Logística e Transporte

25 de fevereiro de 2015

Contenção: Contenção de derramamento de óleo em cenário offshore

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Publicado por: Petroleo e Energia
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    Revista Petróleo & Energia,
    Texto: Dante Pozzi Neto, Roberto Giannini, Osvaldo Henrique Nogueira Junior

    Fotos divulgação/Alpina Briggs

    O petróleo é um dos principais protagonistas no desenvolvimento dos países e dos confortos da vida contemporânea. Esse protagonismo lhe confere o papel de herói e vilão, pois se por um lado proporciona melhorias indiscutíveis à qualidade de vida do homem moderno, por outro também representa grandes riscos à qualidade ambiental, com potencial para causar relevantes impactos à natureza.

    O ciclo do petróleo, desde a extração até seu consumo, abrange inúmeros processos complexos, cujos riscos de acidentes inerentes à atividade, em particular no transporte e armazenamento, os quais envolvem massivas quantidades do produto, ainda que gerenciáveis, podem resultar em derramamento de óleo.

    Ainda que derramamentos de óleo possam ocorrer tanto em ambientes terrestres como marinhos, aqueles em ambiente marinho são os de maior repercussão, mobilizam a opinião pública, mídia e autoridades, com razão, pois podem causar graves impactos e danos ambientais, decorrentes não apenas do volume derramado (um litro de óleo pode recobrir mais de 25.000 m2 de superfície de água), mas também das propriedades físico-químicas do produto e características ambientais do local da ocorrência.

    Devido à gravidade desses incidentes, organismos internacionais, governos e indústria há algumas décadas se preocupam com as consequências dos derramamentos de óleo e estabelecem marcos legais, novas tecnologias e procedimentos, visando reduzir os riscos de vazamentos e mitigar suas consequências. Os resultados, ainda que promissores, não são tranquilizantes. Se por um lado dados do ITOPF (International Tanker Owners Pollution Federation) revelam que a média de grandes derramamentos (maiores que 700 toneladas derramadas) causados por navios-tanque e barcaças caiu de 24,5/ano na década de 70 para 3,3 derramamentos por ano na década de 2000 e para 2,5/ano no período 2010-2011, o que corrobora informações da IMO (International Maritime Organization), segundo a qual, embora o volume de óleo transportado por mar tenha dobrado na última década e os eventos de derramamento de óleo diminuído a menos da metade no mesmo período, grandes derramamentos ainda ocorrem.

    O naufrágio do navio Prestige, em 2002, derramou cerca de 63 mil toneladas de óleo, contaminando milhares de quilômetros do litoral de Espanha, França e Portugal. Em dezembro de 2007, o navio tanque Hebei Spirit derramou cerca de 10.800 toneladas de óleo nas proximidades do porto de Daesan (Coréia do Sul), afetando 33 praias e uma das áreas ecossistêmicas mais importantes da Ásia, com intenso uso para maricultura e turismo. No auge da operação de resposta, mais de 1 milhão de pessoas estavam envolvidas na operação de limpeza. A explosão da plataforma Deepwater Horizon no Golfo do México, em 2010, causou um derramamento contínuo por 87 dias, lançando ao ambiente mais de 900 mil toneladas de óleo. A limpeza de costa perdura até os dias atuais.

    O fato é que a operação de resposta a um derramamento de óleo é bastante complexa, exige muita organização, equipamentos e pessoal especializados, por vezes não disponíveis nas quantidades necessárias, variada gama de prestadores de serviço, estruturas de apoio, grande esforço logístico, respeitáveis aportes financeiros, além de envolver diferentes áreas do poder público e da sociedade, submetendo os responsáveis pelo empreendimento causador do incidente a pressões de toda ordem. Não há outra maneira de se preparar para um incidente dessa natureza, que pode ser catastrófico, senão com muita organização e treinamento.

    O Brasil dispõe de legislação específica sobre poluição por vazamento de óleo e outras substâncias perigosas, sendo a Resolução Conama 398, de junho de 2008, a mais expressiva delas, pois determina de forma objetiva aos empreendedores os requisitos mínimos necessários ao estabelecimento de um Plano de Emergência Individual (PEI) efetivo frente às necessidades de preparação e resposta aos incidentes de poluição por óleo. Longe de ser um capricho legislativo, o plano de emergência ou contingência é uma ferramenta das mais úteis na administração da crise que se instala no momento seguinte à ocorrência e propicia a adequada e eficiente organização da operação de resposta ao incidente.

    Organização – O primeiro passo é estabelecer uma estrutura de gerenciamento de incidentes. Os diferentes modelos existentes têm em sua essência a mesma organização e objetivam estabelecer de forma bem definida a estrutura de comando, as regras e as responsabilidades, com adequada abrangência dos controles necessários. Tanto o modelo de estrutura proposto pela IMO (IMS – Incident Management System) como o modelo desenvolvido pelos Estados Unidos (ICS – Incident Command System), dos mais adotados ao redor do mundo, não apresentam grandes diferenças e propõem a organização baseada em um núcleo de comando unificado, que reúne os atores com prerrogativas de tomadores de decisão, ao qual estão subordinados quatro grandes núcleos de trabalho: planejamento, operações, logística e finanças.


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      1. No yu tub tem um equipamento que retira do mar aberto petroleo e oleo com total. puresa levando de volta au navio



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