Solar

Essa segunda alternativa foi criada para viabilizar o acesso para consumidores interessados em obter energia solar, mas que não tivessem espaço nos telhados ou morassem em apartamentos e quisessem se reunir em cooperativas ou associações para ter acesso à GD.

No entanto, essa modalidade passou a ser explorada como um negócio e a maioria das fazendas solares é criada para vender energia a grupos empresariais, como bancos, supermercados e redes de varejo.

De outubro a 6 de janeiro foram cadastrados 460.110 projetos de microgeração, cuja potência instalada soma 7.000 MW, adicionando um custo, via subsídio, de R$ 61,3 bilhões para os consumidores até 2045.

No caso da minigeração, foi solicitado um número menor de projetos, 26.472. No entanto, o total de potência é muito superior, 25.231 MW, bem como o custo dos subsídios para os consumidores, que contabiliza R$ 209,4 bilhões.

A depender do ritmo da aprovação desses novos projetos, o custo pode subir já em 2023 acima do projetado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Em outubro, a agência havia divulgado que os projetos cadastrados até 6 de janeiro deste ano deveriam gerar em 2023 um custo adicional na casa de R$ 4 bilhões em subsídios.

 

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